Fest verão Paraíba, 18 de
janeiro de 2009, dez e vinte da noite. Trinta mil pessoas contagiadas,
entregues e indefesas, todas reféns do ritmo eletrizante da banda Biquini
Cavadão. Foram duas horas ininterruptas de um espetáculo frenético
orquestrado pelo inquieto Bruno, vocalista dotado de uma energia e luz
próprias que cuidam de gerar calor e fazer vibrar tudo em volta. Eu já
sabia que ele "é o cara", mas como o tempo passa e tudo tem seu tempo,
tinha a impressão de que a energia de Bruno era esgostável como todas as
coisas. Não era. Biquini é a versão nossa dos Rolling Stones; Bruno, nosso
Mick Jagger.
Enquanto Biquini canta e encanta, ninguém vê as horas, a crise, o calor.
Tudo é vida, graça e beleza reveladas nas inúmeras "janaínas, camilas e
danielas" que enchem nossos olhos de desejo e contentamento. É quando
todos, em uníssono, mandam os fantasmas do mundo se danarem. Então, que se
dane o trânsito caótico, o calor infernal, nossas dívidas, a miséria de
muitos, o tédio, o passado, futuro... dane-se tudo que não tiver Dani,
dane-se tudo que não tiver a energia contagiante de Biquini. Apesar de ser
domingo, é verão; por isso, como diz a canção, dane-se o emprego, o
salário, o patrão, dane-se, enfim, o medo, a loucura, a razão.
Entre uma música e outra apenas o nada, porque tudo segue no mesmo ritmo,
com a mesma intensidade. A banda não pode esperar pois o mundo tem pressa,
e essa pressa gera mais energia que balança a massa, que num frenesi sem
igual sacode os braços
enquanto os gritos se misturam ao som do melhor do rock nacional. Do
camarote da imprensa, assisto a tudo perplexo e absorvido pela grandeza do
momento. Tudo é único, mágico, fantástico. Trinta mil pessoas a trinta mil
por hora. Bruno clama por Ben Jor e canta "Chove chuva", uma forma de
prece para serenar os ânimos e atenuar o calor do verão. Não adianta, o
povo é pura adrenalina e só tem um desejo: que ele não pare, que aquilo
nunca termine.
Faltava pouco para meia-noite quando se ouve uma das mais belas canções da
banda: Quanto tempo demora um mês. A multidão reage, acalma-se,
emociona-se e canta: "Mas agora você vai embora/quanto tempo será que
demora/um mês pra passar... Daqui a um mês quando você voltar, a lua vai
estar cheia e no mesmo lugar..." E embora se aproximasse a hora da
despedida, o público extasiado não dava sinal algum de cansaço ou de que
pretendia se entregar. Pena, Biquini, que vocês não estarão novamente aqui
em um mês. Estarão sim, fazendo vibrar outras platéias,fazendo pulsar
ainda mais forte outros corações. Pena mesmo, porque daqui a um mês,
também eu estaria lá, pra receber e me contagiar com toda essa energia
positiva, mais uma vez...
