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Celular no Shopping

portalbip.com (Fernando Vasconcelos) 10/01/2009

SHOPPING CENTER casa bem com celular. Ambos são modernos, têm ligações econômico-financeiras e despertam o interesse, principalmente, dos mais jovens. Dia desses estava a “assinar o ponto”, junto com alguns amigos, no Cafezinho do Shopping, quando um dos presentes me disse:

- O que é que houve com você que não escreveu mais sobre celular? Acabou a inspiração?

Ia responder, quando avistei um casal passeando, cada um com o seu celular ligado. Imaginei que fosse um casal porque estavam muito próximos, apesar de nenhuma comunicação entre eles. Só ao celular. Foram em direção ao Banco, passaram novamente em frente ao cafezinho e seguiram adiante, cada um no seu mundo particular. Durante cerca de trinta minutos os dois não desligaram o celular.

Enquanto observava aquela cena, chegou o café. Aí eu disse para o amigo:

- Parece que apareceu a inspiração. Veja ali aquele casal.

O amigo nada observara, mas falou:

- Isso é próprio do modernismo. Conheço um casal que, morando na mesma casa, comunica-se por e-mail...

Dali subi ao restaurante à procura da minha neta Ana Clara. Enquanto esperava, passei, como de costume, a observar o comportamento das pessoas. Em um dos restaurantes da Praça da Alimentação, observei um rapaz que preparou o seu prato (era o sistema self serv) e, em momento algum, desgrudou do aparelho celular. Enquanto fazia o prato, falava bem alto ao celular, como se estivesse a resolver assunto comercial importante. Fiquei observando e pensei comigo (quero ver na hora de pagar, se ele não vai desligar o celular).

Nada disso! O rapaz, muito falante, bem vestido, continuou empolgado com a conversa e, ao chegar ao caixa, confundiu a moça que o atendia. Esta, ao colocar o prato na balança, tentava perguntar ao mesmo a forma de pagamento, mas ele estava em outro mundo:

- Manoel, um momento. Diga, moça, quanto vou pagar?

- Vinte e cinco reais – respondeu a operadora.

Mas, ele nem tirava dinheiro, nem cartão de crédito. A fila parou, as pessoas começaram a reclamar, a moça do caixa perdeu a paciência e passou a atender outro cliente. O rapaz do celular ainda demorou alguns minutos até passar o cartão de crédito...

Continuei absorto em meus pensamentos, ainda esperando a neta, quando observei outra cena inusitada. Um cidadão bem vestido, de paletó e gravata, que presumi ser um advogado, estava na fila do restaurante self serv e, durante todo o almoço, parecia resolver pendências jurídicas pelo celular.

Falava bem alto, como se todos ali precisassem ouvir:

- Ora, meu caro, as custas são muito caras, mas é assim mesmo. Se você quiser receber uma boa indenização por dano moral, tem de arriscar.

O palavrório e o tom alto da conversa incomodavam a todos. Chamava a atenção. Ele praticamente parava a fila do restaurante, pois não se servia, nem deixava os outros se servirem.

Graças a Deus minha neta chegou correndo, deu-me aquele abraço que só os netos sabem dar e queria almoçar ali mesmo. Ponderei:

- Vamos para outro restaurante, que este está minado por celulares.

Saímos dali, mesmo sob protestos da família. Mas, escolhi outro local porque sabia que, se ali ficasse, ia passar a hora do almoço a observar aqueles dois clientes com os seus indefectíveis celulares. Sei que é praticamente impossível alguém querer controlar, nos dias de hoje, o celular em lugares públicos. Principalmente, quando esse lugar é um Shopping Center. Como sou freqüentador semanal dos shoppings da cidade, vez por outra me pego observando as pessoas, seja nas suas atividades, seja no seu lazer. E, principalmente, quando essa atividade ou lazer envolve um celular. E haja sofrimento..

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