De uma hora para outra os jornais da cidade, portais de internet, grupos de
discussão e as rodas de papos culturais não se fala em outra coisa: o Teatro
Ednaldo do Egito vai fechar suas portas depois de mais de dez anos de
funcionamento. O interessante da discussão é que esse problema se arrasta há
anos e só agora, depois que seu filho resolveu admitir o que para muitos era
só uma questão tempo. Mil idéias, mil cobranças, principalmente ao setor
publico, para salvar o teatro. E é bom que se destaque que é uma iniciativa
privada. Por mais que passemos os dias elogiando a tenacidade e o sonho de
Ednaldo do Egito, esse detalhe privado mela a operação direta de salvar o
Teatro com o dinheiro que é público. Como se sabe a legislação não permite que
o público invista no privado. Em tese, pois estamos no Brasil.
Desde já, gostaria de deixar claro que sou a favor de um esforço coletivo para
achar uma solução para o não fechamento do Teatro da Praia, como é mais
conhecido. E a título de contribuição com a discussão gostaria de sugerir
algumas alternativas possíveis, desde que se queira. Como todos sabem aqui eu
tenho defendido muito o espírito do aforismo árabe que diz: quando se quer
fazer as coisas arranja-se um jeito, quando não se quer arranja-se uma
desculpa. Como ninguém me pediu nenhuma contribuição, vou dar o meu pitaco
também. A título de ajuda para o debate e o encontro de soluções.
Sugiro que a PMJP – que se comprometeu durante a campanha e junto ao movimento
cultural – de construir um teatro municipal e pelo andar da carruagem ele não
vai sair da carta de intenção (pelo menos nesse mandato - risos), por que não
a PMJP em regime de comodato assumir o Teatro? Barateando as entradas e
oferecendo produtos culturais aos contribuintes? Afinal a PMJP quer tanto
dinheiro pra quê? Pra comprar vereadores? Essa poderia ser uma das saídas.
Outra que vejo e cobro publicamente é o papel social do Manaira Shopping.
Alguém aqui sabe de algum projeto desenvolvido socialmente pelo Manaira
Shopping? Nem o Bairro de São José – antiga favela Beira Rio – de onde o
Manaira Shopping tomou várias áreas e até do próprio Rio Jaguaribe não faz
absolutamente nada para ajudar aquela comunidade e muito menos o Rio que ela
degradou. Tai uma oportunidade rara para o Manaira Shopping começar a resgatar
suas promissórias vencidas com a comunidade onde ele foi instalado. Por que o
Manaira Shopping não adota o Teatro Ednaldo do Egito?
Poderíamos ainda a curtíssimo prazo, desenvolver com o movimento cultural
organizado, esse que tem um produto pronto, colocá-lo a disposição do Teatro
Ednaldo do Egito numa programação onde o que fosse arrecadado poderia ser
destina ao pagamento das dívidas. Isso seria uma ação no imediato. Agora, já.
Basta relacionar as peças que estão montadas, os shows musicais, bandas ou
qualquer forma de atuação cultural que dê bilheteria e começarmos uma campanha
de arrecadação de recursos e de público para aquela casa de espetáculo. O
movimento cultural pode e deve fazer alguma coisa já. Imediatamente.
O Governo do Estado, através da Subsecretaria de Cultura poderia desenvolver,
de comum acordo com a direção do Teatro, uma ação junto à iniciativa privada -
pode ser até através das leis de incentivo - o carreamento de recursos para
ajudar o teatro a se manter, com oficinas e apresentações para as escolas
públicas. Mas isso demanda reuniões e uma ação em médio prazo. E será que o
Teatro estaria aberto até tudo isso acontecer? Não sabemos. Infelizmente
perdemos a bola de cristal. Mas o que sabemos é que algo tem que ser feito.
Urgentemente.
Estou disposto a colaborar com tudo isso. Mas o Teatro Ednaldo do Egito
precisa continuar funcionando e de forma mais ampla. De onde Ednaldo do Egito
estiver nos vendo, deve estar comentando com Nautília e Paulo Pontes: ‘mas
será possível, que mesmo aqui eu ainda tenho que correr atrás dessa
burocracia, assim não dá, assim não pode ser’. A melhor forma de reverenciar o
grande Ednaldo do Egito é perpetuar o seu sonho. E o seu sonho, seu esforço,
sua grandeza, sua perseverança foi o legado que ele deixou: sua história, seu
amor ao teatro e o Teatro da Praia. Posteriormente batizado de Teatro Ednaldo
do Egito. Tenho dito.
