A árvore era grande, firme e vigorosa, os seus galhos
frondosos se projetavam para o lado, esfriando a curva do caminho. Dois
rapazes passavam por ela e um disse:
- Esta árvore é milagrosa.
- E que tipo de milagre ela causa?
- As pessoas têm problemas, ela a solução.
- E como acontece?
- Alguém vem aqui, ajoelha-se, abre os braços e fecha os olhos, depois
pergunta o que quer. Daí, ela diz o que fazer.
- Então vou me ajoelhar, pois preciso de uma resposta.
O outro recuou, afirmando:
- Não é tão simples. Antes de pedir algo, teste sua confiança, encontre
sua certeza.
- Estou certo do que vou pedir.
- Pode estar certo, mas não confiante. Muitos vêm aqui e voltam sem
resposta, simplesmente porque não estão confiantes. Não basta pedir, é
preciso saber pedir, encontrar-se estável no propósito. Meu avô diz que
saber pedir é, antes de tudo, desejar muito, querer que aquilo aconteça,
mesmo que demore.
Na hora do pôr do sol do dia seguinte o amigo voltou ao lugar. Olhou para
a árvore e pensou: Você é um grande exemplo de vida: não se move, não tem
braços nem pernas, mesmo assim é robusta e majestosa, pois sabe bem
aproveitar o que a natureza lhe oferece.
Ajoelhou-se, fechou os olhos, respirou fundo. Silenciou por alguns
minutos, até que falou:
- Mostra-me, ó árvore milagrosa, como vencer meus obstáculos!
Mas, a não ser o movimento de ramos e folhas agitados pelo vento do
entardecer, nada se alterou diante de si.
Outra vez o rapaz disse, com os olhos fixos no tronco: - Ó árvore
milagrosa, como vencer meus obstáculos?
E outra vez nada ouviu. Não se dando por vencido voltou a perguntar num
tom sussurrante. Novamente não houve resposta. Fez a mesma pergunta muitas
e muitas vezes, até que ouviu uma voz distante:
- A resposta está na tua perseverança, com ela vencerás todos os
obstáculos.
E nada mais ouviu, pois ficou tão encantado que perdeu a concentração.
Abriu os olhos e percebeu que já era noite. Então se levantou e voltou
para casa.
