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O navio e a música

portalbip.com (Fernando Vasconcelos)  07/03/2010
Há alguns anos fiz uma crônica, neste mesmo espaço, dizendo que não imaginava que numa simples viagem de navio entre Recife e Fernando de Noronha, passando por Natal, tivesse a oportunidade de ouvir, curtir e saborear tanta música e dança de qualidade. Isso aconteceu nos tempos do saudoso navio Funchal, hoje desativado.

Agora em Janeiro tive outra oportunidade excelente: realizar um cruzeiro, partindo de Santos e passando por Punta Del Este, Buenos Aires e Montevidéu. Não eram as cidades que atraíam a mim e à minha esposa: era o próprio navio, da companhia MSC, denominado “MÚSICA”. A própria denominação do colosso marítimo já me motivava. Imaginei: se no Funchal, que era pequenino em relação aos gigantes de hoje, havia tanta música, deve transbordar num navio com capacidade para três mil passageiros e mil tripulantes.

E foi exatamente isso o que aconteceu. O navio da MSC, que, além do “Música” tem outros nove (orquestra, Ópera, Melody, etc) é seguro, luxuoso, aconchegante. Tripulação na sua grande maioria estrangeira (33% de brasileiros), oferece serviço de primeira qualidade, destacando-se o clima ameno e a alimentação primorosa. Não faltaram o bom vinho italiano, as massas e até o sushi japonês.

Músicas nacionais e estrangeiras da melhor qualidade, além de dançarinos profissionais, iniciaram o entrosamento de passageiros desconhecidos entre si, desconfiados e ressabiados. Um teatro para quase duas mil pessoas, com shows todas as noites (foram sete ao todo) aproximava os passageiros dos profissionais.

Na primeira noite um show de tango, na segunda um de música italiana, outro de magia, etc. Vários Bares, conjuntos musicais e orquestras davam o tom melódico para animar as pessoas. O “Delícia Quartet” só executava músicas clássicas, , o Trio Timoneiros músicas brasileiras, Djalma e Diego Latino, no “Blue Velvet Piano Bar” tocavam à escolha dos clientes, Los Lelitos executavam música italiana. Havia ainda, as Bandas Johnny Brazilian Band e fomos apresentados à culinária portuguesa no restaurante Lisboa e, em seguida, começou o passeio pelo mundo da música. Polito´s Italian Band à disposição dos que gostam de dançar.

Sete bares com música ao vivo e um, o “L`Enoteca Wine Bar”, especializado em vinhos dos mais diversos países. Mas a parte física não fica relevada: uma possante Academia, um SPA e área para Cooper. Havia uma equipe de recreação, incansável, para animar a meninada. Presumo que havia cerca de duzentas crianças no navio. A tranqüilidade passada aos pais revelava o tom de despreocupação de todos.

O lanche da tarde no tombadilho era imperdível, principalmente para se apreciar, na seqüência, o pôr do sol. Sempre na companhia inseparável da boa música. Mas o mar, sempre calmo e bonito (os balanços eram quase imperceptíveis) trabalhou contra nós na chega a Punta Del Este. Estava previsto um tour pela cidade, famosa por seu turismo agitado, mas fortes ventos não permitiram que as lanchas nos levassem até o cais da cidade uruguaia. Contentamo-nos em filmar e fotografar.

Uma viagem de navio, hoje, está acessível ao assalariado comum. Não é coisa do outro mundo. E, pelo menos, no MSC Música, o balanço do colosso era quase imperceptível e adequado ao ritmo da música, sempre presente em todas as dependências do navio.
Fernando Vasconcelos
  • Escritor, promotor de Justiça aposentado, mestre e doutor em Direito Civil pela UFPE. É professor da UFPB e do UNIPÊ
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