Fomos convidados, Ana e eu, para aplicarmos uma prova da Terceira Jornada
Brasileira de Olimpíada de Matemática. Recebemos a função de coordenarmos a
aplicação das provas nas cidades de Belém e Caiçara. Saímos às 09 horas, pois
as provas deveriam começar às 13.30 horas e serem enceradas às 16.30 horas. A
possibilidade de voltar ao Brejo Paraibano e ao Curimataú (não tão conhecido
por nós) já valia o passeio. Fizemos umas esfirras, compramos no posto
refrigerante e água mineral, abastecemos o carro, checamos os pneus. E fomos
embora cumprir com a obrigação assumida. Sábado lindo. Dia claro, céu de
brigadeiro, ar gostoso de mato e passeio. Mas o passeio logo vai ficando
perigoso, assim que você pega a estrada pra Santa Rita. Pois fomos por Santa
Rita e voltamos pela BR 230 (Café do Vento).
Esse relato tem também o objetivo de chamar a atenção das autoridades
responsáveis (e são muitas) para os PERIGOS que encontramos nessas estradas o
tempo todo e em todo o percurso. Na ida e na volta. Rodamos uns trezentos
quilômetros. Esse primeiro trecho de Santa Rita, Espírito Santo até Sapé, é um
absurdo de falta de sinalização, estrada e respeito. Onde estão às autoridades
do transito estadual que permite que a estrada fique daquela maneira? E olhe,
de dia e a estrada não oferece a menor segurança. Não tem acostamento, o mato
invade a estrada, e tome buracos de surpresa. Sinalização? Nenhuma. Nem
vertical, nem horizontal. Imagino o perigo que os motoristas passam ali à
noite. É um absurdo tudo aquilo. E pra completar, os caminhões de até três
módulos das usinas de cana de açúcar.
Quando você sai de Sapé, até Mari e Guarabira, a estrada melhora um pouco, mas
sofre dos mesmos males anteriores. Pista curta, parca sinalização. Depois de
Guarabira é tentar chegar a Pirpirituba. Para depois chegar a Belém. Chegar a
Belém não é fácil com a pouca sinalização de indicação das cidades. Acho que
para cidade nenhuma no Brejo/Curimataú Paraibano é fácil chegar pela
sinalização existente. Urge, uma re-sinalização geral das cidades, ampla e
irrestrita na região. Nem os prefeitos ajudam a sinalizar suas cidades. A
sinalização da maioria das cidades é uma única e solitária placa. Se você
perdeu a placa, perdeu-se. Isso não ajuda em nada o esforço que se faz hoje
para alavancar o turismo rural naquela região. Até a sinalização turística é
melhor e mais objetiva que a sinalização obrigatória em lei. Mas chegamos a
Belém às 11 horas. Às 12 horas estava em Caiçara.
Voltamos às cinco da tarde. Pôr-do-sol do Curimataú e a sensação de que
estamos descendo para o litoral. O carro sobe as ladeiras, mas na realidade
elas estão descendo para o mar. Mas ai a poesia acaba e fica só a tensão do
agora, dirigir naquele escuro e sem sinalização quase nenhuma. O que salva
ainda são alguns olhos de gato, colocados em alguns trechos. Poucos trechos.
No mais é procurar a linha lateral da pista e tentar se manter nela. Evitando,
claro, os caminhões, ônibus, vans, carros de todo tipo, motos, bicicletas e
tudo em velocidade. Os trechos de Mari a Guarabira, Sapé, estão todos com sua
sinalização (ou falta dela) comprometida. Falta muito. Mas muito mesmo, para
que a lei seja cumprida por ali. A esperança da gente se renova em encontrar à
velha e desbotada certeza de segurança, imaginando chegar a BR 230, no
entroncamento do Café do Vento.
Mas o trecho pior, à noite, é o de Sapé até a BR 230 ou de Sapé a Santa Rita,
ruim do mesmo jeito. Esses são dois casos de polícia. É o caso de se pedir ao
Ministério Público uma apuração de responsabilidade. Afinal de contas estamos
falando da segurança de milhares de cidadãos que trafegam, precisam ir e vir
com segurança, naquelas estradas. O trecho de Sapé a BR 230, à noite, é um
desafio contra a morte rondando a beira da estrada o tempo todo. Não sei como
é de dia naquele trecho. Pois passei a noitinha, naquele horário de ponto zero
entre a luminosidade do dia e a boquinha da noite. Terrível a insegurança das
estradas naquela hora. Faz-se necessário, urgente, urgentíssimo, que as
autoridades competentes tomem todas as iniciativas para sanar tão grave
problema de segurança pública.
Mas, a prova de matemática transcorreu na maior normalidade. Os alunos do
Brasil inteiro, no último sábado, concorreram entre si, numa olimpíada, para
saber quem são os crânios bons do Brasil de hoje na matemática do ensino
básico. É uma oportunidade de descobrir talentos. Daí que são distribuídos
prêmios. Três mil medalhas de ouro, certificados, dinheiro e computadores.
Mais convites para se aprofundar em estudos mais sólidos em centros mais
avançados. Ou seja, os nossos talentos da matemática estão sendo mapeados.
Matematicamente. Conheci histórias surpreendentes. De talentos encontrados em
cantos tão escondidos, que só procurando para se achar mesmo. Como se sabe,
talento não tem assento. Sobrevive em condições e locais apropriadas para a
criação. A mente humana é uma chave mística. Que também serve para o bem e
para o mal. Depois eu conto mais.
