Não é novidade para ninguém que
sou telespectador, assisto a alguns programas televisivos como jornais
locais e nacionais, algumas cenas de novelas (não acompanho
nenhuma) e aos programas domingueiros. Sempre saltando de canal em
canal. Não tenho TV por assinatura e nem pretendo, não me
faz falta.
Pois bem, a postagem de hoje é justamente em decorrência
de uma reflexão sobre um desses programas de televisão,
mais precisamente sobre os quadros específicos que mostram uma
pessoa ou uma família em situação de
miséria, procurando sensibilizar o público telespectador.
Isso acontece tanto em programas exibidos em rede nacional como na
programação local - neste caso, nos telejornais que
vão ao ar ao meio-dia.
São casos que realmente chocam as pessoas mais sensíveis
de coração, pela situação em si e pelo
folheado do clima de comoção que os produtores de
plantão fazem questão de compor - trilha sonora,
repórter com voz macia, enfim toda uma produção
que envolve e emocia aos que assistem. São pessoas idosas,
abandonadas ou não, que estão sendo cuidadas com
precariedade e com a ajuda de terceiros (vizinhos, amigos, etc).
Geralmente em busca de uma cadeira de rodas, cadeira de banho,
alimentos e outras necessidades básicas. Outras vezes
necessitando de cuidados médicos.
O que me motivou a escrever sobre este assunto foi o fato de saber que
um minuto de exibição na televisão custa uma grana
considerável, principalmente nos horários nobres, para
fazer um questionamento: qual é o real interesse da
produção de tais quadros? Se fosse para garantir
realmente o atendimento àquela pessoa ali exposta, certamente
existem inúmeras outras formas de fazer.
A crítica vale quando é construtiva, quando se pretende
atingir o mesmo objetivo, porém, usando outra medologia.Quero
crer que as minhas palavras estejam sendo enquadradas nesse contexto,
da sugestão de modificar a forma de fazer, para melhor fazer e
chegar a resultados, quiçá, bem mais e melhores. Por
exemplo, com o mesmo tempo de exibição de um caso ou de
outro (são específicos cada caso) pode ser exibido o
trabalho de alguma entidade filantrópica, de uma ONG qualquer ou
mesmo da rede pública com as suas secretarias municipais para
assistência médica e social. Com certeza estaria fazendo o
mesmo trabalho social, porém com o cunho de utilidade
pública. Boa parte da população, muitas vezes,
carece de informações precisas sobre os seus direitos de
cidadão. Onde buscar este ou aquele serviço que lhe
garanta o exercício do que chamamos de cidadania. Óculos,
próteses, cadeiras de roda ou de banho, assistência
médica ambulatorial e hospitalar e até mesmo
sepultamentos são bens ou serviços que são
prestados, por força de lei, aos desprovidos de posses. E
mecanismos de controle social existem, como as curadorias, tanto da
infância quanto do idoso, para cuidar que essas pessoas tenham
acesso de forma indicriminada e sem atravessadores a esses
serviços. E os produtores desses programas televisivos sabem
disso! Falta-lhes a sensibilidade para promoverem uma mudança no
comportamento atual.
Fico com dor dessas pessoas que estão sendo expostas assim,
pensando que estão sendo "ajudadas" e na verdade considero que
elas estejam sendo exploradas, sendo escancaradas de forma despudorada
para garantir a audiência no horário mais do que a
satisfação da sua real necessidade.
Aqui fica uma mensagem de apelo, para que me digam se estou errado ou
se o caminho é este mesmo.
Fica com Deus!
O texto acima
está publicado no meu blog www.edson-leite.blogspot.com,
criado desde 2008, para relatar as minhas experiências e
vivência, após ter sido constatado o
câncer de
estômago com metástase para o fígado.