Comparo a internet a um latão de lixo doméstico europeu
onde, do meio dos detritos e imundícies produzidos pela coletividade,
podem ser encontrados objetos valiosos, desde eletrodomésticos semi-novos
a obras de arte que, por algum motivo, perderam o encanto. É questão de
saber procurar.
A origem da internet se assenta nos anos sessenta quando a guerra fria
tornou-se uma ameaça mundial. O governo norte-americano queria desenvolver
um sistema para que seus computadores militares pudessem trocar
informações entre si, de modo que não sofresse interferência da
inteligência inimiga, no caso a União Soviética.
Ninguém imaginaria que em poucos anos esse sistema, aprimorado, ganhasse o
mundo a ponto de ser um dos meios de comunicação mais populares criados
pelo homem e também uma porta larga de acesso ao bem e ao mal.
Na rede todos têm liberdade para ingressar nos milhões de escolhas
existentes, livre-arbítrio que às vezes podem custar, no mínimo,
desperdício de tempo. Como a internet parece imitar a vida, é mais fácil
encontrar futilidades do que coisas realmente importantes, pois a moléstia
pode estar à superfície qual uma pedra no meio do caminho. São as
armadilhas, as tentações que geralmente só levam a um lugar: enganar o
navegador, cansá-lo e ofuscar as preciosidades.
Com um pouco de sensibilidade muita coisa boa pode ser encontrada e
apreciada. É o caso dos sites automatizados de notícias, de boas revistas,
museus e outros atrativos culturais, como o Itaú Cultural, um site voltado
para a pesquisa, incentivo e a difusão de manifestações
artístico-intelectuais com a missão de gerar conhecimento sobre as artes
brasileiras. É uma forma prática e eficiente de acesso à cultura.
Nesse site uma ferramenta valiosa é a Enciclopédia de Artes Visuais, bases
de dados sobre diferentes expressões artísticas, constantemente revisadas,
atualizadas e aprimoradas, que apresentam informações sobre conceitos,
obras e artistas.
Navegar na rede não é difícil e para encontrar bons locais de visitação há
muitos caminhos, um deles é a partir de um capaz site de buscas, como o
Google.
A cada dia visito um museu diferente e daí conheço a história de seus
artistas, suas obras, além de fazer uma leitura breve sobre época e
civilizações, e tudo sem nenhum custo.
Há uma grande diferença entre uma visita física ou virtual. Como numa
partida de futebol que assistimos na TV, não há a energia nem a vibração
de quem se encontra no estádio, mas o conforto e a facilidade compensam. É
só uma questão de costume.
