É impressionante o comportamento do Sistema Correio de Comunicação da Paraíba
frente ao escândalo denunciado da Procuradoria da Fazenda Federal. O
presidente do grupo, o suplente de senador Roberto Cavalcanti e sócios, estão
sendo acusados de vários crimes. Inclusive de formação de quadrilha e
apropriação do erário público. Mas o que mais têm nos chamado a atenção é esse
silêncio ensurdecedor do Sistema Correio de Comunicação (TV, jornal, portais e
rádios). Não se fala uma única palavra sobre o assunto. Não consigo entender o
slogan do grupo quando afirma que a ética e a paixão são os princípios
norteadores desta empresa que presta um serviço público a comunidade. E seria
muito bom não esquecer disso nunca: serviço público a comunidade.
Mais complicado ainda é perceber que seus articulistas - que estão diariamente
metendo o pau nos erros dos outros - parece não enxergar um milímetro sequer
das denúncias que estão sendo feitas na Justiça Federal ao seu patrão. Parece
até que tudo se passa na Ucrânia. Por que dos dois pessoas e duas medidas
diferentes para tantos casos de denúncias de corrupção na Paraíba? Por que os
articulistas não dizem nada, não faz nenhum comentário e nem o que seria
eticamente correto o anuncio do escândalo entra na pauta dos órgãos dessa
empresa? O que de fato acontece na editoria desse grupo que se julga superior
a todos e acha que a população não tem o direito de saber dos escândalos onde
o seu presidente é o principal apontado por vários crimes ali denunciados?
Quer dizer que a ética de vocês só vale para um lado? Quando o assunto são as
empresas dos donos do Sistema Correio de Comunicação ai nada pode ser dito?
Onde terá ido parar o discurso da ética e da paixão desenfreada pela verdade -
nada mais do que a verdade - tão propalada por esse Sistema de Comunicação?
Como explicar pros meninos aqui de casa (que já lêem jornal e acessam a
internet) esse tipo de comportamento? Como justificar a postura tão
contundente contra os escândalos do Governador Cássio Cunha Lima/e seus
aliados e a tão forte complacência e até certa comoção em defesa dos
interesses dos aliados da política da boa hora? Por exemplo, podemos citar o
comportamento nada ético e diuturno excesso da propaganda elogiosa com o
prefeito desta cidade e da cidade de Campina Grande, como também a quase
idolatria em relação ao pífio senador José Maranhão?
É, parece que esse dois pesos e duas medidas para tratar assuntos correlatos -
escândalos contra o erário público - não tem tido guarida no barômetro ético
do Sistema Correio de Comunicação e de seus porta-vozes em diversos espaços de
suas empresas. É difícil, como leitor e assinante do Jornal Correio da
Paraíba, não ler uma única linha nas colunas de Rubens Nóbrega e Hélder Moura,
por exemplo. E ligar a Rádio Correio e não ver Josival, Gutenberg ou Ruy
Dantas tão eloqüente como sempre, não conseguirem dá nem um sussurro sobre o
assunto? Sinceramente, acho que vocês andam precisam reler o manual de redação
do bom jornalismo, pelo menos naquela parte que fala de como se deve comportar
um jornalista/radialista em pleno 2007 d.C. Pois está ficando muito feio - até
para o currículo de cada um - esse tipo de comportamento capcioso que foi
adotado pelo Sistema Correio da Paraíba e que parece aceito por todos que o
formam.
