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(Célio Furtado) - 30/12/2010
Em 2011 espero muitas coisas, que sei não
vão acontecer. Ainda não, porque é cedo.
Queria educação séria e funcional para educar e
dar suporte a milhões de adolescentes, carentes de
ambições juvenis.
Mas espero vir, pelo menos, o anseio, o espírito de desejo de
transformação.
Sou brasileiro e tenho a fé brasileira. Acredito que esse
torrão ainda venha ser exemplo de país para todas as
nações. Sobram terra e riqueza, falta nela divisão
justa. Falta justiça para conter a hemorragia do sangue do crime.
Quero minha bandeira com as mesmas cores, mas com brilho e significado
diferentes. Que o verde não simbolize apenas a
recuperação das nossas matas destruídas e
queimadas, mas que sugira esperança.
Chega de país de faz de conta. Tenho vergonha do título
que recebemos sempre que a lembrança é Brasil.
País da criminalidade, da impunidade, corrupção e
maus políticos. Terra assimétrica, desigual.
Quero no amarelo da minha bandeira, não apenas riqueza. Pois, de
que adiantará sermos a quinta economia mundial, daqui a quatro
anos, se miseráveis continuarão desfilando ao lado de
milionários na marcha tonta da desigualdade?
Quantos continuarão trabalhando em apartamentos de cobertura e
vivendo em barracos de favela, dependurados em encostas de risco?
Quantos vão amanhecer em corredores de hospitais
públicos, gemendo pela dor do descaso, ou quantos corpos
vão continuar apodrecendo em quintais de imls?
Em 2011 quero uma polícia séria, sem cara de
pulícia, mas com expressão de Polícia de
verdade, e com p maiúsculo. Polícia que suba morro para
humanizar favelas, e não para negociar com traficantes.
Quero que os traficantes de lá continuem lá, e que venham
até nós apenas as unidades pacificadoras. Bandidos temos
de sobra.
Quero mães se alegrando com seus filhos, vendo-os chegarem em
casa todos os dias, planejando seu futuro, semeando a vida com a
certeza da boa colheita.
Chega de Cissas Guimarães que choram a morte dos seus filhos
sabendo que os crimonosos vão pagar seus crimes com
doações de cestas básicas.
Em 2011 quero um Brasil sério, de homens guerreiros e honrados,
como o nosso vice-presidente. Unanimidade na política
brasileira, José de Alencar é admirável em todos
os sentidos. Uma bela lição de que alguém pode ser
político e empresário sendo honesto e correto.
Exemplo de perseverança e fé, desejo que viva e continue
a inspirar mentes. Contudo, não custa perguntar: O que
leva Alencar, em constante conflito com a vida, ter essa
trajetória? Sua fé em Deus, a perseverança, o
organismo, ou o dispendioso tratamento no hospital
Sírio-libanês, onde entra qualquer hora, qualquer dia?
Será que outros não têm a perseverança desse
mineiro, ou será que Deus percebe apenas seus lamentos, sem
ouvidos para os que choram nas filas do sistema único de
saúde?
Não temos terremotos, tsunamis nem furacões, não
temos vulcões que aterrorizam o tráfego aéreo. A
neve que aqui existe é o sol que ilumina nossas praias e borram
o verão de cores e descontração. No entanto,
falta o principal: educação de qualidade, como o modelo
implantado pela Coreia do Sul.
Deus nos abençoou com abundância e harmonia natural.
Falta-nos fazer o dever de casa, a lição bem feita, que
só através dela será possível tornar esse
lugar no maior país do mundo.
Em 2011 peço, sonho, torço, clamo e conclamo para que
essas mudanças nasçam e se façam, todas elas, pois
maior, bem maior que uma potência econômica é, sem
dúvida, uma potência de valores e homens.