Das pesquisas que fazemos diariamente para aulas, artigos
e palestras, pinçamos algumas ocorrências que denotam como o consumidor,
mesmo protegido por um bom Código, ainda sofre com as artimanhas e a má-fé
de determinados fornecedores:
1. Fim de plano de saúde dificulta pré-natal de conveniada. Grávida
de quatro meses, Patrícia da Silva Júlio afirma não conseguir fazer
pré-natal adequado porque não encontra médicos e laboratórios credenciados
pela operadora de saúde contratada. A empresa enfrenta problemas
financeiros insolúveis, segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde
Suplementar). Por essa razão, em fevereiro a agência obrigou o plano a
transferir toda a sua carteira - cerca de 300 mil clientes - a outras
operadoras. O site da empresa informava há alguns dias que os conveniados
serão incorporados por outro Plano de Saúde. Patrícia teve de trocar de
médicos, maternidades e laboratórios, pois estes não atendem mais por
rescisão de contrato por falta de pagamento.
2. Banco cobra dívida pelos vizinhos. Com dívida no HSBC, Elizio
Domingues afirma que o banco "liga para meus vizinhos para me cobrar.
Nunca disponibilizei nenhum telefone a não ser os meus para efeito de
cobrança, o que gera um constrangimento enorme para mim”. Pelo artigo 42,
do Código de Defesa do Consumidor, inadimplentes não podem ser expostos ao
ridículo, nem cobrados indevidamente.O HSBC, procurado pela reportagem,
disse que contatou Domingues para negociar a dívida. Mas não informou, nem
ao cliente nem ao Jornal, como obteve o telefone de vizinhos e que ações
tomaria a respeito do caso.
3. Empresa não entregou cama. A Tok & Stok descumpriu dois prazos
para entregar uma cama, diz a empresária Denise Pinto da Silva. Ela
comprou o produto em 28 de fevereiro, para o filho. A empresa, afirma, se
comprometeu inicialmente a entregar a cama em 6 de março. Depois, mudou
para o dia 25. Denise tornou a reclamar -e conseguiu que o prazo fosse
reduzido para o dia 10, após a empresa atribuir o atraso a problemas com o
fabricante. A cama, porém, não chegou. A Tok & Stok diz que cancelou a
compra a pedido.
4. Cliente reclama de demora no atendimento. A central de
atendimento da seguradora Porto Seguro levou mais de 20 minutos para
atender à ligação do empresário Milton Turolla Júnior. A lei estabelece
que a espera não pode ultrapassar um minuto. O empresário procurou a
empresa para consertar o vidro do carro. "Vale checar e constatar o
"parto" que é ter um atendimento dentro do tempo estabelecido pela lei." A
seguradora disse que procurou o cliente para esclarecer o caso e afirmou
que a demora foi um caso isolado e o reparo do vidro já foi realizado.
5. Loja atrasou entrega de presentes de casamento. Dois meses após
seu casamento, a consultora Ângela Lucas disse não ter recebido, até o
início de março, presentes que estavam em uma lista da loja por eles
escolhida. "Trocamos alguns produtos que tinham acabado [no estoque da
empresa], mesmo achando um absurdo. Se escolhemos algum presente, é porque
gostamos deles. E, se nossos convidados compraram, eles deveriam ter
separado para nos entregar. A empresa informou que todos os produtos já
foram entregues à cliente Ângela Lucas, que aceitou receber itens
similares àqueles fora de linha.
