O uso do aparelho celular, além de necessário, é
importante até para o salvamento de vidas. Mas, a partir do uso abusivo
desses equipamentos, uma pergunta está no ar? Até onde se deve permitir o
uso de aparelhos celulares em hospitais e clínicas?
Uma pesquisa muito importante sobre o assunto está em andamento na
Universidade e me foram passados alguns dados. Tento reproduzi-los. A
única regra que continua valendo para o celular é que deixar o aparelho
ligado em locais como cinemas ou igrejas é falta de bom senso e de
educação. Todo o resto pode mudar. Nos aviões, onde as pessoas são
obrigadas a mantê-lo desligado, a indústria norte-americana tenta provar
que pode ser seguro falar normalmente. Na contramão dessa tendência, uma
pesquisadora brasileira prova que o telefone celular causa graves
interferências em equipamentos médicos, o que poderia levar à restrição do
seu uso em hospitais.
Há muitas perguntas de estudiosos e de curiosos sobre a possível
interferência do celular em equipamentos eletrônicos, médicos ou
odontológicos. Depois de estudar telefonia celular e pesquisar as normas
de compatibilidade eletromagnética aplicadas a equipamentos médicos,
alguns estudiosos mediram o campo elétrico produzido pelo celular e
compararam com o dos equipamentos médicos, tendo sido constatada em cada
equipamento a presença alterações diferentes.
As pesquisas até o presente realizadas revelam que telefones celulares
podem causar alterações nos aparelhos usados em hospitais. O problema
maior é que acompanhante, médicos, enfermeiros e até pacientes levam seus
celulares a clínicas e hospitais e até aos centros cirúrgicos. Já se
detectou o uso do aparelho celular até em CTIs ou em ambientes onde os
pacientes estejam sendo monitorados.
O ambiente hospitalar é dotado de um sem número de equipamentos
eletro-eletrônicos, sendo propício ao aparecimento de fenômenos de EMI.
Este problema vem se agravando em função do número crescente de
equipamentos presentes no ambiente hospitalar: equipamentos de apoio às
atividades médicas, equipamentos ligados à infra-estrutura hospitalar,
equipamentos portáteis trazidos ao ambiente hospitalar pelos
profissionais, pacientes e visitantes, como é o caso da telefonia móvel.
O número de telefones celulares vem aumentando dramaticamente no Brasil,
em especial nas áreas de maior concentração urbana. Este meio de
comunicação está fazendo parte do cotidiano de milhares de pessoas, pela
comodidade oferecida e pelos problemas nas comunicações fixas
convencionais. Nos hospitais, pacientes, visitantes, empregados e médicos
utilizam-no rotineiramente para facilitar comunicações normais e de
emergência. Até aí tudo bem. O problema é o local e a hora do uso, pois o
impacto produzido pelo telefone celular pode ser observado, tanto na
reação das pessoas, como na resposta dos equipamentos em uso. Enquanto a
incompatibilidade entre tecnologias oferecer risco aos pacientes, é
essencial que as instituições de saúde estabeleçam programas visando à
orientação dos usuários dos telefones celulares sobre o risco potencial
que os mesmos possuem de produzir interferência nos equipamentos
eletromédicos e até na atuação dos profissionais. A presença do telefone
celular em um ambiente não determina, necessariamente, o aparecimento de
interferência nos equipamentos presentes, mas aumenta a probabilidade de
sua ocorrência. E, também, o aumento dos riscos por falha humana
(negligência).
