Cuidado importante é analisar a realidade presente. Conquistas
extraordinárias do passado podem distorcer sua percepção da realidade
atual. O conceito de maior, de melhor, de superior, guarda algum tipo de
relatividade. Todo e qualquer conjunto social para ser eficiente precisa
fundamentalmente de harmonia entre os circunstantes e não reserva espaço
para arrogante.
Sabemos que na vida há sempre um trajeto, um objetivo delineado e uma
determinação interior de cumpri-lo que lhe conduza ao sucesso. A
vitória, não emerge do acaso, mas de atitudes, planejamento, preparação
e ação conscientes e sadios, de todo conjunto, do time.
O arrogante busca e se envaidece com a medalha de honra ao mérito – tem
verdadeira obsessão – mesmo com mérito duvidoso. Quando assim procede,
vez por outra, lhe faltará um pedaço de chão, a fantasia cairá, será
obrigado a acordar para a realidade e o tempo passou.
Costuma violar regras e procedimentos, acreditando não se aplicarem a
ele, por desfrutar de imunidade plena e irrestrita, na sua ótica. É
comum contratar consultores ou assessores que validem suas decisões.
Demite todos que eventualmente discordem de suas premissas, do cliente
ao fornecedor. Sua palavra é de rei, e não admite discussão.
Há quem coloque o pedante, o esnobe, o pretensioso e o arrogante no
mesmo pacote. Imagine que cada um traga no seu DNA uma pitada do outro,
daí se pensar em algo parecido com similaridade, embora diferentes no
todo.
Não seja pretensioso. Imaginem como Lao-Tsé, o chinês “quem fica na
ponta dos dedos, não se conserva de pé durante muito tempo”. Jô Soares,
o humorista, falou “o verdadeiro pretensioso é aquele que se acha mais
inteligente do que todos aqueles que são tão burros quanto ele”.
O arrogante acredita nos bajuladores, oportunistas ou na Imprensa,
enquanto o barco faz água. Possivelmente desconhece que quem viver uma
realidade que não existe, flutua com seu próprio fim. Que aconteceu com
a formosa GM. Esnobou Toyota, Honda, Hyundai, e tantos outros asiáticos
e europeus e deu no que deu.
Costuma não dá ouvido a ninguém, caracterizando uma manifestação plena
de arrogância. De nada adianta opiniões de clientes – com clientes não
se desdenha – colaboradores, investidores, amigos, parentes, governo e
suas leis. Suas atitudes resumem-se a ignorar e achar graça, debochar.
Adora exibição, onde quer que esteja, sobre qualquer assunto, desde que
estabeleça algo de superior sobre os demais. Usa da intimidação sobre
seus circunstantes, certamente para demonstrar força e superar suas
fraquezas, conceitualmente, posso, mando e obedeça.
O arrogante é um enganador de si próprio e dos demais, desconhece os
caminhos, possivelmente nunca ouviu falar no poeta Antonio Machado e sua
aula filosófica e doutrinária: Caminante, no hay camino. Se hace camino
al andar.

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