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Arrogância: O avesso da verdade

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 23/01/2010
NA GRÉCIA ANTIGA, a arrogância – hubris – era conhecida como “defeito trágico”, precursora da queda de grandes heróis. No mundo de hoje, levou grandes corporações ao tropeço, ao equívoco, ao insucesso.

Arrogância tem tudo a ver com uma sensação de superioridade. Para outros é uma manifestação de exaltação ao som de sua própria voz. É também demonstração ostensiva de superioridade, presunção, orgulho, insolência, ou desdém. Decididamente, a arrogância é uma imagem distorcida de sua pessoa, que não está de acordo com os fatos, nem com o perfil individual ou corporativo.

Costuma violar regras e procedimentos, acreditando não se aplicarem a ele, por desfrutar de imunidade plena e irrestrita, na sua ótica.

Cuidado importante é analisar a realidade presente. Conquistas extraordinárias do passado podem distorcer sua percepção da realidade atual. O conceito de maior, de melhor, de superior, guarda algum tipo de relatividade. Todo e qualquer conjunto social para ser eficiente precisa fundamentalmente de harmonia entre os circunstantes e não reserva espaço para arrogante.

Sabemos que na vida há sempre um trajeto, um objetivo delineado e uma determinação interior de cumpri-lo que lhe conduza ao sucesso. A vitória, não emerge do acaso, mas de atitudes, planejamento, preparação e ação conscientes e sadios, de todo conjunto, do time.

O arrogante busca e se envaidece com a medalha de honra ao mérito – tem verdadeira obsessão – mesmo com mérito duvidoso. Quando assim procede, vez por outra, lhe faltará um pedaço de chão, a fantasia cairá, será obrigado a acordar para a realidade e o tempo passou.

Costuma violar regras e procedimentos, acreditando não se aplicarem a ele, por desfrutar de imunidade plena e irrestrita, na sua ótica. É comum contratar consultores ou assessores que validem suas decisões. Demite todos que eventualmente discordem de suas premissas, do cliente ao fornecedor. Sua palavra é de rei, e não admite discussão.

Há quem coloque o pedante, o esnobe, o pretensioso e o arrogante no mesmo pacote. Imagine que cada um traga no seu DNA uma pitada do outro, daí se pensar em algo parecido com similaridade, embora diferentes no todo.

Não seja pretensioso. Imaginem como Lao-Tsé, o chinês “quem fica na ponta dos dedos, não se conserva de pé durante muito tempo”. Jô Soares, o humorista, falou “o verdadeiro pretensioso é aquele que se acha mais inteligente do que todos aqueles que são tão burros quanto ele”.

O arrogante acredita nos bajuladores, oportunistas ou na Imprensa, enquanto o barco faz água. Possivelmente desconhece que quem viver uma realidade que não existe, flutua com seu próprio fim. Que aconteceu com a formosa GM. Esnobou Toyota, Honda, Hyundai, e tantos outros asiáticos e europeus e deu no que deu.

Costuma não dá ouvido a ninguém, caracterizando uma manifestação plena de arrogância. De nada adianta opiniões de clientes – com clientes não se desdenha – colaboradores, investidores, amigos, parentes, governo e suas leis. Suas atitudes resumem-se a ignorar e achar graça, debochar.

Adora exibição, onde quer que esteja, sobre qualquer assunto, desde que estabeleça algo de superior sobre os demais. Usa da intimidação sobre seus circunstantes, certamente para demonstrar força e superar suas fraquezas, conceitualmente, posso, mando e obedeça.

O arrogante é um enganador de si próprio e dos demais, desconhece os caminhos, possivelmente nunca ouviu falar no poeta Antonio Machado e sua aula filosófica e doutrinária: Caminante, no hay camino. Se hace camino al andar.

Aucélio Gusmão
  • Médico anestesiologista, escritor, presidente da UniGente-JP e da Unimed-JP
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