Durante a realização de um exame de tomografia
computadorizada, uma paciente foi deixada sozinha dentro do aparelho de
tomografia durante horas, em decorrência do esquecimento de um técnico. Ao
cabo desse tempo, a paciente conseguiu sair do tomógrafo se arrastando e
acabou descobrindo que estava trancada dentro da clínica, que já havia
encerrado o expediente.
Elvira Teles, de 67 anos, moradora da cidade de Diadema, Estado de São
Paulo, contou que ligou para o filho em pânico e este chamou a polícia. Os
policiais chegaram à clínica de oncologia e localizaram o gerente, que não
estava a par da situação. Elvira foi levada a um hospital apenas como
precaução e recebeu alta na manhã seguinte.
O diretor médico da Clínica, ouvido pela Polícia, disse que a clínica vai
rever seus procedimentos de fechamento para que ninguém jamais seja
deixado esquecido novamente. Será feita uma varredura de todo o
estabelecimento e uma lista de verificações será seguida.
O relato policial reconstituiu os fatos. Um técnico colocou a paciente
dentro da máquina por volta das 16h. Em seguida, diminuiu as luzes para
que ela pudesse relaxar e pediu que ela não se mexesse durante o
procedimento que duraria 25 minutos. Em um determinado momento, Elvira
perdeu a noção da hora e achou que já havia passado tempo demais, mas não
podia olhar no relógio porque estava escuro.
Depois de chamar o funcionário e gritar pedindo ajuda, ficou horas
tentando sair da máquina. Finalmente, conseguiu se desvencilhar do pesado
cobertor e deixar a máquina. Usou, então, seu celular e ligou para o
filho. Quando a polícia a encontrou, já haviam se passado cinco horas
desde o momento em que a paciente fora colocada na máquina.
Ela contou
ao delegado que está com dificuldades para dormir desde o incidente e que
quer satisfações da clínica médica, tanto material, como moral. Mas ainda
não recebeu nenhuma explicação para o ocorrido. Contou que apenas o
técnico ligou, no dia seguinte, pedindo desculpas.
Que o fato é decorrente de uma relação de consumo, ninguém duvida. Mas El
ira não vai nem precisar do CDC para pedir indenização. O fato gravíssimo
violou dispositivos da Constituição Federal e do Código Civil, vez que
atentou contra a vida da mesma, deixando seqüelas graves. Por isso, a
clínica deve indenizá-la por danos materiais e morais, a fim de que sirva
de lição para a escolha de técnicos que, além de competentes,m devem ter o
devido respeito pela vida humana.
