Quem se ocupa a pesquisar o dia a dia da modernidade está
exposto diuturnamente a inúmeras surpresas. São acontecimentos ou fatos
sociais, jurídicos ou econômicos que deixam até os hackers boquiabertos.
Li outro dia na Internet que um dos principais provadores de café da
cadeia de lojas Costa Coffee teve a língua segurada em 10 milhões de
libras (cerca de R$ 34 milhões) por uma corretora britânica. Gennaro
Pelliccia prova uma amostra de cada leva de grãos crus de café na usina
processadora de Londres, antes que elas sejam torradas e enviadas para as
lojas. "As papilas gustativas de um provador de café são tão importantes
quanto as cordas vocais de um cantor ou as pernas de uma top model, e esta
é uma das maiores apólices de seguro feitas por um indivíduo", disse um
comunicado do setor jurídico da Corretora Glencairn Limited, do Banco
Lloyds, que negociou a apólice.
Outro, preocupado com as suas futuras exéquias (velório/enterro) decidiu
fazer um ensaio do próprio funeral para ter certeza de que tudo sairia
conforme seus planos. O preocupado candidato a defunto, de 73 anos,
convidou familiares e amigos para a cerimônia e até mesmo o padre da
localidade aceitou o convite para fazer um sermão no falso velório. O
interessado cavou a própria sepultura e chegou até a "experimentá-la" para
ter certeza de que estava adequada. O ensaio, prestigiado por todos,
também o agradou, explicando que a decisão do ensaio foi tomada para não
sobrecarregar seus familiares, que concordaram que seria mais fácil
organizar a cerimônia antes do momento de luto.
Um Papai Noel perdeu o emprego em uma loja de departamentos na Inglaterra
após uma cliente idosa denunciar que ele havia pedido que ela sentasse em
seu colo. O rompimento do contrato foi confirmado por decisão judicial. O
velhinho assediador, que esteve por três dias no "cargo" de papai Noel de
uma loja da rede britânica Selfridges, afirmou que não teve a intenção de
ofender a cliente, pois acredita que "o Natal é para todos". Ao depor, ele
disse que "várias pessoas de várias idades sentam no meu colo, de senhoras
de idade a moças de 20 e 30 anos. Às vezes até homens de meia idade pedem
para sentar no colo do papai Noel, por isso eu sempre me ofereço para
todos. Se eles falam não, eu não insisto".
Em duas ações distintas sobre o mesmo caso, marido e mulher obtiveram o
direito de serem indenizados por um Motel de Porto Alegre. Eles se casaram
em agosto de 2003, desfrutaram da noite de núpcias numa suíte do Motel,
que havia sido reservada e paga por um grupo de amigos. A dependência
escolhida tinha 200 metros quadrados e era equipada com sauna, piscina,
pista de danças etc. Os recém-casados chegaram da festa por volta das
4h30min da madrugada, ligaram a sauna e, como esta demorasse a esquentar,
o jovem casal deixou-a ligada para momento posterior. Por volta das sete
horas da manhã, a esposa acordou com fumaça, constatando que a sauna
estava incendiando e que o fogo se propagava para a suíte. A suíte foi
evacuada, sem tempo para salvar sequer a grinalda e parte do terno do
noivo.
A perícia não comprovou qual foi a causa do incêndio. Segundo o relator do
processo, "a noite de núpcias da autora restará efetivamente gravada em
sua memória, mas associada a um enorme constrangimento e embaraço, pois
ter que sair às pressas do motel, semivestida (ela estava de calcinhas e
apenas com uma camisa), com o fogo se alastrando, interrompendo um momento
muito especial na sua vida". Ressaltou que "o motel é fornecedor de
serviços de hospedagem e responde, independentemente de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos, informações
insuficientes ou inadequadas sobre a fruição e riscos".
