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Perspectivas hoje na Paraíba – Parte III

O eixo da infra-estrutura

portalbip.com (Ivaldo Gomes) - 05/05/2008

Já afirmamos no artigo anterior que a educação é de fato a infra-estrutura fundamental para o desenvolvimento da Paraíba (e de qualquer lugar). Mais ela também será pouca se não cuidarmos das questões básicas de como pensar sua viabilização. É claro que não se dá para fazer com qualidade um excelente prato se usarmos ingredientes ruins. Se a escola pública for isso que está ai vamos ter que redefinir o que seja escola pública. Precisamos pensar estratégias de melhoria física para todos os aspectos que nos leve ao desenvolvimento. As estradas não podem continuar a ser essa falta de segurança em que se encontram. Até a sinalização o que seria o óbvio é precária e inclusive contribui, com sua ausência com a insegurança nas estradas.

Quando se fala de infra-estrutura, fala-se basicamente de opções de desenvolvimento. Que modelo estamos infra-estruturando? Quais foram, quais são e quê conseqüências nossas opções de desenvolvimento possuem? Pois o nosso modelo de desenvolvimento não é apenas econômico, pois o econômico é político, é ideológico. Não tem como não destacar as classes e as organizações sociais nisso tudo. Fica patente na realidade contemporânea brasileira que a opção é por uma sociedade capitalista, portanto de classes, onde os modelos de infra-estrutura também são pensados de forma discriminatória. Pois privilegiam uns em detrimentos de outros. Basta ver a formatação dos nossos bairros para termos uma noção exata do que se está afirmando aqui.

Fico a perguntar-me do por que verdadeiro para tanta desigualdade social? Será apenas ganância por dinheiro, posição e prestígio? Ou seria uma crise crônica e centenária de egoísmo exacerbado por parte da classe dominante? O que defendemos é que a infra-estrutura tem que funcionar pra todo mundo. Pois estamos discutindo direitos constitucionais o tempo todo. Educação, saúde, segurança, trabalho, lazer, cultura, informação, ação e reação, são todos os ingredientes dessa sopa social que, em tese, deveria alimentar a todos e a todos deixar satisfeitos. Existem montanhas de dinheiro público sendo arrecado de tudo quanto é jeito da população. Mais mesmo assim, essa montanha de dinheiro público tem servido muito pouco ao público. Até porque historicamente - o público tem sido muito privatizado.

A privatização do erário que deveria ser público 100% público tem sido destinada a bancar estruturas de poder dispendiosas, verdadeiras castas e cortes de privilégios e abusos. A maior reforma estrutural que poderá acontecer na Paraíba (e no mundo) é sempre fazer a opção pela justiça social. E ela deve começar pela infra-estrutura do orçamento familiar. É vergonhoso o salário mínimo que temos. E mais vergonhoso ainda é vermos os nossos dirigentes escolhidos pelo voto, consumindo a maioria dos recursos do erário público - com sua manutenção e dos seus grupos aliados - pois o exercício das funções públicas, todas elas legais, estão eivadas de injustiças. Onde um pequeno grupo sempre leva a maior parte da folha de pagamento de cada setor. Sendo distribuído às migalhas que sobram.

Não infra-estruturaremos a Paraíba sem uma política justa de cobrança de impostos. Da sua aplicação também justa na distribuição de serviços e do pagamento dos mesmos. Claro que um juiz deve ganhar bem. Mais porque um professor tem que ganhar 2, 3% do seu salário? Que justiça é essa? Não acredito que iremos chegar muito longe infra-estruturalmente falando com relações como essa. A dignidade é a melhor segurança. E infra-estrutura não são somente pontes, estradas, escolas, hospitais, saneamento básico, ruas calçadas, etc. e tal. A boa e melhor infra-estrutura é o investimento na segurança do homem (mulher), da sua família. Não adianta termos ônibus novos quando o povo não possui dinheiro para andar neles. Não adianta os supermercados repletos de alimentos se não podemos ir comprar. Infra-estruturar de verdade uma sociedade é criar condições objetivas de trabalho e salários dignos. Não basta só ter trabalho. O trabalho precisa ser compensatório.

Exijamos dos governos e das representações institucionais, do alto dos exorbitantes 45% de impostos cobrados, os serviços decentes e a dignidade que o povo precisa receber em troca de tudo isso. Pois não temos obrigação de pagar esse preço por serviços tão deficitários. Basta olhar de forma acurada o que se tem feito com toda essa montanha de dinheiro na saúde, na educação e na segurança. Só para ficarmos em questões, digamos básicas. Os governos de hoje não têm como explicar para a sociedade que com o preço que cobram em impostos, os serviços que oferecem a mesma, sejam tão ruins. Tão incompetentes. É uma vergonha o quadro da saúde pública no Brasil e excepcionalmente na Paraíba. É quase um caso de polícia. Pois o dinheiro existe para dar uma boa infra-estrutura à saúde da sociedade, mais esse dinheiro não chega à ponta do atendimento. Que labirintos são esses que nem o Ministério Público consegue explicar?

Temos que repensar a base da sociedade que é a família e suas condições objetivas de exercer com dignidade a sua cidadania. Precisamos fazer um esforço, para distribuir melhor a nossa renda, a nossa produção. Não dá para ficarmos contemplando esse modelo egoísta que temos trilhado por mais de quinhentos anos. Precisamos ter um presente e um futuro com mais dignidade. O moderno hoje, o correto, o ético, é resgatar direitos. Incluir socialmente, dá mobilidade social com justiça. Daí que precisamos infra-estruturar mecanismos de controles sociais e de participação mais diretiva na administração do bem público. Chega de ficarmos apenas assistindo uma corte com custos altíssimos dizendo que estão fazendo o melhor que podem. Mas que a gente vai ter que ter paciência. E isso nos dá uma impaciência tremenda. Pois esse modelo de infra-estrutura - onde a família não é o foco - desconfiamos que as empreiteiras do erário público estão esvaziando as nossas esperanças.

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