A presente história provém de um caso real. Não é ficção.
O advogado de 76 anos, inconformado com a demora em um inquérito policial
que ele acompanhava em nome de seus clientes, deu seis tiros no computador
de uma delegacia de pequena cidade do Estado do Pará. O profissional foi
preso em flagrante, por danos ao patrimônio público, porte ilegal de arma
e por colocar em risco a vida de terceiros.
O delegado escutou a notícia e questionou firmemente o advogado:
- O que aconteceu? Você está louco, doutor?´
- Matei o computador porque ele não estava me respeitando. Não tive outra
saída. Com sua inércia e a omissão, essa "joça" estava trabalhando para os
bandidos - explicou o advogado que, mesmo assim, foi preso.
Recolhido ao quartel da Polícia Militar na capital (Belém), o advogado
recuperou a liberdade dois dias depois, graças a uma liminar. Formado o
inquérito, algumas semanas depois, em Juízo, foi ouvida uma testemunha
presencial, o escrivão de polícia, que contou o ocorrido:
- O doutor chegou na delegacia e insistiu para que fosse apressado um
inquérito que apura a invasão de um condomínio de evangélicos. Respondi
que não poderia agilizar, porque nosso único computador estava travado e o
conserto ainda não tinha sido autorizado pela Secretaria da Segurança.
O policial prosseguiu:
- Depois de alguns palavrões contra Bill Gates, o advogado atirou várias
vezes no monitor e reservou a sexta e última bala justamente para o
gabinete do computador, que estava embaixo da minha mesa.
Proposta a transação penal pelo Promotor, o advogado concordou em pagar
cestas básicas e em ressarcir o Estado, entregando computador e monitor de
primeira geração - espécimes do que tinha de melhor qualidade na única
loja de eletrodomésticos da cidade. Foi designada audiência para a
formalização dos atos.
Após as formalidades processuais, o juiz consolou o bravo causídico ante o
desembolso que ele acabara de fazer:
- As cestas básicas vão aplacar necessidades de pessoas humildes. E o novo
computador vai permitir que suas solicitações sejam atendidas com mais
presteza na delegacia.
O advogado firmou a ata da audiência, engoliu em seco, deu boa tarde,
retirou-se e nunca mais foi visto na comarca.
