PUBLICIDADE

Fale conosco
Quem somos
Comunidade PortalBip
João Pessoa - PB -

O estilo do mar

portalbip.com (Fernando Patriota) - 09/01/2008

Lendo, esta semana, algumas publicações sobre os gêneros da cantoria de viola, percebi quanto os poetas populares se adaptaram ao belo e curioso Galope a Beira Mar. Considerada uma estrofe relativamente difícil de compor, sobretudo, em improviso, o galope, ao lado do Martelo, recebeu a denominação de décima de versos cumpridos. Só que no caso do galope os poetas populares o utilizam quando a peleja resgata temas praieiros. Seus versos devem ser bem colocados em uma grade de dez linhas, cada uma delas com onze sílabas e um estribilho que sempre termina com a palavra mar.

De acordo com o livro Antologia Ilustrada dos Cantadores, página 51, o Galope a Beira Mar é uma criação do violeiro José Pretinho, natural do município de Morada Nova/CE. Diz a história que, após José Pretinho ter perdido um duelo em martelo do seu colega Manoel Vieira Machado, chegou a capital do Ceará e na famosa praia de Iracema, observando o movimento das águas do mar, percebeu que as ondas parecem com o galope dos cavalos tão marcante nas fazendas do interior nordestino, onde José Pretinho por muito tempo foi vaqueiro de coronel. Depois que criou o estilo, procurou de imediato seu algoz e devolveu a surra em um bonito desafio no mais categórico galope.

Mergulhão de Sousa, contudo, foi o cantador responsável por difundir o gênero em todo o Nordeste e outros estados brasileiros. Mas, Dimas Batista, o irmão do meio da trindade dos Batista, foi um dos poetas populares que mais se identificou com o Galope a Beira Mar e que mais criou estrofes de peso histórico dentro do estilo. De improviso, como era de costume fazer os grandes repentistas, Dimas Batista, entre tantas outras pérolas da cantoria, lança esta estrofe em galope que está imortalizada em diversos livros especializados:
 


Eu cantando a galope ninguém me humilha

Tudo que existe no mar eu aproveito

Na ilha, no cabo, península, estreito,

Estreito, península, no cabo, na ilha,

Em navio, em proa, em bússola em milha,

Medindo a distância para viajar,

Não quero da rota jamais me afastar

Porque me afastando o destino sai torto;

Confio em Deus avistar o meu porto

Cantando galope na beira do mar

Fernando Patriota
  • Jornalista profissional formado pela UFPB, assessor de imprensa do Tribunal de Justiça da Paraíba e repórter do Jornal A União. É pesquisador sobre a cultura popular nordestina e desenvolve projetos nesta área.
  •  
  • Contato com o colunista
  •  
Colunas Anteriores

Primeira Página | Índice de Notícias | Fale Conosco | Quem Somos | Comunidade Portalbip

Copyright © portalbip.com - 2004 - Todos os direitos reservados  - Fone da Redação (83) 8868-1617 - Design Pedro Andrade