SHOPPING CENTER casa bem com celular. Ambos são modernos, têm ligações econômico-financeiras e despertam o interesse, principalmente, dos mais jovens. Dia desses estava a “assinar o ponto”, junto com alguns amigos, no Cafezinho do Shopping, quando um dos presentes me disse:
- O que é que houve com você que não escreveu mais sobre
celular? Acabou a inspiração?
Ia responder, quando avistei um casal passeando, cada um com o seu celular
ligado. Imaginei que fosse um casal porque estavam muito próximos, apesar
de nenhuma comunicação entre eles. Só ao celular. Foram em direção ao
Banco, passaram novamente em frente ao cafezinho e seguiram adiante, cada
um no seu mundo particular. Durante cerca de trinta minutos os dois não
desligaram o celular.
Enquanto observava aquela cena, chegou o café. Aí eu disse para o amigo:
- Parece que apareceu a inspiração. Veja ali aquele casal.
O amigo nada observara, mas falou:
- Isso é próprio do modernismo. Conheço um casal que, morando na mesma
casa, comunica-se por e-mail...
Dali subi ao restaurante à procura da minha neta Ana Clara. Enquanto
esperava, passei, como de costume, a observar o comportamento das pessoas.
Em um dos restaurantes da Praça da Alimentação, observei um rapaz que
preparou o seu prato (era o sistema self serv) e, em momento algum,
desgrudou do aparelho celular. Enquanto fazia o prato, falava bem alto ao
celular, como se estivesse a resolver assunto comercial importante. Fiquei
observando e pensei comigo (quero ver na hora de pagar, se ele não vai
desligar o celular).
Nada disso! O rapaz, muito falante, bem vestido, continuou empolgado com a
conversa e, ao chegar ao caixa, confundiu a moça que o atendia. Esta, ao
colocar o prato na balança, tentava perguntar ao mesmo a forma de
pagamento, mas ele estava em outro mundo:
- Manoel, um momento. Diga,
moça, quanto vou pagar?
- Vinte e cinco reais – respondeu a operadora.
Mas, ele nem tirava dinheiro, nem cartão de crédito. A fila parou, as
pessoas começaram a reclamar, a moça do caixa perdeu a paciência e passou
a atender outro cliente. O rapaz do celular ainda demorou alguns minutos
até passar o cartão de crédito...
Continuei absorto em meus pensamentos, ainda esperando a neta, quando
observei outra cena inusitada. Um cidadão bem vestido, de paletó e
gravata, que presumi ser um advogado, estava na fila do restaurante self
serv e, durante todo o almoço, parecia resolver pendências jurídicas pelo
celular.
Falava bem alto, como se todos ali precisassem ouvir:
- Ora, meu caro, as custas são muito caras, mas é assim mesmo. Se você
quiser receber uma boa indenização por dano moral, tem de arriscar.
O palavrório e o tom alto da conversa incomodavam a todos. Chamava a
atenção. Ele praticamente parava a fila do restaurante, pois não se
servia, nem deixava os outros se servirem.
Graças a Deus minha neta chegou correndo, deu-me aquele abraço que só os
netos sabem dar e queria almoçar ali mesmo. Ponderei:
- Vamos para outro restaurante, que este está minado por celulares.
Saímos dali, mesmo sob protestos da família. Mas, escolhi outro local
porque sabia que, se ali ficasse, ia passar a hora do almoço a observar
aqueles dois clientes com os seus indefectíveis celulares. Sei que é
praticamente impossível alguém querer controlar, nos dias de hoje, o
celular em lugares públicos. Principalmente, quando esse lugar é um
Shopping Center. Como sou freqüentador semanal dos shoppings da cidade,
vez por outra me pego observando as pessoas, seja nas suas atividades,
seja no seu lazer. E, principalmente, quando essa atividade ou lazer
envolve um celular. E haja sofrimento..
