Essa semana visitei um amigo a quem preso muito. Podemos conversar amenamente sobre as transformações de João Pessoa nos últimos trinta anos. Ele um inconformado de como essa cidade é maltratada pelo poder público. Os descasos, a falta de atitudes e uma série de coisas que ele demonstrou com sapiência e maturidade. Foi dele a idéia que gerou esse artigo. Ele diz com todas as palavras: ‘se o Governo da Paraíba quisesse dá sua contribuição para a revitalização do Centro Histórico bastaria colocar a UEPB no Conventinho da Igreja que existe na Praça Antenor Navarro. Bastava falar com Dom Aldo Pagotto e acertar um aluguel daquele prédio hoje subutilizado’.
O danado é que meu amigo tem toda razão. Pois o que vimos até agora em João Pessoa, em questão de revitalização, não passou de pintura de fachada de casas para enganar turista e a população. Revitalização é outra coisa. É trazer vida para um local onde a vida se ausentou. E a vida da cidade é feita com pessoas, por pessoas no seu dia a dia, no seu ir e vir. Acerta a PMJP quando vai construir apartamentos populares nas áreas degradadas do Centro Histórico. Sem gente pra consumir, nada volta à vida. É precisa que exista gente circulando e consumindo no Centro Histórico de João Pessoa.
O exemplo dado pelo meu amigo – que me pediu anonimato – deveria ser seguido por outras entidades e instituições. Se se quer realmente revitalizar o Centro Histórico de João Pessoa é preciso investir com seriedade naquele espaço que é somente o terceiro Centro Histórico mais antigo do Brasil. É pouco ou você quer mais? Eu quero mais. Eu quero que aquele Centro Histórico seja reativado com uma perspectiva – como todo centro histórico em todo mundo – com o viés cultural. A educação para o conhecimento do que fomos, do que somos e do que seremos, passa necessariamente em reconhecermos a nossa cultura. E isso não é uma tarefa fácil. Mas fica mais fácil quando os governos (municipal, estadual e federal) assumem de fato suas obrigações. Fazer do Centro Histórico de João Pessoa nosso cartão de cidadania cultural é uma obrigação colocada a nossa geração. Ou as gerações aqui presentes.
Daí que o Governo do Estado da Paraíba não pode se negar a investir nesse desenvolvimento com gosto de volta ao passado no presente. Daí que a idéia do meu amigo anônimo – como ele mesmo quer ser – de levar a UEPB para o Centro Histórico tem tudo a ver com tudo. Precisamos dar passos na direção do novo, do velho revitalizado. Foi assim em todos os cantos onde se processou projetos de revitalização de Centros Históricos. E aqui vai um elogio público ao Governo da Espanha, que compreendeu de há muito que se os Centros Históricos construídos por sua influência ruírem, ruirá a sua história. A Espanha não recupera os Centros Históricos construídos sob sua influência simplesmente porque ele é bonzinho, o faz, pelo simples fato de que ou faz ou desaparece da cena histórica.
Daí a importância de dar a atenção devida ao meu amigo anônimo. Mas consciente da sua responsabilidade como filho da terra e cidadão preocupado com um melhor destino pra todos nós. Que bom que aparecessem mais amigos e cidadãos preocupados com o futuro de todos nós. Aqui faço apenas minha parte, de comunicar o comunicado feito. As decisões deverão caber as autoridades competentes. Pois falar sempre é fácil. O difícil é concretizar as coisas. E hoje, com muita sinceridade, estou interessado em concretizar as coisas. Sejam elas pessoais ou públicas.
