portalbip.com (Fernando Vasconcelos) 05/10/2009
João Bosco é bancário, boa pinta, conhecido por todos como “mulherengo
irrecuperável”. Gasta o salário quase todo com farras e motéis. Confia no
salário da esposa, que é advogada do Estado e ganha razoavelmente bem. Mora
com a esposa Mara num bairro de classe média de São Paulo.
Mara já se acostumou com as artimanhas de Bosco e ignora quando ele chega
tarde em casa. Mas, adverte-o:
- Cuidado para eu não lhe flagrar com alguma mulher.
- Ora, meu bem, dizia um apaixonado marido. Você sabe que, afora aqueles
bate-papos com os amigos do banco, só tenho olhos para você.
Mas Mara, que era muito ocupada, ficava de orelha em pé. Não reclamava das
farras do marido, mas conversou com um detetive particular, que conhecia do
Fórum e pediu para dar uma checada nas saídas do marido. Robson, o detetive,
não se fez de rogado e passou a freqüentar os mesmos ambientes de Bosco.
Numa determinada noite, ligou para Mara:
- Amiga, você tinha razão. Ele sai para beber com os amigos e, depois de um
certo tempo, sai para se encontrar com uma mulher em outro bar. Agora mesmo
está com ele no Motel Amor Perfeito, aqui na Mooca.
Mara se preparou para o flagrante, juntou-se ao detetive e esperaram a saída
do casal. Foi aquele tumulto: fotos, gritaria, negações, insultos. Bosco
chorava, pedindo perdão à mulher. Esta só dizia:
- Vá para casa. Me aguarde.
Ao chegar em casa, Mara não demonstrou muita raiva. Bosco ficou apreensivo.
Por que sua mulher não o estava agredindo? Cadê a raiva expressada no motel?
Mara adivinhou seus pensamentos:
- Bosco, você me ama mesmo?
- Claro, querida, faço tudo que você quiser para que eu possa ser perdoado.
- Então, tudo bem. Se você reconhece que traiu e afirma que me ama, seria
capaz de segurar um cartaz dizendo isso?
Bosco não raciocinou:
- Claro, querida, tudo que você quiser.
No outro dia a mulher castigou o marido adúltero obrigando-o a exibir um
cartaz reconhecendo sua traição e que a amava. Ele teve que colocar um
cartaz no pescoço com a mensagem “Eu traí - este é o meu castigo” e ficar
parado em um cruzamento movimentado da cidade de São Paulo; A cena inusitada
foi vista no final de tarde de uma sexta-feira, no cruzamento das Avenidas
Ipiranga e São João, no centro da Capital Paulista.
Jornais e TVs documentaram a cena inusitada. Cumprida a exposição ao
ridículo - ao longo de três horas
– Bosco recebeu o perdão conjugal e voltou para casa. Mas, agora, está num
grande dilema:
- Como vou encarar, na segunda-feira, o pessoal do banco?