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João Pessoa - PB -

Esquecida no tomógrafo

portalbip.com (Fernando Vasconcelos) 09/07/2008

Durante a realização de um exame de tomografia computadorizada, uma paciente foi deixada sozinha dentro do aparelho de tomografia durante horas, em decorrência do esquecimento de um técnico. Ao cabo desse tempo, a paciente conseguiu sair do tomógrafo se arrastando e acabou descobrindo que estava trancada dentro da clínica, que já havia encerrado o expediente.

Elvira Teles, de 67 anos, moradora da cidade de Diadema, Estado de São Paulo, contou que ligou para o filho em pânico e este chamou a polícia. Os policiais chegaram à clínica de oncologia e localizaram o gerente, que não estava a par da situação. Elvira foi levada a um hospital apenas como precaução e recebeu alta na manhã seguinte.

O diretor médico da Clínica, ouvido pela Polícia, disse que a clínica vai rever seus procedimentos de fechamento para que ninguém jamais seja deixado esquecido novamente. Será feita uma varredura de todo o estabelecimento e uma lista de verificações será seguida.

O relato policial reconstituiu os fatos. Um técnico colocou a paciente dentro da máquina por volta das 16h. Em seguida, diminuiu as luzes para que ela pudesse relaxar e pediu que ela não se mexesse durante o procedimento que duraria 25 minutos. Em um determinado momento, Elvira perdeu a noção da hora e achou que já havia passado tempo demais, mas não podia olhar no relógio porque estava escuro.

Depois de chamar o funcionário e gritar pedindo ajuda, ficou horas tentando sair da máquina. Finalmente, conseguiu se desvencilhar do pesado cobertor e deixar a máquina. Usou, então, seu celular e ligou para o filho. Quando a polícia a encontrou, já haviam se passado cinco horas desde o momento em que a paciente fora colocada na máquina.

Ela contou ao delegado que está com dificuldades para dormir desde o incidente e que quer satisfações da clínica médica, tanto material, como moral. Mas ainda não recebeu nenhuma explicação para o ocorrido. Contou que apenas o técnico ligou, no dia seguinte, pedindo desculpas.

Que o fato é decorrente de uma relação de consumo, ninguém duvida. Mas El ira não vai nem precisar do CDC para pedir indenização. O fato gravíssimo violou dispositivos da Constituição Federal e do Código Civil, vez que atentou contra a vida da mesma, deixando seqüelas graves. Por isso, a clínica deve indenizá-la por danos materiais e morais, a fim de que sirva de lição para a escolha de técnicos que, além de competentes,m devem ter o devido respeito pela vida humana.

Fernando Vasconcelos
  • Escritor, promotor de Justiça aposentado, mestre e doutor em Direito Civil pela UFPE. É professor da UFPB e do UNIPÊ
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