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O óbvio e o bom senso

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 18/06/2010
Certa ocasião, George Santayana vaticinou “aqueles que não conseguem se lembrar do passado, estão condenados a repetí-lo”. Isto decorre do fato de que a condição humana não mudou, o mundo continua impulsionado por desejos, paixões e ambições.

Por outro lado, é preciso se considerar que toda visão deve ser projetada para um longo prazo, até porque a história se revela sempre lentamente, razão pela qual a verdade leva tempo para ser descoberta.

O óbvio é quase sempre simples, tão simples, que às vezes não é percebido, pois, um simples olhar não o enxerga.

Mark Twain pensou e escreveu assim: você não consegue chegar à verdade das pessoas até que elas estejam mortas, às vezes até muito tempo depois de mortas. É uma realidade presente, atestada pela própria história universal.

Todo problema quando resolvido é considerado simples (General Motors). O óbvio é quase sempre simples, tão simples, que às vezes não é percebido, pois, um simples olhar não o enxerga. Em contrapartida idéias inteligentes, engenhosas ou complicadas fogem do caráter obviedade.

A história da ciência, das artes e dos grandes desenvolvimentos no mundo dos negócios é uma história de homens que tropeçam em soluções para problemas complexos. Neste sentido, a solução quando encontrada poderá ser considerada clara, evidente, óbvia.

Qual seria então a relação com a natureza humana? Normal e conseqüente, na medida em que o público é curiosamente óbvio em suas reações, porque a mentalidade do público é simples, direta e não sofisticada.

Outro bom caminho é o ao se ter uma idéia, plano ou projeto, escrevê-lo com palavras comuns, de uma ou duas sílabas, como se estivesse explicando a uma criança. Caso careça de grandes explicações já se remete a pensar distante do óbvio. Quando você encontrar resposta, aí sim a resposta será simples, e você imaginará “como não pensei nisto antes?” É a obviedade desperta, explodindo.

Por fim, existe o tão decantado “momento certo”. Nem antes, nem atrasado. Nele reside a oportunidade, exatamente quando a ação resolve e o óbvio se apresenta pleno e definitivo.

O óbvio caminha junto com o bom senso. Este deve ser entendido como a sabedoria compartilhada. Alguns líderes ou dirigentes deixam o bom senso no estacionamento quando vão trabalhar e decidir. Nos dicionários bom senso significa: o bom julgamento, sem viés emocional ou sutileza intelectual.

Para Jack Trout, se precisa de pouca coisa para se pensar simples, com clareza e bom senso. Basta tirar o ego da situação. O bom julgamento despreza vaidade e busca a proximidade da realidade. Evitar imaginar como gostaria que as coisas acontecessem. O bom senso sugere pensar as coisas como elas acontecem.

Aperfeiçoem a capacidade de ouvir. É preciso dar atenção ao que os outros falam ou pensam. Se assim não fizer, fica difícil uma posição caracterizada por bom senso. O bom senso se baseia na experiência de muitos, e não como alguns gostariam que fossem.

Recado final. Diante de dificuldades, pesquisem e descubram quais forças – internas ou externas – estão no sentido contrário do óbvio e do bom senso. Estar advertido é estar preparado. Líderes e dirigentes deveriam confiar no bom senso. Ele os conduzirá certamente à verdade, à realidade, ao simples, ao óbvio.
Aucélio Gusmão
  • Médico anestesiologista, escritor, presidente da UniGente-JP e da Unimed-JP
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