Recebi no começo de maio um convite para fazer parte do quadro técnico da Subsecretaria de Cultura do Governo do Estado da Paraíba. O convite, que muito me honra, foi feito pela atual Subsecretaria Daniella Ribeiro. Como técnico e professor da Secretaria de Educação do Estado da Paraíba não poderia recusar a nova tarefa que me foi confiada. O pedido foi no sentido de ajudar a movimentar o Centro Cultural do Terceiro Setor Thomaz Mindello, que funciona no coração de João Pessoa. Lá estão instaladas seis Ongs das áreas de cidadania, cultura e meio ambiente. Tão logo assumi as funções a que me foi confiado, procurei as Ongs e estamos pelejando para dar solução a vários problemas ali encontrados.
Começamos a nos preocupar com três questões básicas: a infra-estrutura do prédio, recém recuperado pela Ex-Subsecretária de Cultura Cida Lobo através do FIC; a implementação de uma programação que seja viável dentro das condições encontradas e a possibilidade da montagem de projetos para que possamos concorrer aos vários editais na área de cultura, cidadania e meio ambiente que proliferam por todo o país. Parece que o Brasil acordou para necessidade de se valorizar o seguimento cultural do país. O Ministério da Cultura tem feito um trabalho hercúleo tentando viabilizar vários editais e assim pulverizar os recursos com as entidades existentes. O Governo do Estado tem procurado fazer sua parte ainda tímida é verdade mas tem feito o que é possível dentro das condições existentes.
Nesse contexto estamos trabalhando a recuperação de dois espaços importantes nesse novo Centro Cultural que se estrutura aos poucos no centro da cidade. Estamos tentando reinstalar o Teatro Cilaio Ribeiro e instalar mais um Teatro na parte externa do centro. A proposta do Teatro Externo foi elaborada pela equipe do Centro Histórico, coordenada pela arquiteta Sônia Gonzalez. É esse Teatro que gostaríamos de batizar com o nome de Pedro Santos. Um amazonense que aqui aportou para trabalhar na Universidade Federal, a quem muito se deve pela forma instigante e amorosa de como fazia as coisas por aqui. Falar de Pedro Santos é abrir uma caixinha de surpresas. Pois fica difícil de dizer em quê ele não se envolveu.
Pedro Santos era essencialmente músico e maestro. Compositor, ativista cultural, político e social. Foi com ele que tive a oportunidade de participar de vários seminários e cursos sobre Cinema Direto no antigo NUDOC da UFPB. Nada mais justo que seja prestado a ele alguma homenagem. Coisa que a Paraíba se esqueceu. Espero que essa lembrança ao seu nome seja o começo de várias homenagens que possamos fazer a esse grande paraibano por adoção. Eu tenho sempre dito que nascer na Paraíba é uma sorte. Mas tornar-se paraibano é uma opção. E Pedro Santos fez isso com trabalho e dedicação. Tinha me prometido que na primeira oportunidade que eu tivesse, tentaria homenagear a memória desse amazonense de nascimento e paraibano de coração. É pena que esse Teatro que estamos tentando implantar não seja do tamanho da magnitude da sua contribuição a Paraíba. Mas vale o gesto da memória que ainda não perdemos.
Viva Pedro Santos!
