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Roberto
Bezerra
Administrador de empresas, microempresário e colaborador da imprensa |
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Em terra de índio, contrato não apita Professor: um herói tratado como vilão Faixa de pedestre, puro avanço O insustentável direito de julgar Os velhos e os novos carnavais Faça o que gosta, trabalhe menos |
A idade de somar
Seu Aristides, morador de uma certa região, casado há mais de trinta anos e possuidor de um temperamento brincalhão e piadista, foi convidado juntamente com outros casais, tão antigos na cidade, quanto ele e sua esposa, para participar de um encontro onde seriam apresentados pela igreja à juventude, como verdadeiros exemplos de famílias moralmente equilibradas da sociedade local. O intuito principal do encontro era mostrar àqueles jovens que estavam noivos, alguns até já em dias de se casar, a importância de um casamento estável e a sua influência na formação futura dos filhos. O padre, no primeiro dia do encontro, muito simpático, fez questão de receber pessoalmente, aqueles casais, que segundo ele, representavam o pilar da seriedade e da união em sua paróquia e deveriam ser os espelhos das novas gerações. A igreja lotou e todos os casais antigos foram chamados à frente para explicar a essência de uma união tão duradoura e feliz em seus casamentos. Foram vários os depoimentos, todos repletos de muita emoção, o que deixava a comunidade, cada vez mais entusiasmada e incentivada a fazer mais e mais perguntas. Quando chegou a vez do seu Aristides, o padre já conhecendo o seu temperamento, cochichou no seu ouvido: - Aristides, pelo amor de Deus, não vá me aprontar alguma, nós estamos na igreja, tenha respeito por caridade. - É só ninguém me provocar que eu me comporto. Agora, se vierem me perguntar besteira, você me conhece bem e sabe que eu não deixo pergunta sem resposta. Nesse instante, levantou-se um casal no meio da igreja, daqueles que já conhecia bem o seu Aristides e estava a poucos dias do casamento, doido para atravessar o carro na frente dos bois e perguntou de supetão! - Seu Aristides, o senhor acha que é pecado fazer sexo antes do casamento? Foi um silêncio geral, o padre avermelhou e olhou para o casal, fulo de raiva. - Isso é lá pergunta que se faça meu rapaz? Você enlouqueceu? - Por quê padre? Por acaso o sexo é algum tipo de doença? Deixe que o homem responda, afinal ele é um homem experiente e sabe muito bem o que é bom e o que não é para um casamento, tanto é que está casado há trinta anos. Seu Aristides, com ares de quem ia começar a aprontar, empolgou-se com a pergunta e para desespero do padre, levantou a mão fazendo um sinal que queria responder. - Olha meu filho, se é pecado ou não eu não sei, agora, que na minha época as coisas não eram tão diferentes das de hoje, isso lá não era mesmo, a gente só tinha um pouco mais de cuidado para o pai da noiva não descobrir, embora que, vez por outra, dava um azar e a danada embuchava e aí o desmantelo tava feito. A igreja caiu numa gargalhada só e o padre olhou para seu Aristides com um olhar, que só não furou os olhos dele porque o mesmo desviou a vista. O padre já se sentindo arrependido apressou-se em querer encerrar as perguntas, mas era tarde, levantou-se uma noiva metida a puritana no centro da igreja e já sentindo que o seu Aristides, de inocente, não tinha era nada, foi logo sapecando outra pergunta indiscreta. - O senhor, nessa idade, seria capaz de trocar a sua esposa por uma mulher mais nova? - Nunca! Eu já não tenho mais idade para fazer as coisas desse jeito. Não trocaria nunca. Dessa vez, a igreja em peso aplaudiu seu Aristides, que empolgado, resolveu dar uma esticada na resposta. - Minha filha, se eu hoje arranjasse uma mulher mais nova do que a minha, tinha mesmo era que ficar com as duas, pois nessa idade, a gente não deve ficar trocando mais nada, tem mais é que somar as coisas, entendesse? O padre engoliu em seco!!
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