Há
nomes que impulsionam carreiras políticas, artísticas, futebolísticas.
Mas, o maior problema parece ser o daquelas pessoas que mudam de sexo
ou aquelas que tentam “ser de outro sexo”. Porém, até nesse aspecto, o
problema está suscitando a apreciação dos nossos tribunais sobre o
assunto.
Num caso possivelmente ainda sem precedentes na Justiça brasileira, o
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul autorizou um travesti a
alterar o seu registro civil, passando a usar um nome feminino e, com
isso, abandonando o nome masculino com o qual fora registrado em seus
primeiros dias de vida. Registre-se que tal ocorreu mesmo sem o
interessado submeter-se a cirurgia de alteração de sexo.
"É pelo nome que o indivíduo se identifica e são as ações, modo de
vida e a condição pessoal de cada um que determinam sua verdadeira
identidade" - justifica o relator, desembargador Rui Portanova, que
balizou o entendimento da 8.ª Câmara Cível do TJ gaúcho, que improveu
apelação interposta pelo Ministério Público. O julgado confirmou
sentença de primeiro grau.
O relator admitiu que o tema é controvertido: "a possibilidade de
alterar o nome de uma pessoa que vive identidade diferente de seu sexo
biológico". A 8ª Câmara admitiu como jurídica a tese da petição
inicial: "o nome masculino do autor não retrata sua identidade social,
que é feminina, e todos a conhecem pelo nome de mulher".
As petições relatam "o constrangimento em toda a ocasião que tem que
revelar seu nome de registro" Os desembargadores enfatizaram a
importância de olhar “não para os critérios diferenciadores, mas para
aqueles que igualam todos e permitem o pleno exercício da sua condição
de pessoa humana.” Para o relator, "a insatisfação com um nome em
descompasso com a identidade impede a pessoa de viver com dignidade e
alimenta um sentimento de total inadaptação".
Em um outro caso recente, também em Porto Alegre, uma moça loira,
robusta, maquiada, collant e sapatos vermelhos, calça fusô
verde-elétrico, fazia uma tranqüila segunda-feira de compras no
shopping porto-alegrense. Escolheu lindas peças em várias lojas,
pontualmente pagando em dinheiro. Fez uma pausa para o café e, em
seguida - mortal como é - tomou a escada rolante e se dirigiu ao
sanitário mais próximo, para fazer xixi.
Atento, um dos seguranças alertou o colega de trabalho:
- Acho que essa pinta é de homem, daqueles travestis que fazem
programas à noite!...
Pelo sim, ou pelo não, os dois robustos seguranças seguiram a
consumidora à distância, mas - ágeis - trataram de evitar a incursão
dela no toalete feminino. O diálogo não durou mais do que alguns
segundos:
- Identidade, por favor. Seu nome, idade, profissão e endereço.
- Odete!
- Mas vejo aqui no RG que seu nome é outro e que seu sexo é masculino.
- Ich, autoridade, não exagera! Sou homem por obra da criação, mas
mulher por opção. Meu nome é João, mas o senhor, se quiser, pode me
chamar de Odete...

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