Induzido por farta campanha publicitária, resolvi ir à
região do Brejo Paraibano, a fim de constatar como eram esses “caminhos do
frio” ou “o circuito do frio”. Abria os jornais, a Internet ou recebia
folders publicitários e lá estava o chamado: “visite os caminhos do frio”,
“visite a Casa do Padre Ibiapina”, “brejo paraibano tem turismo
revitalizado”, etc.
Com parte da minha família idealizei um périplo, iniciando por Sapé, Mari,
Guarabira. Como já conhecíamos o santuário e a estátua de Frei Damião,
passamos rapidamente pela “rainha do Brejo” e seguimos por Pirpirituba
rumo a Bananeiras. Combinamos em deixar a Cachoeira do Roncador para a
volta.
Em Bananeiras, “a futura Gravatá da Paraíba”, como muitos a estão
denominando, sente-se no ar um “cheirinho de turismo”, de desenvolvimento.
Vários condomínios estão se formando, dentro de uma paisagem paradisíaca,
de clima ameno e aconchegante. Mas, cadê os pontos turísticos? Fomos à
Estação, à Igreja, ao Cruzeiro de Roma, ao Conjunto Arquitetônico
“Carmelo”, mas ninguém para prestar uma informação. Nossa sorte foi o
churrasco no novo Condomínio “Águas da Serra”, esse sim, com lotes
vendidos aos montes a pessoenses e natalenses. Aí, sim, se enxergava o
toque de gente antenada com os novos rumos do turismo.
Solânea é um pouco mais desenvolvida em matéria de hotéis e restaurantes.
Mas ainda está muito longe de uma moderna recepção turística. No dia
seguinte, nos dirigimos à cidade de Arara, onde está localizado o colosso
monumental dedicado ao Padre Ibiapina. O que poderia se tornar num
referencial para o turismo religioso em nosso Estado é um verdadeiro
fiasco.
A construção impressiona, mas cadê gente? Como era um domingo pela manhã,
muitas pessoas visitavam o local. A igreja fechada, a casa do sacerdote
aberta, mas abandonada, uma escola idem, a Casa Caxangá (que parece ser
uma creche) também, só um menino rondava o local, como se estivesse à
espera de algumas moedas. Lá no colosso monumental de Arara, com
capacidade para abrigar milhares de fiéis, tem até lanchonete e centro de
documentação. Mas, cadê o pessoal? A Casa dos Milagres pode ter os seus
objetos furtados por turistas inescrupulosos.
Quero abrir um parêntese para louvar as iniciativas do Governo do Estado
nesse sentido. É muito proveitoso para o nosso Estado que se divulgue o
“turismo rural”, mas tem de existir a mínima estrutura para tal. Folder
bonito ou publicidade bem feita não significa atração responsável de
turistas. É necessário o mínimo de organização. E a PBTUR tem condições de
sobra de realizar tal tarefa.
Em seguida, para matar as saudades da adolescência, conduzi o grupo para a
histórica cidade de Areia. Era nesse domingo o dia da “terra de Pedro
Américo” no badalado “circuito do frio”. Mas, afora uma Banda de Música
que tocava pelas ruas da cidade, não presenciamos nada que justificasse a
publicidade. Cadê o Museu da Rapadura? (fechado). Cadê os restaurantes?
(fechados). Para não fazer refeição no “Bar do Chifre”, pegamos a estrada
rumo a Alagoa Grande, almoçando um gostoso filé de carneiro na BR 230.
Falta sinalização nas estradas e nas cidades. O povo é desinformado. Pelo
que sentimos, o “circuito do frio”, para a maioria da população, se traduz
na apresentação de uma banda de forró. É bom que se invista no setor,
preparando jovens para serem os guias de turismo, pois o maior problema
(segundo parece) é a falta de sintonia da própria população local com os
novos rumos do turismo. Assim não dá. É ensinar como não se deve fazer
turismo.
