Já afirmamos no artigo anterior que a educação é de fato a infra-estrutura
fundamental para o desenvolvimento da Paraíba (e de qualquer lugar). Mais ela
também será pouca se não cuidarmos das questões básicas de como pensar sua
viabilização. É claro que não se dá para fazer com qualidade um excelente
prato se usarmos ingredientes ruins. Se a escola pública for isso que está ai
vamos ter que redefinir o que seja escola pública. Precisamos pensar
estratégias de melhoria física para todos os aspectos que nos leve ao
desenvolvimento. As estradas não podem continuar a ser essa falta de segurança
em que se encontram. Até a sinalização o que seria o óbvio é precária e
inclusive contribui, com sua ausência com a insegurança nas estradas.
Quando se fala de infra-estrutura, fala-se basicamente de opções de
desenvolvimento. Que modelo estamos infra-estruturando? Quais foram, quais são
e quê conseqüências nossas opções de desenvolvimento possuem? Pois o nosso
modelo de desenvolvimento não é apenas econômico, pois o econômico é político,
é ideológico. Não tem como não destacar as classes e as organizações sociais
nisso tudo. Fica patente na realidade contemporânea brasileira que a opção é
por uma sociedade capitalista, portanto de classes, onde os modelos de
infra-estrutura também são pensados de forma discriminatória. Pois privilegiam
uns em detrimentos de outros. Basta ver a formatação dos nossos bairros para
termos uma noção exata do que se está afirmando aqui.
Fico a perguntar-me do por que verdadeiro para tanta desigualdade social? Será
apenas ganância por dinheiro, posição e prestígio? Ou seria uma crise crônica
e centenária de egoísmo exacerbado por parte da classe dominante? O que
defendemos é que a infra-estrutura tem que funcionar pra todo mundo. Pois
estamos discutindo direitos constitucionais o tempo todo. Educação, saúde,
segurança, trabalho, lazer, cultura, informação, ação e reação, são todos os
ingredientes dessa sopa social que, em tese, deveria alimentar a todos e a
todos deixar satisfeitos. Existem montanhas de dinheiro público sendo arrecado
de tudo quanto é jeito da população. Mais mesmo assim, essa montanha de
dinheiro público tem servido muito pouco ao público. Até porque historicamente
- o público tem sido muito privatizado.
A privatização do erário que deveria ser público 100% público tem sido
destinada a bancar estruturas de poder dispendiosas, verdadeiras castas e
cortes de privilégios e abusos. A maior reforma estrutural que poderá
acontecer na Paraíba (e no mundo) é sempre fazer a opção pela justiça social.
E ela deve começar pela infra-estrutura do orçamento familiar. É
vergonhoso o salário mínimo que temos. E mais vergonhoso ainda é vermos os
nossos dirigentes escolhidos pelo voto, consumindo a maioria dos recursos do
erário público - com sua manutenção e dos seus grupos aliados - pois o
exercício das funções públicas, todas elas legais, estão eivadas de
injustiças. Onde um pequeno grupo sempre leva a maior parte da folha de
pagamento de cada setor. Sendo distribuído às migalhas que sobram.
Não infra-estruturaremos a Paraíba sem uma política justa de cobrança de
impostos. Da sua aplicação também justa na distribuição de serviços e do
pagamento dos mesmos. Claro que um juiz deve ganhar bem. Mais porque um
professor tem que ganhar 2, 3% do seu salário? Que justiça é essa? Não
acredito que iremos chegar muito longe infra-estruturalmente falando com
relações como essa. A dignidade é a melhor segurança. E infra-estrutura não
são somente pontes, estradas, escolas, hospitais, saneamento básico, ruas
calçadas, etc. e tal. A boa e melhor infra-estrutura é o investimento na
segurança do homem (mulher), da sua família. Não adianta termos ônibus novos
quando o povo não possui dinheiro para andar neles. Não adianta os
supermercados repletos de alimentos se não podemos ir comprar.
Infra-estruturar de verdade uma sociedade é criar condições objetivas de
trabalho e salários dignos. Não basta só ter trabalho. O trabalho precisa ser
compensatório.
Exijamos dos governos e das representações institucionais, do alto dos
exorbitantes 45% de impostos cobrados, os serviços decentes e a dignidade que
o povo precisa receber em troca de tudo isso. Pois não temos obrigação de
pagar esse preço por serviços tão deficitários. Basta olhar de forma acurada o
que se tem feito com toda essa montanha de dinheiro na saúde, na educação e na
segurança. Só para ficarmos em questões, digamos básicas. Os governos de hoje
não têm como explicar para a sociedade que com o preço que cobram em impostos,
os serviços que oferecem a mesma, sejam tão ruins. Tão incompetentes. É uma
vergonha o quadro da saúde pública no Brasil e excepcionalmente na Paraíba. É
quase um caso de polícia. Pois o dinheiro existe para dar uma boa
infra-estrutura à saúde da sociedade, mais esse dinheiro não chega à ponta do
atendimento. Que labirintos são esses que nem o Ministério Público consegue
explicar?
Temos que repensar a base da sociedade que é a família e suas condições
objetivas de exercer com dignidade a sua cidadania. Precisamos fazer um
esforço, para distribuir melhor a nossa renda, a nossa produção. Não dá para
ficarmos contemplando esse modelo egoísta que temos trilhado por mais de
quinhentos anos. Precisamos ter um presente e um futuro com mais dignidade. O
moderno hoje, o correto, o ético, é resgatar direitos. Incluir socialmente, dá
mobilidade social com justiça. Daí que precisamos infra-estruturar mecanismos
de controles sociais e de participação mais diretiva na administração do bem
público. Chega de ficarmos apenas assistindo uma corte com custos altíssimos
dizendo que estão fazendo o melhor que podem. Mas que a gente vai ter que ter
paciência. E isso nos dá uma impaciência tremenda. Pois esse modelo de
infra-estrutura - onde a família não é o foco - desconfiamos que as
empreiteiras do erário público estão esvaziando as nossas esperanças.
