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(Fernando Vasconcelos) 13/07/2010
No Brasil, pela lei civil, os donos de animais
respondem, independentemente de culpa, pelos danos praticados por estes
últimos. Logo, a conclusão lógica seria no sentido
de que nenhum dano decorrente de ato ou fato de animal deveria ficar
impune. Mas, dificilmente, na prática, tal assertiva pode ser
considerada verdadeira.
Quantos já perderam a vida em acidentes provocados por animais?
Quantos não foram mutilados por mordidas de cães,
envenenamentos, agressões de todos os tipos? E quantos se sentem
incomodados com fezes e xixi de cães e gatos espalhados por
ruas, avenidas e parques, prejudicando caminhantes e passantes e
exalando alto fedor?
Não é no Brasil, mas algo inusitado está
acontecendo nesse campo. Moradores de um condomínio de luxo na
região de Inner Harbor, em Baltimore, no Estado de Maryland,
EUA, propuseram à prefeitura local a realização de
testes de DNA nos cães para punir os proprietários que
não retiram as fezes dos seus animais de estimação
no pátio interno do prédio e nas calçadas das ruas
da cidade.
A proposta está sendo analisada pelo conselho de moradores.
Segundo o prefeito, "se a idéia for aprovada, um
laboratório será contratado para detectar a
procedência dos dejetos". A proposição sugere que
os proprietários que forem identificados como donos dos
cães cujas fezes foram deixadas nesses locais, terão que
pagar uma multa de US$ 500 (cerca de R$ 917).
Mas, mesmo em Baltimore, a idéia não agrada a todos.
Alguns acham “absolutamente ridículo",outros que é
demagogia política. Mas há moradores que endossam a
idéia:
- Nós pagamos todo esse dinheiro e ainda vivemos pisando em
fezes de cachorro. Trazemos convidados aqui e assim eles são
recebidos - afirmou um americano, morador da localidade.
Disse outro:
- Algumas pessoas acham que é engraçado. Mas esta
proposta parece ser uma maneira razoável e objetiva de dizer:
“este é o cocô de seu cachorro, você é
responsável”.
Segundo os proprietários favoráveis à proposta, o
problema precisa de uma solução urgente, pois chegou a um
ponto que excrementos de cão já foram encontrados
até dentro do elevador.
Saindo de Baltimore para o Brasil e, mais precisamente, para a nossa
querida João Pessoa, o que se vê, salvo raras
exceções, é a proliferação de
cães e até cavalos, nas ruas, praças e até
na praia, sem o mínimo cuidado higiênico por parte dos
seus proprietários.
Outro dia, caminhando na praia de Manaira, vi quando uma senhora,
de próximos setenta anos, de sacola plástica na
mão, apanhou o cocô do seu cachorrinho e jogou no lixo.
Dirigi-me para lhe dar os parabéns, mas fui surpreendido com um
forte sotaque italiano. Não era daqui.
Quem sabe se algum político moderno toma a iniciativa de
ap0resentar um projeto desses por aqui? E nada melhor do
que as fezes, seja de bicho, seja de gente, para determinar as
referências que só o DNA pode mostrar. Só
assim se poderia, com maior facilidade, determinar a responsabilidade
dos donos de animais, ferozes ou fazedores de cocô (na praia, na
calçadinha, nas praças).