Aos escritos de Maquiavel são reservadas interpretações diversas. Ele próprio
se definia como alguém que escreveu sobre o mundo como ele era e não como
desejaria que fosse. De maneira fria, objetiva e direta, como o povo é
governado.
Sendo assim, Maquiavel deve ser lido de duas maneiras: como manual de instruções
para chegar ao poder ou como uma análise comportamental – exata e sincera do
exercício do poder pelos detentores do poder.
Os termos maquiavélico e maquiavelismo, contudo, entraram para a história como
sinônimo de algo negativo. Alguém é maquiavélico quando cursa a vida com
atitudes cheias de segundas intenções, procuram sempre passar os outros para
trás, espalham boatos, histórias inverídicas, mentem, sempre na busca do
proveito próprio. O maquiavelismo seria então a prática destas premissas, da
traição, da dissimulação, da manipulação das verdades.
Por isto mesmo, até hoje, O Príncipe, principal livro de Maquiavel, e tido por
muitos como um ensinamento competente e valioso de como extrair vantagens e
tapear ou outros.
Sua frase mais famosa – mas distorcida também – a propósito de racionalidade das
decisões, foi na verdade assumida séculos depois por Max, sob o título
“racionalidade instrumental” ao considerar um atributo fundamental da economia
empresarial moderna, os fins justificam os meios.
Ante estes comentários e leituras, uma decisão ou escolha é considerada racional
quando a opção adotada para atingimento de determinados fins, levarem a
realização do pretendido, independentemente de que esta atitude seja melhor ou
pior, em termos éticos ou legais. Vale os resultados!
Para tanto, surge de permeio, majestosa e imponente, aquilo que chamamos
consciência, baseada num cálculo de conseqüências, que não configure jamais
abuso de poder, que será entendida e cuja explicação única, decisiva, corajosa e
racional seja a obtenção por este meio para produzir os fins desejados.
No dia a dia, as empresas precisam de dirigentes lúcidos, conscientes e
destemidos, que contrariem interesses e busquem sempre o resultado auspicioso
para o conjunto social – seus acionistas, seus colaboradores, seus clientes e a
sociedade onde esteja inserida.
Que tenham coragem moral suficiente para assumir atitudes conseqüentes e
salvadoras, desde que proteja o negócio e todos os envolvidos no ambiente do
negócio.
E façam jus, a um julgamento satisfatório, de que suas atitudes e ações, algumas
vezes colidentes com o estabelecido, o politicamente correto, encontre guarida
naquilo que Max chamou de “fundamento da economia empresarial moderna”,
resultados, plenamente ajustado com Maquiavel “os fins justificam os meios”.
Até a lei, uma vez distanciada dos costumes e dos anseios da sociedade, torna-se
uma má lei, cujo destino ante a inadequacidade, é a obsolescência e não
aplicação.
O homem que rege uma grande orquestra fica de costas para o público, tal qual
aquele que dirige uma grande organização. Seu objetivo maior é desempenhar seu
mister da melhor maneira possível e encontrar a excelência. O aplauso é um
subproduto.

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