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(Fernando Vasconcelos) 21/07/2010
Muitos reclamos têm aflorado na Imprensa e,
principalmente, na Internet, sobre as comunidades postadas no Orkut, a
maioria das quais destilam ódio, rancor, incitam ao crime.
Professor há trinta e oito anos e aficionado da Rede, nunca tive
o cuidado de avaliar se o professor era querido ou odiado nas
páginas do Orkut e fiquei preocupado com uma reportagem
publicada na Folha de São Paulo sobre o assunto.
Diz a matéria: “Professor vira alvo de chacota e ofensa de
aluno na internet - Por causa de uma nota baixa ou por pura
implicância, estudante usa site para humilhar o mestre em
público”. Em uma pesquisa realizada no Orkut com "odeio" e
"professor", com certeza surgirão mais de mil grupos de
discussão.
A lista terá comunidades aparentemente inofensivas (como "Odeio
a voz do meu professor"), mas também incluirá outras
raivosas e com nome da vítima (como "Odeio a professora Etiene").
Aqui em João Pessoa, alunas de um colégio religioso
criaram uma comunidade há alguns anos denominada
“Nós odiamos fulana”. A menina, de treze anos,
pirou! No caso da professora acima citada, a comunidade havia sido
criada por um grupinho de alunas de 13 anos após serem
repreendidas numa aula. Ao lado de uma foto de Etiene riscada com um
xis, as meninas escreviam com deboche sobre o corpo, o cabelo e
até as roupas dela.
Alunos e professores, no início, eram vítimas do
"bullying". No ambiente escolar, o "bullying" sempre foi associado
àquele aluno valentão infernizando a vida do colega mais
fraco. A novidade é que ele agora ataca o professor. E pela
internet.
Estudo do Sinpro (sindicato de mestres) do Rio Grande do Sul mostra
que, a cada quatro professores gaúchos, um já sofreu
agressão na internet. Os motivos: o aluno tirou nota baixa,
incomodou-se com um trejeito do professor ou simplesmente não
foi com a cara dele.
Nas minhas aulas e palestras já citei casos de professores que
requereram indenização no Judiciário por
agressões de alunos em sala de aula. Mas, agora, a coisa fica
mais difícil, com ataques n0omionados ou anônimos na Rede
Internet.
O delegado Pedro Marques, da Delegacia contra Crimes
Cibernéticos de Minas Gerais, minimiza:
- Alguns alunos acham que não passa de brincadeira. Outros
crêem que estão anônimos na internet.
Mas, não é brincadeira. Calúnia,
difamação e injúria são crimes. Quando o
autor é maior de idade, pode ser condenado à
prisão. Quando menor, ser advertido ou, em caso grave, internado
em entidade sócio-educativa. Em 2008, os pais de um grupo de
alunos de um colégio particular de Rondônia foram
sentenciados a pagar R$ 15 mil por danos morais a um professor de
matemática vítima de chacota no Orkut.
O "bullying", que a princípio funcionava nas escolas de primeiro
e segundo grau, também está no ensino superior. Uma
professora de jornalismo numa faculdade daqui de João Pessoa foi
alvo dos desabafos de um estudante de 24 anos no Orkut. Ele a chamava
de velha e dissimulada. Apareceu gente escrevendo que a mestra era uma
oferenda que deveria voltar para o mar.
Via de regra, as pessoas ficam perturbadas. Aquela figura do mestre, um
profissional que merece respeito, não existe mais. O pior
é que a escola vê o aluno como cliente. Não quer
perdê-lo e, por isso, muitos professores preferem calar-se diante
dos ataques psicológicos cometidos pelos alunos. Vamos dar um
basta nessa situação!