Todos esses enunciados, por
incrível que pareça, estão escritos em português. Ou em dialetos de
português para Internet, se você preferir. Pesquisadores modernos,
apavorados, indagam: “Mas será que essa bagunça com as regras da língua não
vai destruir o bom português? Ou está na verdade enriquecendo a língua e
desenvolvendo o raciocínio das pessoas, ou, ainda, isso tudo não passa só
uma brincadeira que vai sair de moda daqui a pouco”?
Em primeiro lugar, pergunta-se: “p0r qu3 r4105 45 p355045 35cr3v3m 4551m”?
(tradução: “por que raios as pessoas escrevem assim”?)
Tudo começou, segundo estudiosos, com o internetês arcaico, que era
simplesmente uma maneira de abreviar as palavras e frases para tornar a
comunicação mais rápida. Afinal, em um Chat é importante escrever rápido, e
em mensagens de celular é essencial espremer o máximo de idéias em uma
mensagem só (senão você acaba pagando mais caro!).
Daí surgiram milhares de abreviações como vc, q, kd, blz, etc. Mas na
verdade, isso não é nenhuma novidade. A professora Mariléia Silva dos Reis,
PhD em lingüística e professora da Unisul, explica que abreviar a escrita é
coisa que se faz desde sempre. "Na Idade Média existiam os copistas, que
eram especializados em fazer cópias de livros à mão. Nesses livros vêem-se
muitos apagamentos de vogais, com o único objetivo de tornar a cópia mais
rápida e aumentar o número de cópias por dia."
Aliás, o próprio etc é uma abreviação da expressão em latim et cætera, que
significa "e outras coisas," sabia? Você pode contar isso para a professora
de português quando ela reclamar que você escreveu um "pq", ou "vc". Mas
lembre que abreviações devem ser usadas com bom senso. Pergunta-se: isso
significa que a língua portuguesa está condenada?
Ainda que alguns professores de português e gramáticos (a exemplo dos meus
amigos Félix de Carvalho e João Trindade))fiquem de cabelo em pé ao ler os
recados que dois adolescentes deixam no Orkut um do outro, vários estudiosos
acham que não é o fim do idioma como nós o conhecemos. O lingüista britânico
David Crystal escreveu um livro sobre texting, a tal linguagem cheia de
abreviações Ele explica que por mais que as pessoas baguncem a língua, mudem
a grafia das palavras, abreviem e sumam com letras, é impossível bagunçar
demais, já que o objetivo de uma mensagem é ser entendida pela pessoa que a
está recebendo. Isso garante que algumas regras vão ser sempre mantidas, e
que a língua não vai se desintegrar.
O autor citado não leva muito a sério as insinuações de que a Internet ou os
torpedos de celular sejam uma ameaça à língua. Ele lembra que, quando
inventaram a imprensa, lá na Idade Média, teve gente dizendo que aquela era
uma invenção diabólica que ia destruir a escrita. E depois mais ou menos a
mesma coisa se repetiu no surgimento do telégrafo, telefone, rádio, TV... E
até hoje a língua não foi destruída.Mas, é bom a moçada “ir devagar com o
andor”, senão, daqui a pouco, a gente não entende esse linguajar cifrado...
* Autor do livro Estórias do Mundo Virtual”, União Editora, 2009.
