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João Pessoa - PB -

Matou o computador

portalbip.com (Fernando Vasconcelos) 29/12/2008

A presente história provém de um caso real. Não é ficção. O advogado de 76 anos, inconformado com a demora em um inquérito policial que ele acompanhava em nome de seus clientes, deu seis tiros no computador de uma delegacia de pequena cidade do Estado do Pará. O profissional foi preso em flagrante, por danos ao patrimônio público, porte ilegal de arma e por colocar em risco a vida de terceiros.

O delegado escutou a notícia e questionou firmemente o advogado:

- O que aconteceu? Você está louco, doutor?´

- Matei o computador porque ele não estava me respeitando. Não tive outra saída. Com sua inércia e a omissão, essa "joça" estava trabalhando para os bandidos - explicou o advogado que, mesmo assim, foi preso.

Recolhido ao quartel da Polícia Militar na capital (Belém), o advogado recuperou a liberdade dois dias depois, graças a uma liminar. Formado o inquérito, algumas semanas depois, em Juízo, foi ouvida uma testemunha presencial, o escrivão de polícia, que contou o ocorrido:

- O doutor chegou na delegacia e insistiu para que fosse apressado um inquérito que apura a invasão de um condomínio de evangélicos. Respondi que não poderia agilizar, porque nosso único computador estava travado e o conserto ainda não tinha sido autorizado pela Secretaria da Segurança.

O policial prosseguiu:

- Depois de alguns palavrões contra Bill Gates, o advogado atirou várias vezes no monitor e reservou a sexta e última bala justamente para o gabinete do computador, que estava embaixo da minha mesa.

Proposta a transação penal pelo Promotor, o advogado concordou em pagar cestas básicas e em ressarcir o Estado, entregando computador e monitor de primeira geração - espécimes do que tinha de melhor qualidade na única loja de eletrodomésticos da cidade. Foi designada audiência para a formalização dos atos.

Após as formalidades processuais, o juiz consolou o bravo causídico ante o desembolso que ele acabara de fazer:

- As cestas básicas vão aplacar necessidades de pessoas humildes. E o novo computador vai permitir que suas solicitações sejam atendidas com mais presteza na delegacia.

O advogado firmou a ata da audiência, engoliu em seco, deu boa tarde, retirou-se e nunca mais foi visto na comarca.

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