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(Célio Furtado) - 17/08/2010
"O tempo, nada mais é que a imagem móvel
da eternidade imóvel," disse Platão. Definido assim,
limita-se ao presente, paciente e constante.
Albert Einstein gostava das coisas palpáveis e concretas.
Evitava mirar a incerteza do amanhã para não se descuidar
da verdade do presente: "Nunca penso no futuro, ele chega rápido
demais."
Estou na sala. O relógio da parede "um carrilhão velho,
mas bem conservado" toca, rompendo o silêncio. São quinze
para meia noite. As notas soam tristes, como de fadiga.
Feito para acompanhar o tempo, às vezes se tem a
impressão que vai cansando, como tudo mais. Um dia
cansará de vez. Virá outro, depois outro. O tempo
permanecerá o mesmo, presente contínuo dentro de uma
eternidade imóvel.
Penso nas coisas que aprendi no decorrer da vida. Sobre a generosidade,
entendi que oferecer sem limitar vicia quem recebe e diminui a
capacidade daquele que oferta.
Sobre o amor, entendi que amar não quer dizer transferir todo
sentimento de um ser para outro, pois empobrece a alma.
Sobre segurança percebi que companhia e segurança andam
juntas, por saber que o amor é quem determina o tempo da
companhia. Portanto, se você perde amor, perde segurança.
E quem se sente inseguro não tem forças, sequer, para
amar a si mesmo.
O tempo me mostrou que o crescimento é fruto da angústia
e dos tropeços, e aprender sem por em prática o
ensinamento adquirido, é pior que não aprender, pois
sentimentos represados acomodam o corpo e angustiam o espírito.
E que emoções contidas são sentimentos sombreados,
vez que sem luz a alma abrolha rancor.
Sobre o conhecimento, aprendi que nunca fomos tão experientes
quanto somos e se fôssemos o que somos seríamos muito
melhores. Por isso quando o futuro se transforma em passado os casos se
tornam tão simples.
Sobre as emoções, entendi que não existe
felicidade, mas apenas estado de espírito. Se o acerto supera o
erro, a vida é maravilhosa, se o erro abate projetos e
expectativas, ela passa a ser engano e ilusão.
Sobre esperança e verdade, percebi que tememos a incerteza do
amanhã, embora esperamos o melhor e enfrentamos a realidade do
que vier.
Sobre agradecimento, vi que significa dizer a outra pessoa o quanto ela
foi importante, e que nem sempre o espírito de agradecer
tem o tamanho da coragem de pedir.
E aprendi ainda, não pelas mãos do tempo, mas pela luz de
Chico Xavier que Deus é aquele que nos concede, a cada dia, uma
página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos
nela, corre por nossa conta.