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João Pessoa / PB -

Comeu, morreu!

portalbip.com (Fernando Vasconcelos)  10/05/2010
É muito comum a brincadeira relativa a lanches oferecidos ao ar livre, como espetinhos, churrasquinhos, sanduíches ou saladas de frutas, quando algum gozador ataca: “comeu, morreu!”. Com a frase se quer dizer que, talvez devido à falta de higiene ou cuidados mínimos, aquele tipo de alimentação pode causar transtornos orgânicos sérios.

Fala-se muito, também, no mau gosto do brasileiro que se alimenta na rua. São coxinhas de frango borbulhantes no óleo, batatas fritas gordurosas ao extremo, ou o famoso “filé miau” (o churrasco de carne de gato). O fato é que, apesar dos alertas de nutricionistas e da Imprensa em geral, não tomamos muito cuidado com a alimentação nossa de cada dia.

Mas, nos EUA, a coisa é muito mais feia. A obesidade mórbida campeia a passos largos, crianças obesas e disformes estão nas páginas dos jornais, das revistas e na TV. E, recentemente, descobriu-se que uma lanchonete temática dos Estados Unidos está usando um cardápio insalubre rico em gordura e calorias e garçonetes "enfermeiras" como forma de atrair fregueses.

No Heart Attack Grill ("Grill do Ataque Cardíaco", em tradução livre), na cidade de Chandler, no Estado do Arizona, a decoração lembra um hospital, as garçonetes se vestem como sensuais enfermeiras e os clientes são chamados de "pacientes". O item mais solicitado do cardápio é o Quadruple Bypass Burger ("Hambúrguer da Ponte de Safena Quádrupla", em tradução livre), uma iguaria de cerca de oito mil calorias. Mas também é possível escolher outras variedades de sanduíche, batatas fritas em banha de porco, refrigerantes, bebidas alcoólicas e até cigarros sem filtro.

Inaugurada em 2005 por um homem que se apresenta como Dr. Jon e se diz médico - não reconhecido pela Associação Americana de Medicina - a lanchonete passou a ser alvo de críticas por parte de associações de enfermagem, que reclamaram da "degradação" da imagem das enfermeiras. O local foi ameaçado de ser fechado pela Promotoria-Geral do Estado Arizona, que requereu a abertura de um inquérito policial e a requisição de provas pela via judicial, para aferição dos riscos à saúde pública.

Depois de muita celeuma, Governo, entidades profissionais e a administração da lanchonete chegaram finalmente a um acordo, pelo qual o saite do restaurante foi obrigado a colocar uma mensagem dizendo que "o uso da palavra enfermeira tem apenas a intenção de ser uma paródia". A página do Heart Attack Grill destaca que "nenhuma das mulheres fotografadas em nosso saite têm formação médica, nem tentam oferecer serviços médicos". E acrescenta: "se você tiver uma emergência médica, ligue para o serviço de emergências americano, pelo n.º 911".

Ao ler sobre isso, fico matutando sobre os nossos tão endeusados “restaurantes típicos”. Os rubacões, as favas, as feijoadas, o mocotó, a cabeça de galo (ai que saudades dos tempos de estudante), as picanhas e os pirões de caranguejo não deveriam estar submetidos aos Órgãos que zelam pela saúde pública? Por via das dúvidas, não seria bom que esses restaurantes e lanchonetes oferecessem, também, Sonrisal e Estomazil?

E relembro, agora, de uma moça que vendia empadinhas nas praias de Poço e Formosa, com o seguinte slogan publicitário:

- Olha a empadinha da Nena: tem diet, light e engordiet!
Fernando Vasconcelos
  • Escritor, promotor de Justiça aposentado, mestre e doutor em Direito Civil pela UFPE. É professor da UFPB e do UNIPÊ
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