Inicialmente deixe-me deixar claro que não só apoio à mudança do nome da nossa
capital, como também da nossa bandeira e ainda acho que devemos modificar o
nome de bairros e de ruas da nossa bela capital. Temos que modificar esses
nomes que homenagearam ditadores. Abaixo Castelo Branco, Costa e Silva,
Médici, Geisel e até da mãe de ditador como à senhora Valentina Figueiredo.
Que apesar de não ter culpa pelos atos do filho, colocou aquele cidadão no
mundo. De minha parte, não estou disposto, a ficar exposto, a hipocrisia que
reina nessa discussão. Daí, que acho tudo muito simples, direto, curto e
grosso: não aceitamos essas denominações, pelo fato de serem fruto de
imposições. E não me venham com essa história de que ‘o povo’ foi quem quis
mudar o nome da cidade para João Pessoa.
Todo bom leitor de historia sabe o que aconteceu com a tal da ‘revolução de
trinta’. Que não foi revolução nenhuma. Pode ter sido no máximo um rompimento
com a estrutura oligárquica que se perpetuava no poder por outra, digamos
assim, mais ‘moderna’, mas eficiente. Com ares de renovação nas práticas
políticas até então vigentes. Mas sem tocar na questão principal que era a
manipulação do poder central por mais um grupo oligárquico que se constituía.
João Pessoa, com sua morte, terminou servindo muito bem aos interesses
compungidos desse grupo e o seu cadáver foi muito bem utilizado. Daí que o
senhor Getúlio Vargas foi ungido presidente da república, quebrando-se assim
um domínio do que ficou conhecido na política brasileira como a ‘república do
café com leite’. Uma referência à alternância de poder somente entre os
estados de São Paulo (café) e Minas Gerais (leite).
Não entro no mérito de discutir se João Pessoa foi um excelente administrador,
pois até hoje existe controvérsia. Nada tenho contra a sua pessoa, mas acho
que a Paraíba perdeu o bonde da história quando fez da sua capital e da sua
bandeira, um estandarte de mau agouro, que se perpetua até hoje, causando
baixa estima na população com suas referências mórbidas e cores adotadas, e
que ‘herdamos’ por pura imposição. Chega de ficarmos querendo dar ares de
disputa política aqueles fatos. O que ouve de verdade foi um caso passional,
onde os temperamentais João Pessoa e João Dantas foram às vias de fato por
desrespeitos mútuos. Se João Pessoa não fosse o presidente da Paraíba e também
não estivesse na chapa de oposição ao governo federal, talvez o seu
assassinato não tivesse passado de matérias nas páginas polícias da época. Na
minha humilde opinião de cidadão desse burgo, tanto João Dantas quanto João
Pessoa estavam errados em procederem da maneira que procederam.
Agora, querer justificar a mudança do nome da nossa capital PARAHYBA (que
perdurou por quase três séculos) e da nossa bandeira, apenas pelas
circunstâncias em que aconteceu o assassinato de João Pessoa é optar pelo
simplismo. E nada ali foi simples. Pois a conjuntura já dava mostra de
mudança, até pelo fato de que o mundo em 1930 estava se redesenhando, onde o
populismo era a moeda da propaganda enganosa, como se viu, com Hitler,
Mussolini, Franco, Getúlio Vargas e catervas. Nada pra mim justifica tais
mudanças. Até porque o tão propalado ‘povo’ ainda votava no cabresto, com o
tal do voto aberto nas vistas do coronel e que em sua maioria eram
analfabetos. Estamos falando de uma Paraíba onde 70% dos seus moradores em
1930 eram analfabetos. Nós sabemos como aconteciam as eleições de voto marcado
e como os coronéis da época impunham sua vontade.
Urge, apesar dos beicinhos e dos desaforos dos defensores do NEGO, uma revisão
histórica. E ela passa pela educação dos mais novos. Precisamos ampliar o
debate, distribuindo cartilhas explicativas a população e fazendo palestras em
escolas e locais públicos, sobre os reais fatos que levaram a imposição da
mudança do nome de nossa capital e da nossa bandeira estadual. Os próximos
cinco anos são suficientes para se investir no esclarecimento da população.
Vamos recontar essa história sobre outros pontos de vista. E depois de
esclarecidos os fatos históricos, queremos um plebiscito para decidir em
caráter definitivo o nome de nossa capital e o retorno à bandeira anterior.
Que, diga-se de passagem, é bem mais representativa. Até do ponto de vista da
heráldica. E engana-se quem pensa que esta questão de mudança do nome da nossa
capital e a volta a bandeira anterior é de importância menor ou que a gente
tem mais em que se preocupar. Corrigir as injustiças do mundo é tarefa para
nobreza de espírito. E isso é tarefa honrosa em qualquer tempo. Mas
infelizmente é mais cômodo ceder a imposições. E foi o que de fato aconteceu
em 1930, 1945 e 1964.
Defendemos uma revisão histórica na Paraíba. Defendemos uma mudança de nomes
em nossos logradouros públicos. Pois vivemos em 2007 e já se passou tempo
suficiente para percebermos as farsas e as imposições na história do nosso
estado e do nosso país. Imagine se após o suicídio de Getúlio Vargas, tivessem
mudado o nome da capital da república, de Rio de Janeiro para Getúlio Vargas?
Absurdo! Mas foi o que exatamente ocorreu com a nossa capital PARAHYBA.
Queremos a volta do nome original, indígena, histórico, de raiz. Queremos
nossa bandeira de volta. Queremos um contar da história de forma diferente da
que ficou oficialmente conhecida. Aliás, é sempre bom lembrar, que quem conta
a história são os vencedores. E foi simplesmente isso que ocorreu naquele
fatídico 1930. Os livros de história estão eivados de distorções históricas e
elas precisam ser re-vistas, re-contadas, re-explicadas, para que não passemos
definitivamente para a história, como farsantes.
PARAHYBA sim senhor (a), por que não?
