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Morte no microondas

portalbip.com (Fernando Vasconcelos) 01/11/2009
São, muitas vezes, de arrepiar os acontecimentos desse nosso mundo tecnológico. Recentemente, aconteceu uma fatalidade: a morte de uma criança de sete anos dentro de um aparelho de micro-ondas e o fato se deu no estado de Santa Catarina. O microondas estava inutilizado para uso como eletrodoméstico e era usado por Terezinha e suas irmãs para brincadeiras em uma casa de bonecas.

Na ocasião, Terezinha estava desacompanhada das irmãs (tinham ido ao colégio) e de outras amiguinhas. Brincava sozinha. No dia da morte, Terezinha desapareceu às 10h. A mãe estava trabalhando na agricultura e só percebeu o sumiço quando chamou a menina para tomar banho, pouco antes da hora do almoço. Procurou na vizinhança e nada de informações. O corpo só foi encontrado por volta das 14h dentro do micro-ondas, que estava na casa de bonecas localizada no pátio. A residência da família fica em um sítio no Morro do Alemão, na cidade catarinense de São José.

O microondas obsoleto estava fora de uso e a polícia imagina que a menina tenha experimentado ver se cabia dentro do aparelho e a porta tenha se fechado. Como se sabe, as portas desses eletrodomésticos só podem ser abertas com o acionar de uma tecla existente pelo lado de fora. Segundo o laudo pericial, não houve agressão física e o estudo social feito sobre a família e depoimentos de vizinhos apontaram para a hipótese de um acidente. Considerando que o corpo da criança havia sido retirado do micro-ondas pelos familiares antes da chegada da equipe de peritos, a polícia precisou da comprovação técnica para confirmar que a menina caberia dentro do equipamento.

Em situações como essa, a prudência deve pontuar toda a análise do caso. Segundo a polícia, a perícia já indicou que a morte da criança foi uma fatalidade e o delegado adiantou que não vai indiciar os pais da criança. O laudo pericial comprovou que o micro-ondas é um modelo antigo, com "um volume maior" do que os convencionais. A menina tinha 1m10 de altura e aparentemente fez um exercício de contorcionismo para se acomodar no interior do aparelho.As irmãs de Terezinha ainda devem ser ouvidas pela polícia, com a ajuda de psicólogos. O laudo definitivo sobre o caso ainda poderá apontar surpresas.

Microondas que explodiu com água fervendo, carregador de celular que explodiu, criança que morreu afogada em um balde com água são casos corriqueiros e que deixam policiais de queixo caído. Mas a tecnologia espanta e exige mais cuidados, principalmente por parte dos pais.

Desconfiados e para tentar descobrir se a menina caberia dentro do micro-ondas, peritos do Instituto de Criminalística fizeram três simulações. Na primeira, usaram um boneco que simula o corpo de uma criança, cedido pelo Corpo de Bombeiros.

Eles tentaram colocá-lo dentro de uma caixa, com as proporções do micro-ondas, mas a inexistência de articulações impediram a simulação. Os especialistas também tentaram recriar a ação com um software de computação gráfica, sem sucesso. A reprodução do acidente só foi possível com a participação de uma criança com o porte físico semelhante ao da vítima e uma caixa de papelão com as medidas do eletrodoméstico.

A perícia preliminar concluiu que a criança cabia dentro do aparelho e, dependendo da posição, poderia até ocupar apenas metade do volume do compartimento interno do micro-ondas. O laudo apontou a asfixia como causa da morte. Portanto, todo cuidado é pouco com as ferramentas de que dispomos nesse conturbado mundo tecnológico.

(*) Autor do livro “Estórias do Mundo Virtual”, recentemente lançado.

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