A competição predadora é caracterizada da seguinte forma: sua oferta
é uma cópia piorada do original; seus administradores fazem do lucro
fácil sua motivação maior; usam mão de obra mais barata do que
talentosa; não valoriza uma relação ética e moral com o mundo que lhe
cerca, deixando ao lado valores pessoais e sociais; é estimulada por um
profundo sentimento de ódio, inveja do modelo que luta para copiar.
Jamais atrai clientes competentes, vivendo da sedução de alguns incautos
ou se prestando a negócios escusos que alguns aceitam; mudam de posição,
na medida em que o oportunismo se faça presente; vendem preço; não
cumprem as leis, impostos, trabalhistas e sociais; seus administradores
se apropriam de idéias dos outros e as divulgam como se fossem suas.
Contra estes nefastos e inescrupulosos concorrentes, a idéia é que se
combata com três ações fundamentais: fortalecendo nossa posição diante
de clientes multiplicadores; promovendo em primeira mão nossas idéias e
produtos aos diversos públicos que de uma maneira ou de outra possam
ampliar a sua condição de crítica ao predador, restringindo o seu raio
de ação; jamais combatê-la com artifício de preço ou de descontos
pontuais. O cliente poderá comprar o nosso, todavia perdemos ponto.
O outro tipo de concorrente é o desenvolvimentista. Estes trabalham com
responsabilidade, demonstrando que o cliente é enxergado em todos os
momentos. Lucro para eles é premissa, trabalham criando e mantendo
clientes satisfeitos; seus administradores vivem o dia a dia da empresa
e demonstram que criam o futuro. Afirmamos que com concorrentes
desenvolvimentistas não se compete, devemos nos aliar, o que significa
um ganho de competência.
A concorrência mais competente, no entanto, vem daquelas empresas que
são capazes de mudar radicalmente um jeito consagrado de ser. São os
chamados concorrentes revolucionários. O traço comum é a sua
desconcertante objetividade. Nascem de idéias simples, porém
revolucionárias, o que significa um fator de progresso.
Para finalizar as reflexões do empresário Atílio Fontana que carregou
consigo, a propósito de concorrência, em sua carteira e distribuía com
seus amigos:
Bendito sejam meus concorrentes / que me fazem levantar cedo e me render
mais o dia / que me obrigam ser mais atencioso competente e correto /
que me fazem avivar a inteligência para melhorar meus produtos e meus
serviços / que não dizem minha virtude e gritam bem alto meus defeitos e
assim posso corrigir-me / que quiseram me arrebatar o negócio, forçando
a me desdobrar para conservar o que tenho.
Que me fazem ver em cada cliente um homem a quem devo servir e não
explorar, o que faz de cada um meu amigo / que me fazem tratar
humanamente meus vendedores, para que se sintam parte da empresa e
vendam com mais entusiasmo / que provocam em mim o desejo de superar-me
e melhorar meus produtos / que com sua concorrência me converteram em
fator de progresso e prosperidade.
Salve os concorrentes! Eu os saúdo... e que o senhor lhes dê vida longa!
Ps. Este artigo foi estimulado e traz muito do livro Usina de Valor de
José Carlos Teixeira Moreira. Parabéns e muito obrigado ao autor pela
contribuição.

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