Quando falamos de educação, como um eixo temático para o entendimento de
perspectivas na Paraíba hoje, é no sentido de que a educação se reveste de
ferramenta fundamental em todos os aspectos da sociedade que temos e que
queremos desenvolvida de forma sustentável e autônoma. Educação aqui não é
apenas a formal – essa um direito constitucional e no campo dos serviços
sociais -, mas quero tratar justamente da educação no seu conceito global. De
totalidade. Ou seja, ela está presente no atravessar da rua, no usar o
elevador, dirigindo o carro, separando o lixo seco do lixo úmido. Cozinhando,
cuidando da casa, escolhendo os alimentos. Cuidando do jardim. A educação como
passaporte para uma vida melhor. Onde seja ela ‘moeda de relacionamento
humano’ ampla, geral e irrestrita. Educação que permeie a sociedade, que educa
e se educa com ela.
Por que insisto em que a nossa visão de educação seja um eixo central na
construção de uma sociedade melhor, mais organizada, próspera? Porque sem ela
será muito difícil de subir esse ‘Everest’ de problemas que a situação atual
de nossa sociedade nos impõe. Esse é o nosso desafio. Estamos aqui, agora e só
depende de nós. Educar como um padrão de comportamento. Aprender e ensinar têm
que ser exercício diário de todos nós. Não vamos resolver o problema da
violência (por exemplo) sem a devida formação educacional, moral, ética, de
nosso povo. O modelo de corrupção que assola o país não pode ser referendado
como o modelo que queremos. Não me interessa saber se a corrupção é de a ou de
b, ou c, d ou f. O prejuízo já foi causado.
Educação rima com justiça social. Compreensão mais ampla das possibilidades
humanas. Sem um processo de educação em justiça social também não vamos chegar
muito longe. Pois a educação grassa toda a sociedade e suas ações e re-ações
depende do nível de e da educação que possuímos. Quando penso educação como
ferramenta de desenvolvimento – em todos os sentidos - lembro logo do exemplo
do Japão. Um país destruído pela guerra e endividado. Bastou cinqüenta anos de
educação como prioridade zero e os levou a ser a segunda nação mais
desenvolvida do mundo. E olhe o território do Japão. Um amontoado de ilhas.
Mas até as ilhas cresceram no Japão. Pois o mesmo teve que educar o mar, para
abrir novos territórios. O Japão passou anos aplicando 40% do seu orçamento
governamental em educação. Educação em todos os sentidos. E não apenas formal
ou profissional.
Na Paraíba de hoje, o nosso sistema educacional público está ano luz em atraso
(o privado em menor escala). Mesmo com todos esses computadores instalados nas
escolas. Com muita sinceridade, a política educacional pública, ainda é a de
se fazer uma escola de segunda classe. Olha-se o nosso futuro, com o olhar da
descriminação. Assim nunca seremos um povo desenvolvido, justo, ético como
pretendemos ser. Temos que fazer um esforço, até de crítica, para
desmistificar algumas coisas que querem nos impor como verdades. E a verdade é
que nossa escola pública não é de qualidade. E a falta de qualidade de nossa
escola pública se reflete na falta de qualidade da educação de nosso povo.
Pois por falhas na nossa formação educacional é que cometemos os maiores atos
de deseducação. E ela se reproduz e se perpetua. Pois as chances de se
continuar educando são cada vez menores, como resultado dessa deseducação
pública.
A falta que a educação faz, faz-nos ficar assim esquecidos de nossas
responsabilidades com os outros e com o futuro de todos nós, pelo menos dos
nossos descendentes. Esse ‘esquecimento educacional’ nos faz ‘esquecer’ o lixo
na praia, fazer xixi na água que se bebe, nem perceber o esgoto escorrendo pro
rio. Faz-nos fazer-de-conta que os meninos e meninas cheirando cola no Ponto
de Cem Réis são só mais um dado de realidade. E que a vida é dura e tudo tem
que ser assim mesmo. Uns com tanto e outros sem absolutamente nada. Mas nos
arrastamos assim, deseducados pela vida. Até para atravessar a rua temos que
ser ensinados. Descobrir que o carro pode ser uma arma, nem que seja no
necrotério. Não. Não aceito, não aceitamos essa educação que não educa para o
bem da vida. Da vida com liberdade. Com prosperidade. Onde o justo é justo e a
ética não faz contorcionismo para justificar sua ausência. Educar de forma
ampla, geral e irrestrita, uma das nossas saídas.
Concluo essa introdução ao eixo da educação, como ferramenta para mudar as
coisas de verdade, dizendo que essa é uma preocupação zero. Em todos os seus
aspectos. Da educação formal, a não-formal, informal. Permanentemente
educação. Educar hoje é se preparar para o futuro no presente. E qualquer
perspectiva de futuro na e da Paraíba, passa pela seriedade em que tratarmos a
nossa educação global. Dinheiro existe. E muito. Resta explicar onde e como de
fato está sendo aplicado e aferir seus resultados. Olhando de soslaio a
sociedade, há algo de desencontrado no ar. Toda essa violência é a melhor
resposta para a falta de educação da sociedade brasileira, nordestina,
paraibana. Pensemos nisso com o carinho e a responsabilidade que esse eixo
merece ter.
