Na dialética homem – sociedade, o homem
é simultaneamente produto e produtor. Distingue-se dos outros
animais pela cultura, através da qual carrega a marca humana do
saber e do desenvolvimento.
Pensando assim, a cultura e o homem se retroalimentam. O homem caminha
atrelado ao mundo que imaginou e como ator social, tem seus pensamentos
e comportamentos com a mesma carga genética.
O desafio que lhes resta, inteligente que é, é dar
sentido aos conhecimentos, às vezes destoantes, conscientes de
que os fatos interferem em suas ações, e estas em novos
fatos, a objetividade na subjetividade e a interioridade na
exterioridade.
O homem caminha atrelado ao mundo que imaginou e como ator social,
tem seus pensamentos e comportamentos com a mesma carga genética.
O século XX pregou a objetividade. Focou a vida voltada para o
mundo exterior. Ignorou de certa forma a subjetividade, como se no
homem não existisse sentimento e emoção. Na
verdade, uma não exclui a outra.
A cultura não pode ser confundida com a natureza humana, nem com
a personalidade do indivíduo. A natureza humana é fruto
da árvore genealógica, herdada dos gens, muito pouco
fruto da imposição.
A personalidade do indivíduo, esta sim, é influenciada
pela cultura e pelas experiências pessoais. A cultura traz como
traço característico sua relatividade. Diferentes grupos
podem pensar, sentir e agir de forma diferenciada.
Alguns estudiosos dividem o Brasil em arcaico e moderno. As pessoas do
arcaico têm baixa escolaridade, são mais passivas,
valorizam sobremaneira a autoridade, especialmente religiosa, a quem
entregam seus destinos. Os modernos são proativos, se
autodeterminam, comprometem-se com seus projetos e buscam argumentos
para materializá-los.
A propósito, o poeta Mário Quintana escreveu um poema
chamado “Deficiências” que retrata a
incompetência que existe em muitos, especialmente ligadas
à sua interioridade, seus sentimentos, seus
corações:
DEFICIENTE, é aquele que não consegue modificar a sua
vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da
sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono
do seu destino; LOUCO, é aquele que não procura ser feliz
com o que possui; CEGO, é aquele que não consegue ver seu
próximo morrendo de frio, de fome, de miséria e só
tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores;
SURDO, é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo ou
um apelo de um amigo, pois está sempre apressado para o trabalho
e quer garantir seus tostões no fim do mês; MUDO, é
aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por
trás da máscara da hipocrisia; PARALÍTICO,
é quem não consegue andar na direção
daqueles que precisam de sua ajuda;
MISERÁVEIS, são todos que não conseguem falar com
Deus; a AMIZADE é o amor que nunca morre.
Reflitam!