portalbip.com (Célio Furtado) - 20/06/2009
Os limites nunca se esgotarão porque sempre existirá o novo.
Este surpreende através do desconhecido, novo até para ele mesmo. O
momento seguinte é a mágica que falta para encantar a platéia desanimada
que vê o espetáculo transcorrer sem suspenses.
Deter essa percepção é entender que o importante é enxergar o caminho
emergente, e não aquele em que ora se encontra porque o presente é
resultante do passado. O passado nada constrói senão a história. Dele se
extrai apenas lições e lembranças, e a partir destas o lamento por não
poder reviver os bons momentos e o alívio por ter deixado para trás
dissabores e amarguras.
Todo presente é momento de recomeço e renovação. A água que surge da fonte
é cristalina e jamais voltará ao seu estado original a não ser depois de
um longo percurso e primoroso processo. Esse ciclo envolve tempo porque
para todo certo tempo existe tempo certo.
A natureza é inteligente e o poder regente – o que lhe deu sopro – criou
laços e estreitou relações de modo a fazer tudo depender de tudo. A
verdade desse princípio é que não existe maior nem menor, apenas o mais
apropriado.
O universo é um imenso expositor onde se tem a opção de escolher. Escolhas
erradas geram desconforto que só é eliminado com novas escolhas. Por isso,
o presente traz tanta infelicidade. O presente nunca nos conforma.
Insatisfeitos, recorremos ao novo na tentativa de que nos traga o acerto.
É como o jogador que remove a carta do
baralho na esperança de que nela encontre a resposta para o seu jogo.
A história é algo que se pode justificar, porém jamais negar os fatos.
Eles passam como páginas lidas que permitem a elas recorrer mas sem o
envolvimento da primeira vez. É quando se passa a entender que a repetição
tem a virtude do apuro e o vício da monotonia.
De tanto se pôr o sol perde a beleza e quando se põe a falta que deixa é a
luz que carregou consigo, e não a beleza que imprimiu no céu. Assim, fica
explícito que jamais nos cansamos do necessário.
Se não existissem as estrelas para povoar a imensidão do céu negro se
arrumaria outra forma de distrair a noite porque o seu maior encanto está
em saber que ela passará trazendo de volta o sol na manhã seguinte.
Como um rio a vida quer fluir porque tudo é energia. A gota d’água que
consegue movimento tem capacidade de se tornar rio. Tudo em seu redor
interage inclusive as pedras aparentemente imóveis e imutáveis.
Onde há vigor e animação há mudanças. Essa é a sabedoria do curso d’água.
Sua determinação é o que o impulsiona para frente, que o faz vencer
curvas, desvios e obstáculos.
Centrada em cumprir sua missão a correnteza não quer saber o que carrega
atrás de si, porque estará sempre ocupada em vencer os obstáculos. A sua
superação é o que fará encontrar o oceano e dele fazer parte. De lá um dia
subiu a montanha em forma de nuvem. A chuva devolveu-a à terra,
assegurando-lhe novamente a graça de brotar em forma de gota para outra
vez se tornar rio. E é justamente daí que se conclui que os limites nunca
se esgotam porque sempre existirá o novo, e o novo não é senão a
palavra mágica que encanta a platéia no espetáculo da vida.