Um telejornal com cobertura nacional parece
alimentar-se de tragédias e dramas das suas vítimas.
Ontem o seu tempo foi ocupado com quase 70% para falar do terremoto e
suas consequências no Haiti, das vinte e três principais
notícias divulgadas, 16 foram sobre aquele país, 02
versaram sobre economia, uma sobre esporte, política e o tempo.
Até antes de ocorrer a tragédia com o povo haitiano, o
assunto era as enchentes na região sul e sudeste do Brasil. Como
sanguessuga vão mudando o foco das suas lentes à cata de
notícias tenebrosas, explorando-as até quando outro fato
de maior proporção ocorrer no mundo. É justo e
democrático o espaço que a imprensa ocupa nas
televisões do mundo, em particular aqui no Brasil, o que precisa
é aplicar a dose certa. Dizem que remédio em dose errada
é veneno! Assim é acontece com os nossos
noticiários, em qualquer rede de televisão, em qualquer
canal televisivo e por tabela em todas as demais formas utilizadas pela
mídia.
É bom sabermos do que acontece em nossa volta, mas com
variedades, sem repetições dos fatos, sem buscar o
sensasionalismo das manchetes emotivas, sem o choque de tantas imagens
de desespero e de dor. Que mostre as tragédias do jeito que
ocorreu, mas mostre também a beleza do pôr-do-sol, mostre
a inocência de uma criança num parque de diversões,
assim saberemos que a vida continua mundo afora, pois é a
verdade, a vida não pára!
AJUDA BRASILEIRA AO HAITI
Fico constrangido ter que comentar este tópico, mas é que
causa-me surpresa tamanha "bondade" do governo brasileiro em detrimento
das necessidades atuais de muitos dos nossos patrícios.
Está na mídia que o governo brasileiro contribuiu com 15
milhões de dólares para a reconstrução do
Haiti. Esta cifra representa mais que a soma das doações
feitas por países mais ricos, como: como Espanha (US$ 4,37
milhões), Alemanha (US$ 2,3 milhões), Holanda (US$ 2,9
milhões), Itália (US$ 1,5 milhões), Dinamarca (US$
2 milhões) e Suécia (US$ 1 milhão). A China
anunciou que vai mandar US$ 1 milhão. A Grã-Bretanha
mandará US$ 10 milhões e a Austrália, US$ 9
milhões.
O que o Brasil quer provar ao resto do mundo? Ou será somente um
blefe para atrair mais donativos dos outros países? Se assim
for, está certo! Somos um país continental. com mais de
cinco mil e quinhentos municípios, alguns deles padecendo na
seca do verão e outros sofrendo grandes perdas com as enchentes
ocorridas desde a virada do ano (e que já não são
mais notícias) e em comum a dor e a falta de recursos para a
reconstrução das suas casas, para adquirir os bens
essenciais que foram perdidos, como geladeira, fogão, cama,
etc. Seria o mínimo que o governo poderia está
fazendo pela sua gente para amenizar os prejuízos materiais,
já que não estamos falando da dor da perda dos parentes e
amigos.
E vemos uma cifra enorme sendo doada assim, como se fôssemos um
dos países mais ricos e abonados do mundo. O povo haitiano
merece toda ajuda humanitária, mas a responsabilidade não
pode ser abarcada por um único país, principalmente como
o nosso que tem inúmeras necessidades a serem satisfeitas e que
requer recursos financeiros. Não posso louvar a atitude do
governo brasileiro neste episódio.
A política externa e a solidariedade entre os povos deve sempre
existir, mas é preciso bom senso nessas horas. Procurar atender
aqueles que ncessitam internamente, afinal, somos os "produtores" dessa
riqueza que o governo acha que detém e controla. Na verdade, o
Brasil tem ainda um cobertor curto, quando cobre a cabeça
descobre os pés e vice-versa! Ou estou enganado?
Fique com Deus!
O texto acima
está publicado no meu blog www.edson-leite.blogspot.com,
criado desde 2008, para relatar as minhas experiências e
vivência, após ter sido constatado o
câncer de
estômago com metástase para o fígado.