Um discípulo procurou o Senhor para se lamentar por desconhecer o caminho da humildade. Disse:
Mestre, como é difícil seguir
tuas palavras, pois tudo o que o espírito pede, a matéria renega.
E o Mestre disse: Não pense encontrar apenas mar calmo na travessia. Quem
ama se sujeita aos riscos e incertezas do amanhã. O amor tem muito dos
oceanos: eles são imensos, repletos de belezas e mistérios, impõem
desafios e surpreendem com tempestades, mas nem por isso as embarcações
deixam de seguir em busca de seus objetivos.
O discípulo perguntou: O
que leva alguém enfrentar incertezas e se arriscar tanto?
Respondeu o Mestre: A esperança. Enquanto acredita em alguma coisa o homem
avança em função dessa coisa. Aqueles que enfrentam os perigos da noite o
fazem porque são alimentados pela esperança de reencontrarem a luz do
amanhecer. A expectativa da chegada supera as adversidades do caminho,
pois onde há amor há esperança.
Expressando dúvida através do olhar o discípulo questionou:
Mas, afinal o que leva alguém seguir adiante: O amor ou a esperança?
As palavras do Mestre soaram com saber:
A esperança não é um fim, mas
simplesmente um meio. O fim sempre foi e continuará sendo o amor.
Infelizmente, a maioria interpreta mal e vê o amor como uma recompensa, um
presente que está no futuro. Por isso a esperança tem tanto relevo. Se
aprendemos harmonizar a agonia das tempestades com o deleite oferecido
pelo pôr do sol, estaremos amando porque ambos, tanto a dor quanto a
voluptuosidade ensinam.
Pensativo e parecendo ter descoberto algo importante, o rapaz perguntou:
Então o amor seria equilíbrio?
O Mestre respondeu:
Nunca encontrei alguém que, desejoso para encontrar
o amor, não batesse, antes, a porta do equilíbrio. Sem este nenhum caminho
será percorrido com firmeza, sem este a esperança é transitória e o amor
se resume a uma paixão vaga e superficial.
O outro disse:
Então Mestre, o que faço para ter equilíbrio?
E o Mestre concluiu: Cultive o sentimento da humildade. Só esta é capaz de
fazer o homem julgar que o oceano é maior que a arrogância e a
precipitação.
