Tomar consciência é a condição prévia e necessária para poder assumir qualquer responsabilidade.
Vivemos tempos difíceis, todos sabem. A ambição desmedida, o afã de lucro
fácil e pessoal, a falta de critério e atitude decorosa, onde o que
importa são os fins, a impunidade, o cinismo com que deixam de cumprir
obrigações, deforma certamente as regras do bom viver.
A ética foi deslocada pelo pragmatismo dos números. As comunicações
mostram um verdadeiro espetáculo de variedades em torno da vida e da obra
dos indivíduos que atingiram sucesso, sem questionar os meios utilizados
para alcançá-lo. A fama, a admiração e o aplauso parecem patrimônio
daqueles que obtiveram o êxito econômico, mesmo à margem da ética.
O que fazer? Tomar consciência é a condição prévia e necessária para poder
assumir qualquer responsabilidade. Só podemos atuar sobre aquilo que temos
consciência de sua existência.
Todo indivíduo que leva a cabo a tarefa de dirigir um agrupamento humano é
um dirigente. Entretanto nem todo dirigente é um líder. Pode ser um chefe,
ocupar formalmente cargo ou posição hierárquica e, em função disso,
decidir e atuar sobre outras pessoas.
Ser líder vai além do formal. É dispor de um poder que os demais outorgam
em sinal de reconhecimento a autoridade moral, que vem da credibilidade e
da confiança que recebem e inspiram aos que o cercam.
O dirigente é antes de tudo um ser humano e, como tal pode não dissociar
seus sentimentos, modo de pensar e atitudes, na vida privada e na sua
ocupação social. O dirigente reflete em sua atividade social o que ele é
como indivíduo, sua personalidade.
Para que um processo de mudança seja verdadeiro é preciso começar por
aqueles que a encabeçam, exatamente pelo fato de planejarem, decidirem e
executarem as políticas organizacionais.
O fato de um indivíduo possuir integridade moral, bons sentimentos e
atitudes positivas não supõe necessariamente que possam conduzir pessoas.
Compõem a cena, contudo precisam conseguir entusiasmar e comprometer
aqueles.
Imaginem assim: jamais manipulem a verdade. Quem pensa desse modo
menospreza ou subestima seus semelhantes e não se da conta de que os
números são a expressão quantitativa do trabalho das pessoas e que a
qualidade do produto final, seja ele qual for, é o resultado da qualidade
do trabalho, que, por sua vez, é o reflexo da qualidade profissional e
humana daqueles que o executam.
São os tempos atuais e suas dificuldades.
