portalbip.com (Fernando Vasconcelos) 19/04/2010
Acerca dos recentes acontecimentos envolvendo padres e bispos da
Igreja Católica e casos de pedofilia e abusos sexuais só temos a
lamentar a dizer que o assunto não é novo. Há muitos anos e décadas
que a sociedade mundial e brasileira assistem a “esse filme”. Ninguém
pode ficar indiferente com os freqüentes casos de abusos sexuais e
pedofilia praticados, na maioria das vezes, por padres da Igreja
Católica. Casos graves de abusos sexuais contra crianças e
adolescentes por sacerdotes católicos foram reportados em grande
número nos EUA, na Irlanda e agora na Alemanha. Isso representa um
imenso problema de imagem para a Igreja Católica e coloca em destaque
a profunda crise que ela enfrenta. E o que dizem os dirigentes da
Igreja de Cristo?
Agora, inovaram: o papa pede desculpas, alguns bispos idem, alguns
padres são punidos. É hora de se perguntar: há algum sentido no
comportamento desgastante da Igreja Católica? Por que não se promove
um debate mundial sobre a conveniência do celibato? Será que as outras
religiões e igrejas, que têm pastores e missionários casados
(portanto, com direito a ter um parceiro sexual) estão fora dos planos
traçados por Deus? Quantos ex-padres extremamente preparados não
perdeu a Igreja Católica com essa imposição do celibato?
Padres, seminaristas, freiras e outras pessoas com funções religiosas
não podem ficar trancadas num convento, sem contato físico com outras
pessoas, sob pena de forte impacto psicológico, causador de inúmeros
transtornos na sua vida normal. Querer que as pessoas pratiquem e
transmitam a palavra de Deus, os ensinamentos tão profundos de Jesus
Cristo, violentando algo que foi criado pelo próprio Deus e
sacramentado por seu filho Jesus, o próprio corpo, é querer demais.
Hoje não dá mais para se manter pessoas jovens enclausuradas, meninos
e meninas praticamente isolados para evitar contatos físicos, quando a
TV e outros meios de comunicação penetram nos mais recônditos
cantinhos de nossos lares, com cenas de sexo explícito e toda ordem de
aberrações sexuais. Isso só faz aumentar a carga de traumas, de
desvios psicológicos, ocasionando esses abusos sexuais que estão se
verificando em demasia.
Sempre se soube que havia esses contatos sexuais em seminários,
conventos, igrejas, casas paroquiais. Mas nunca com a intensidade com
que estão aflorando na atualidade. Revistas e jornais tem abordado o
assunto e as estatísticas mostram que a coisa é muito pior do que
aparenta, com padres vivendo em regime de concubinato, religiosos
tendo amantes, até bispos envolvidos em casos de pedofilia e abusos
sexuais contra crianças.
Quantos de nós não conhecemos pessoas de bom caráter, preparados
intelectualmente, e que poderiam dar um contributo valioso à causa da
Igreja? Um pai, ou uma mãe, pelo fato de morarem juntos, de terem
contatos sexuais, só por isso são pervertidos? Ou perversões maiores
são aquelas que se praticam nos recônditos corredores e claustros de
conventos e sacristias?
Qual seria a melhor solução para o problema de recrutamento de futuros
padres? Bem simples: abolir a regra do celibato, que é a raiz de todos
esses males, e permitir a ordenação de mulheres. Os bispos e o papa
sabem disso, mas não têm a coragem de admiti-lo em público.