Segunda-feira, dia 13 de agosto, tivemos o desgosto de ver a nossa casa
assaltada na nossa ausência. De certa forma foi melhor assim. Pois se damos de
cara com os ladrões dentro da nossa casa, com certeza não teria acabado bem.
Levaram pouca coisa, pois acho que não deu tempo de fazerem à ‘limpeza’. Mesmo
assim nos causou um prejuízo de mais de três mil reais. O danado, afora os
constrangimentos, foi descobrir em conversas com os vizinhos, que quase todas
as casas da rua já foram ‘visitadas’. O clima de insegurança toma conta do
bairro e nos parece que a tendência é piorar. E o pior, a gente não tem muita
a quem reclamar. Apesar do mar de impostos que pagamos à insegurança pública é
uma realidade. E até quando isso vai continuar assim?
Resolvemos tomar algumas providências. Já que os homens de bem têm que ficar
em casa trancafiados e os ladrões a desfilar nas ruas a olhos vistos.
Decidimos subir o muro (mais uma vez), trocar o portão e colocar cerca
elétrica. Pois a Prefeitura Municipal de João Pessoa colocou uma parada de
ônibus colado ao muro. Os ladrões escalaram a parada de ônibus e pularam pra
dentro da nossa casa. Como a PMJP não perguntou se a parada devia ou não ser
colocada na nossa calçada, ficamos também com mais esse problema. Com
sinceridade eu acho que a PMJP deveria resolver os problemas da cidade e não
ficar criando problemas. Isso é mais uma prova de que as instituições do
Estado por aqui só servem para proteger bandido. Pois, nós os trabalhadores,
ficamos expostos à violência que cresce e nada é feito efetivamente.
Outra coisa que nos chama a atenção é o abandono da cidade. Em um mês, conheci
três casos de pessoas que resolveram deixar João Pessoa e voltar para suas
cidades de origem. A minha vizinha que têm um negócio instalado em sua
residência me disse que vai fechar o negócio no final do mês e voltar para sua
cidade no interior. Não agüenta mais ser assaltada. Quinta feira passada foi
assaltada pela terceira vez, em plena luz do dia. E da última vez não perdeu o
marido (que queria reagir desarmado) por pouco. Se ela não tomasse à frente e
entregasse o dinheiro do apurado (pouco mais de duzentos reais) ela, o filho e
o marido teriam sido alvos dos tiros que os ladrões (de bicicleta) ameaçavam
de revólver em punho. Ela olhou pra mim e desabafou desolada: ‘essa já é a
terceira vez esse mês e eu não vou dar parte à polícia, eles não resolvem
nada’.
Não prestei queixa na polícia também e não vou prestar. Pra quê? Pra passar
mais constrangimentos? Lembro da última vez que fui prestar uma queixa na
delegacia. O soldado de ‘plantão’ olhava pra mim como se eu fosse o bandido da
história. Nós da comunidade estamos percebendo na prática que estamos sozinhos
mesmo. E nós é que temos que resolver essas questões. Vamos nos reunir aqui na
rua e se possível no bairro e começarmos – nós mesmos – a encaminhar essa
questão. O que vamos fazer não sabemos ainda, mas vamos fazer alguma coisa com
certeza. O que não dá é pra ficar à disposição dos bandidos sob o olhar
complacente das autoridades.
Além de queda, coice
A PMJP instalou uma parada de ônibus na calçada da minha casa e nem se deu ao
trabalho de nos consultar. Chegou, furou a calçada – deixou os buracos pra
gente consertar – sapecou a parada de ônibus e foi embora. A parada de ônibus
ficou coladinha no muro. Não deu outra. Assaltantes entraram na nossa casa
exatamente usando a parada de ônibus como escada. Nem precisa dizer que minha
esposa e meus filhos estão com os nervos a flor da pele, pela insegurança que
se instalou por aqui. Como professor do estado, ganhando uma miséria de
salário, agora tenho que reforçar a segurança da nossa casa. Tenho que
aumentar o muro e/ou colocar cerca elétrica para evitar que os ladrões
adentrem na nossa casa pela parada de ônibus que a PMJP colocou colada no muro
sem perguntar nada a ninguém.
Pois bem, arranjei dinheiro emprestado, comprei cimento, tijolos, areia e
contratei um pedreiro. Hoje pela manhã o material chegou e foi colocado na
calçada. Como chove muito em João Pessoa o pedreiro não veio. Não tinha o que
fazer na chuva. Mas mesmo chovendo, juntei os meninos e comecei a colocar o
material pra dentro pra evitar que o material se desperdice. O material chegou
aqui em casa por volta das 8,30 h. Mas às 9.30 h já tinha um fiscal da PMJP
com um talonário na mão, me ameaçando de multa e dizendo que ‘eu tenho apenas
24 horas para retirar todo o material da calçada’. Como ele se dirigiu a mim
sem nem dá um simples bom dia, disse-lhe que o material iria ser retirado
naquele mesmo dia.
Mas não perdi a oportunidade de dizer-lhe que a areia na calçada estava lá
justamente para coibir um abuso da PMJP que terminou por facilitar a entrada
de ladrões na nossa casa. E ele respondeu que isso não era problema dele, pois
ele era apenas 'funcionário' da PMJP. Ai eu aproveitei pra lembrar-lhe que
quando o mato toma conta da rua, se a gente não limpar a PMJP não dá a mínima.
Como não dá a mínima pro PSF quase fechado do Anatólia, sem médico e sem
assistência nenhuma. Como também não resolve a melhoria da Escola MUNICIPAL
Lions Tambaú. Como não vêem os buracos na rua, o afundamento do saneamento
básico, etc. etc. e por ai vai.
O que lamento nisso tudo é a falta de diálogo de como as coisas são feitas por
aqui. Aliás, nós os contribuintes, eleitores e cidadãos, só temos obrigações
para com o Estado e suas instituições. Mas quando é para termos a garantia dos
nossos direitos, o Estado e suas instituições se escondem por trás de uma
burocracia insustentável e nada ou pouco é feito para garantir os nossos
direitos de cidadania. Do jeito que as coisas vão indo esse 'Estado de
Direito' vai nos transformando em marginais. Ou nos forçando a vir a sê-lo. É
preciso que mudanças sejam feitas o quanto antes. Para que não tenhamos mais
que ficar expostos a tudo isso.
