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Maquiavel e o dia a dia

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 10/04/2010
Regra geral os animais adotam práticas defensivas para se livrarem das agressões. Nicolau Maquiavel, o pensador político, sugere que se deve observar e aprender com eles e exemplifica com a relação entre leão, o lobo e a raposa.

Não é porque o leão tão forte e voraz subestima as armadilhas que lhes colocam que a raposa não deva se proteger dos lobos. Fazendo um paralelo, os homens de bem, que ajudam a construção dos resultados, que estimulam sobremaneira na sociedade uma consciência de que o todo é construído de pequenas partes, que a vantagem individual não edifica sociedade nenhuma, devem agir como a raposa para se proteger das armadilhas e como leão para afugentar os lobos.

Aos escritos de Maquiavel são reservadas interpretações diversas.

Aos escritos de Maquiavel são reservadas interpretações diversas. Ele próprio se definia como alguém que escreveu sobre o mundo como ele era e não como desejaria que fosse. De maneira fria, objetiva e direta, como o povo é governado.

Sendo assim, Maquiavel deve ser lido de duas maneiras: como manual de instruções para chegar ao poder ou como uma análise comportamental – exata e sincera do exercício do poder pelos detentores do poder.

Os termos maquiavélico e maquiavelismo, contudo, entraram para a história como sinônimo de algo negativo. Alguém é maquiavélico quando cursa a vida com atitudes cheias de segundas intenções, procuram sempre passar os outros para trás, espalham boatos, histórias inverídicas, mentem, sempre na busca do proveito próprio. O maquiavelismo seria então a prática destas premissas, da traição, da dissimulação, da manipulação das verdades.

Por isto mesmo, até hoje, O Príncipe, principal livro de Maquiavel, e tido por muitos como um ensinamento competente e valioso de como extrair vantagens e tapear ou outros.

Sua frase mais famosa – mas distorcida também – a propósito de racionalidade das decisões, foi na verdade assumida séculos depois por Max, sob o título “racionalidade instrumental” ao considerar um atributo fundamental da economia empresarial moderna, os fins justificam os meios.

Ante estes comentários e leituras, uma decisão ou escolha é considerada racional quando a opção adotada para atingimento de determinados fins, levarem a realização do pretendido, independentemente de que esta atitude seja melhor ou pior, em termos éticos ou legais. Vale os resultados!

Para tanto, surge de permeio, majestosa e imponente, aquilo que chamamos consciência, baseada num cálculo de conseqüências, que não configure jamais abuso de poder, que será entendida e cuja explicação única, decisiva, corajosa e racional seja a obtenção por este meio para produzir os fins desejados.

No dia a dia, as empresas precisam de dirigentes lúcidos, conscientes e destemidos, que contrariem interesses e busquem sempre o resultado auspicioso para o conjunto social – seus acionistas, seus colaboradores, seus clientes e a sociedade onde esteja inserida.

Que tenham coragem moral suficiente para assumir atitudes conseqüentes e salvadoras, desde que proteja o negócio e todos os envolvidos no ambiente do negócio.

E façam jus, a um julgamento satisfatório, de que suas atitudes e ações, algumas vezes colidentes com o estabelecido, o politicamente correto, encontre guarida naquilo que Max chamou de “fundamento da economia empresarial moderna”, resultados, plenamente ajustado com Maquiavel “os fins justificam os meios”.

Até a lei, uma vez distanciada dos costumes e dos anseios da sociedade, torna-se uma má lei, cujo destino ante a inadequacidade, é a obsolescência e não aplicação.

O homem que rege uma grande orquestra fica de costas para o público, tal qual aquele que dirige uma grande organização. Seu objetivo maior é desempenhar seu mister da melhor maneira possível e encontrar a excelência. O aplauso é um subproduto.

Aucélio Gusmão
  • Médico anestesiologista, escritor, presidente da UniGente-JP e da Unimed-JP
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