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João Pessoa - PB -

Fátima Lopes

portalbip.com (Fernando Vasconcelos) 02/02/2010
Está mais do que provado que ninguém se conforma com a morte, apesar de estarmos todos cientes dela. Seja a morte de uma pessoa idosa, de um doente terminal, parece que a humanidade nunca foi preparada para esse tipo de evento. Observa-se, apenas, que, dentre os espíritas, parece que há uma preparação, um conformismo com a possibilidade de se passar para a outra vida e continuar presente nesta, mesmo em espírito.

Mas a morte que provoca revolta, inconformismo, protesto é a morte violenta (tipo acidente de trânsito), como a de Fátima Lopes, ocorrida no último domingo. A atitude irresponsável de um condutor embriagado destruiu os sonhos de uma família, afetou a sociedade paraibana, deixou tristes os integrantes da Defensoria Pública do Estado da Paraíba.

Não se sabe dos planos do Poder Superior para Fátima, mas temos certeza de que lá, onde estiver, fará aflorar sua alegria, seu dinamismo, sua simpatia, porque Fátima Lopes era assim: profissional competente, mãe e esposa íntegra, amiga dos amigos, dinâmica, o sorriso aparecendo fácil, mesmo quando tratava de questões intrincadas da Advocacia. Quem acompanhou, como eu, a trajetória de Fátima, ao lado do seu esposo Carlos Martinho, sabe quanto aquela família era alegre e feliz. Meus filhos passaram a infância ao lado dos filhos deles, estudando nos mesmos colégios, curtindo durante quase duas décadas as delícias da Praia Formosa.

É difícil alguém se conformar com tamanha brutalidade. Como pode um casal, às seis horas da manhã, quando se deslocava para a Missa dominical, ser violentamente agredido na sua integridade física, ceifando a vida de uma e quase matando o outro? Como podem existir neste país leis tão frouxas que ainda possibilitam classificar um crime desses como “homicídio culposo”? Como pode haver a possibilidade de um motorista atropelador, em alto estado de embriaguês, negar-se a fazer os exames de sangue e do bafômetro?

Basta de tanta hipocrisia, basta de tanta impunidade! Cadê o programa da Lei Seca do Governo? Será que já terminou a fase do oba-oba, permitindo-se que jovens irresponsáveis (e até adultos) trafeguem por aí em alto estado etílico, ceifando vidas, ameaçando outras, expondo a sociedade a perigo?

O Poder Judiciário e o Ministério Públicos estão aí, prontos para julgar e condenar, mas a nossa legislação é muito “humanista”, o nosso sistema processual é muito aberto, cheio de recursos e possibilidades de procrastinação. Sabemos que a condenação de um criminoso não trará a vida da vítima de volta. Mas, no mínimo, será um consolo e um possível sistema de freios contra a insensatez e a selvageria.

Não serão Karol, Ana Carla e Davi, jovens advogados que estavam sendo preparados para a vida profissional pela mãe advogada, que irão mudar essa situação. Esses jovens estão abalados, arrasados, desmotivados, porque, na realidade, não há explicação terrena para ações como a que vitimou Fátima Lopes. Eles, Carlos e os demais familiares terão que confiar no Altíssimo e, talvez, um dia, encontrem explicações razoáveis para o episódio.

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