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Celulares em hospitais

portalbip.com (Fernando Vasconcelos) 28/08/2008

O uso do aparelho celular, além de necessário, é importante até para o salvamento de vidas. Mas, a partir do uso abusivo desses equipamentos, uma pergunta está no ar? Até onde se deve permitir o uso de aparelhos celulares em hospitais e clínicas?

Uma pesquisa muito importante sobre o assunto está em andamento na Universidade e me foram passados alguns dados. Tento reproduzi-los. A única regra que continua valendo para o celular é que deixar o aparelho ligado em locais como cinemas ou igrejas é falta de bom senso e de educação. Todo o resto pode mudar. Nos aviões, onde as pessoas são obrigadas a mantê-lo desligado, a indústria norte-americana tenta provar que pode ser seguro falar normalmente. Na contramão dessa tendência, uma pesquisadora brasileira prova que o telefone celular causa graves interferências em equipamentos médicos, o que poderia levar à restrição do seu uso em hospitais.

Há muitas perguntas de estudiosos e de curiosos sobre a possível interferência do celular em equipamentos eletrônicos, médicos ou odontológicos. Depois de estudar telefonia celular e pesquisar as normas de compatibilidade eletromagnética aplicadas a equipamentos médicos, alguns estudiosos mediram o campo elétrico produzido pelo celular e compararam com o dos equipamentos médicos, tendo sido constatada em cada equipamento a presença alterações diferentes.

As pesquisas até o presente realizadas revelam que telefones celulares podem causar alterações nos aparelhos usados em hospitais. O problema maior é que acompanhante, médicos, enfermeiros e até pacientes levam seus celulares a clínicas e hospitais e até aos centros cirúrgicos. Já se detectou o uso do aparelho celular até em CTIs ou em ambientes onde os pacientes estejam sendo monitorados.

O ambiente hospitalar é dotado de um sem número de equipamentos eletro-eletrônicos, sendo propício ao aparecimento de fenômenos de EMI. Este problema vem se agravando em função do número crescente de equipamentos presentes no ambiente hospitalar: equipamentos de apoio às atividades médicas, equipamentos ligados à infra-estrutura hospitalar, equipamentos portáteis trazidos ao ambiente hospitalar pelos profissionais, pacientes e visitantes, como é o caso da telefonia móvel.

O número de telefones celulares vem aumentando dramaticamente no Brasil, em especial nas áreas de maior concentração urbana. Este meio de comunicação está fazendo parte do cotidiano de milhares de pessoas, pela comodidade oferecida e pelos problemas nas comunicações fixas convencionais. Nos hospitais, pacientes, visitantes, empregados e médicos utilizam-no rotineiramente para facilitar comunicações normais e de emergência. Até aí tudo bem. O problema é o local e a hora do uso, pois o impacto produzido pelo telefone celular pode ser observado, tanto na reação das pessoas, como na resposta dos equipamentos em uso. Enquanto a incompatibilidade entre tecnologias oferecer risco aos pacientes, é essencial que as instituições de saúde estabeleçam programas visando à orientação dos usuários dos telefones celulares sobre o risco potencial que os mesmos possuem de produzir interferência nos equipamentos eletromédicos e até na atuação dos profissionais. A presença do telefone celular em um ambiente não determina, necessariamente, o aparecimento de interferência nos equipamentos presentes, mas aumenta a probabilidade de sua ocorrência. E, também, o aumento dos riscos por falha humana (negligência).

Fernando Vasconcelos
  • Escritor, promotor de Justiça aposentado, mestre e doutor em Direito Civil pela UFPE. É professor da UFPB e do UNIPÊ
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