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O Vernáculo e a Internet

portalbip.com (Fernando Vasconcelos) 27/09/2009
Será que o leitor entende essa linguagem: kkkkkk blz TBm naUm pOXXU fALaH nD eU sOw AxXxiM..................nAum GoxXxTow??!?! pROBLEmah seU,ti gaRaNtu Ki NAuM vOw mUDAH poR IXXu!!!!!???

E essas “frases”: =D+ kra eu keru flar tiops c prof comofas/ min imsina tbm neh kra. formeim 1 corpo docemte d tiops e qems abe asim vo6 noa espaliem esa limgua digna pelo mudno heim/ qq 6 achao?

Todos esses enunciados, por incrível que pareça, estão escritos em português. Ou em dialetos de português para Internet, se você preferir. Pesquisadores modernos, apavorados, indagam: “Mas será que essa bagunça com as regras da língua não vai destruir o bom português? Ou está na verdade enriquecendo a língua e desenvolvendo o raciocínio das pessoas, ou, ainda, isso tudo não passa só uma brincadeira que vai sair de moda daqui a pouco”?

Em primeiro lugar, pergunta-se: “p0r qu3 r4105 45 p355045 35cr3v3m 4551m”? (tradução: “por que raios as pessoas escrevem assim”?)

Tudo começou, segundo estudiosos, com o internetês arcaico, que era simplesmente uma maneira de abreviar as palavras e frases para tornar a comunicação mais rápida. Afinal, em um Chat é importante escrever rápido, e em mensagens de celular é essencial espremer o máximo de idéias em uma mensagem só (senão você acaba pagando mais caro!).

Daí surgiram milhares de abreviações como vc, q, kd, blz, etc. Mas na verdade, isso não é nenhuma novidade. A professora Mariléia Silva dos Reis, PhD em lingüística e professora da Unisul, explica que abreviar a escrita é coisa que se faz desde sempre. "Na Idade Média existiam os copistas, que eram especializados em fazer cópias de livros à mão. Nesses livros vêem-se muitos apagamentos de vogais, com o único objetivo de tornar a cópia mais rápida e aumentar o número de cópias por dia."

Aliás, o próprio etc é uma abreviação da expressão em latim et cætera, que significa "e outras coisas," sabia? Você pode contar isso para a professora de português quando ela reclamar que você escreveu um "pq", ou "vc". Mas lembre que abreviações devem ser usadas com bom senso. Pergunta-se: isso significa que a língua portuguesa está condenada?

Ainda que alguns professores de português e gramáticos (a exemplo dos meus amigos Félix de Carvalho e João Trindade))fiquem de cabelo em pé ao ler os recados que dois adolescentes deixam no Orkut um do outro, vários estudiosos acham que não é o fim do idioma como nós o conhecemos. O lingüista britânico David Crystal escreveu um livro sobre texting, a tal linguagem cheia de abreviações Ele explica que por mais que as pessoas baguncem a língua, mudem a grafia das palavras, abreviem e sumam com letras, é impossível bagunçar demais, já que o objetivo de uma mensagem é ser entendida pela pessoa que a está recebendo. Isso garante que algumas regras vão ser sempre mantidas, e que a língua não vai se desintegrar.

O autor citado não leva muito a sério as insinuações de que a Internet ou os torpedos de celular sejam uma ameaça à língua. Ele lembra que, quando inventaram a imprensa, lá na Idade Média, teve gente dizendo que aquela era uma invenção diabólica que ia destruir a escrita. E depois mais ou menos a mesma coisa se repetiu no surgimento do telégrafo, telefone, rádio, TV... E até hoje a língua não foi destruída.Mas, é bom a moçada “ir devagar com o andor”, senão, daqui a pouco, a gente não entende esse linguajar cifrado...

* Autor do livro Estórias do Mundo Virtual”, União Editora, 2009.

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