Hoje, são raras as operações realizadas com sucesso no
trabalho, nas comunicações, com dinheiro ou nos relacionamentos sem a
senha certa para cada uma delas. E depois da consolidação da Internet
entre nós, o número de senhas se multiplicou. Segundo pesquisa da
Microsoft, cada usuário da Rede possui em média 6,5 senhas e 25 contas que
exigem algum código.
Outra pesquisa realizada pela empresa americana de segurança tecnológica
RSA relata que 36% dos funcionários de empresas têm de administrar entre
seis e 15 senhas, e 82% deles se dizem frustrados por não conseguirem
administrar direito esses códigos secretos.
E o mais chato é quando, na iminência de realizar uma operação dessas, o
usuário esquece a senha. Quem nunca perdeu a sua? A comunidade "esqueci
minha senha de novo", criada no Orkut, tem cerca de 1.300 esquecidos que
trocam dicas para evitar o problema.
Senha no banco, no telefone celular, no supermercado, na Internet, no
e-mail, na TV a cabo! É um verdadeiro inferno! O que faz crescer o uso das
senhas, em um mundo centrado na Internet, é a importância da informação,
que pode valer mais do que o dinheiro. Assim como se precisa de senha para
acessar o dinheiro no banco, necessita-se também de uma chave para as
informações mais corriqueiras. Sem se falar que todos devem saber de cor o
RG, o CPF e a conta bancária. E, em ocasiões especiais, o número do chassi
do automóvel, a numeração da apólice de seguro, o PIS/PASEP, o INSS, o ISS
municipal.
É praticamente impossível alguém decorar seqüências aleatórias sem
escrever. Por isso, alguns preferem anotar os inúmeros códigos que
precisam usar todos os dias. Segundo pesquisa de comportamento, realizada
na Unifesp, decorar é possível desde que sejam criadas estratégias que
relacionem as senhas a informações conhecidas. A memória é associativa.
São poucas e invejáveis as pessoas que conseguem decorar longas séries de
números ao acaso.
Milhares de combinações se perdem todos os dias. É difícil estimar quantas
são, mas no call-center do provedor Uol, por exemplo, das 500 mil ligações
mensais recebidas, de 35 mil a 50 mil são de usuários que perderam suas
senhas.
No Terra, as ligações para troca de senhas somam 62 mil por mês, 12% do
total de atendimentos. A maioria por esquecimento. Nos portais iG, iBest e
Br Turbo, em um mês são registradas, em média, cinco a seis mil
reclamações referentes a senhas. Para evitar fundir a cuca com a profusão
de sites, e-mails, aplicativos de computador e serviços bancários que
exigem códigos de acesso, a maioria das pessoas constrói uma associação
sentimental para a combinação numérica, acreditando que assim possa ser
fácil lembrar.
Uma pesquisa da Universidade do Estado de Wichita (EUA) mostrou que 54,9%
das pessoas usam palavras com significado pessoal, como os nomes de seus
filhos, pais ou ruas, enquanto 49,8% usam números significativos como
aniversários ou números de telefones. Exatamente o contrário do que
recomendam os especialistas.
As informações que recebemos através dos sentidos são armazenadas em redes
formadas por neurônios de diferentes regiões do cérebro. Cada rede
corresponde a uma memória. E a capacidade de combinação entre essas
conexões é infinita. Mas, se o leitor tem essa dificuldade, podem cair bem
as recomendações lançadas pela Universidade de Michigan, nos EUA, que
indica aos seus estudantes um mandamento básico para manter o que se
deseja - conta bancária ou vida amorosa - em sigilo: "Trate as senhas como
a sua roupa de baixo: não empreste para os amigos, não deixe largada por
aí e troque sempre que possível".
