Qualquer análise, em qualquer quadro que se monte, tem sempre uma variável
indispensável à concretude de qualquer proposta: a questão econômica. Nenhum
projeto de desenvolvimento poderá se dar ao luxo de não possuir um orçamento.
Claro que se faz também coisas sem dinheiro. Mas sem dinheiro algum é
impossível. Outra questão de fundamental importância para a nossa discussão,
para sua fundamentação, é optar por fazer uma discussão por partes. Lembra das
partes que se somadas forma um todo? Só que esse todo tem que ser harmonioso,
tal qual uma orquestra sinfônica. O maestro é importante. Mas o todo é quem
toca, é quem produz o som, a sinfonia, o espetáculo.
Para trabalhar essa questão de perspectiva – projetar idéias – sugiro discutir
essas possibilidades em eixos temáticos. O primeiro e indubitável é o
econômico. De onde vem o dinheiro para bancar as idéias? O segundo é educação
em seu sentido mais amplo possível. Tanto formal como informal. Capacitar para
mudar. O terceiro é o eixo da agricultura, comercio, industrialização, geração
e distribuição de renda (empregos, salários decentes). O quarto ponto é
infra-estrutura. Necessidades básicas para se desenvolver. Para fazer o novo
têm que se ter uma infra-estrutura correndo na frente. E quinto e último eixo
temático, os serviços: saúde, educação formal, segurança. Direitos garantidos
de verdade.
Essa é a perspectiva que queremos ter dessa discussão. É a missão, como
costuma chamar os planejadores. Mas a missão não é uma coisa fora do mundo. É
no mundo e para o mundo. Portanto as prioridades têm que ser escolhidas a
dedo. Não se faz mudança sem vontade. E a vontade vem da natureza do ser
humano. Veja o planeta como está. Veja o que a ação do homem/mulher já fez ao
planeta. Dá para você imaginar o tamanho da intervenção humana numa cidade
como São Paulo, Tóquio, Nova Iorque? Quando falamos de perspectiva falamos de
futuro. É tentar perceber antes para ver como fica depois. Sem perspectivas é
que não podemos ficar. E esse texto é um texto introdutório ao problema. Não
sei bem quem quer discutir isso, mas resolvi abrir um debate público na
Lista de Discussão Parayba_PB. Que já possui mais de 350 participantes.
Acho, com muita perspectiva e expectativa, que essa discussão possa acontecer
em alto nível. E digo mais. Lá na lista de discussão, tem pessoas com formação
das mais diversas. Com as mais diversas experiências. Tem casos de vidas
inteiras a serviço da causa coletiva. Mesmo na sua simples função social de
profissional ou mesmo envolvido em alguma área de trabalho existente na
sociedade. Com essa discussão poderemos gerar dados, juntar informações,
formatar projetos-idéias, que poderão sugerir a quem de fato e de direito
possa modificar as coisas por aqui: nós mesmos. Acredito muito, mas muito
mesmo na criatividade do povo nordestino. Taí o Brasil que não nos deixa
mentir. Quase todo construído pela mão dos 'paraibas, baianos, cearenses',
essa gente que sempre teve o sol como adversário, mas nunca arredou o pé da
terra ressequida. Mas ressequida também porque faltam ações para mudar tudo
isso.
Acho que esse texto - proposta de discussão - poderá dá uma maior organicidade
à discussão. Sugiro que cada um leia, reflita e dê também sua sugestão. Para
que daqui a pouco não seja apenas minha opinião e a sua. Mas que possamos
passar para um outro estágio superior, que é a nossa opinião. Será melhor não
perdermos nosso tempo discutindo coisas sem muito proveito. Sejamos
conseqüentes. Mesmo com um simples 'hobby' de se manter numa lista de
discussão. Hoje em dia (percebo assim) as pessoas não querem mais discutir
muito. Querem apenas ser ouvidas. Ou simplesmente ouvir. O que me impacienta é
o ‘dar de ombros’. Como se nada tivesse a ver com nada. E tudo tem a ver com
tudo e todos nós sabemos disso.
