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Ganhar no grito - sinal de inferioridade

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 11/07/2010
Vez por outra encontramos pessoas agressivas ao dialogar. Dependendo do estado de humor ou de suas pretensões, alternam doçura com rispidez, verbalização afável e carinhosa com grosseria.

Com respostas contundentes e desconcertantes, adotam os fatores surpresa e veemência como modelo para deixar os circunstantes atônitos, mudos, sem palavras para revidar, ocasião que julgam assumirem o comando das ações. Isto reflete um processo de insegurança, muitas vezes descabidos, até porque em alguns momentos possuem qualidades que podem lhes assegurar relações interpessoais prósperas, duradouras e salutares, sem riscos.

Para eles suas verdades são únicas e inquestioná-veis

Outras tantas se mostram sarcásticas e irônicas, na premissa de tirar a paz e a tranqüilidade do outro. Falam alto, maltratam ou desvalorizam seus semelhantes, tornando-os fracos, inseguros e desestabilizados emocionalmente.

As pessoas que adotam a violência vivem sempre na defensiva, sentem-se inferiorizadas, razão pela qual estão a todo instante prevenidas contra gestos ou palavras que julguem depreciativas. Sua consciência é de que não é uma pessoa aceita e de que todas as outras lhe repelem.

São detentoras de uma visão pessoal e dela não abre mão. Para elas suas verdades são únicas e inquestionáveis. Do alto dos seus egos assim afirmam: ninguém me diz o que tenho que fazer; tenho minhas convicções.

Comumente alteram o tom da voz, postura física e gestos, como maneiras de intimidação. Merecem atenção especial, no seguinte sentido: são ambivalentes, mutantes e solidários, enquanto você servir aos seus objetivos. Caso deixem de servi-los, negarão e boicotarão tudo aquilo que aplaudiram.

Conviver com eles, portanto, é viver em permanente expectativa. Vejam bem, seu bem estar dependendo do humor do outro. Adotam comumente a palavra “não” como chave ou refrão, quase sempre sem a menor avaliação. Usam e abusam da incontinência verbal. Criam realidades que não existem, tendo como propósito despertar medo e intimidação, na expectativa de assegurar poder e domínio.

Demóstenes, o filósofo assim se expressou: as palavras que não são seguidas de fatos, de nada valem. As palavras são como moedas, uma vale por muitas, do mesmo modo que muitas não valem por uma, daí a necessidade de utilizá-las com responsabilidade, inteligência e precisão.

A dificuldade de convivência existe e não é fácil. Os fatos não deixam de existir simplesmente se forem ignorados. Os limites da tolerância humana muitas vezes se esgotam.

Ignorá-los é um caminho. Rebatê-los com inteligência, critério e educação, outro. Ceder e se amedrontar, jamais!
Aucélio Gusmão
  • Médico anestesiologista, escritor, presidente da UniGente-JP e da Unimed-JP
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