“Aí desenvolveu um plano de reduzir despesas: a cada dia atrasado em
meia hora o momento de dar capim para o cavalo. Em uma semana ele
encostou o horário da primeira refeição ao da segunda. O cavalo nem
percebeu. Animado, ele continuou o processo. Conseguiu encostar o
horário da segunda refeição no da terceira”.
“Como o cavalo não reclamasse, ele achou que tinha ensinado o cavalo a
comer menos. Ledo engano. Em um mês o cavalo morreu. Quando o período
de guerras recomeçou, o pior tinha acontecido, ele só tinha ovelhas”.
Esta história é a mesma da maioria das empresas que dão certo,
crescem, vendem bem, passam a liderar o mercado. Nada disto acontece
por acaso. Houve de certeza uma programação, um plano de marketing,
uma equipe competente, um bom produto, e o mercado foi adequadamente
comunicado de todos esses fatos.
Nestes momentos é comum as diretorias e os conselhos suscitarem uma
ingênua e descabida dúvida: será que não estamos gastando demais com
marketing e propaganda? Será que tudo que alcançamos foi em grande
parte produto de um marketing bem feito? Não existirão alternativas
mais baratas?
Vamos economizar, gastar menos, passa ser a palavra de ordem, sem um
embasamento técnico para tal decisão. Aí começa a derrocada. Com
mercado não se brinca, o avesso do avesso, exatamente como aconteceu
na história de Júlio, do cavalo que aprendeu a não comer.
Mercado é rico em sutilezas, extremamente sensível a variações, e a
concorrência não dorme no ponto, dedica todas as horas de todos os
dias, para atacar a vulnerabilidade por pequena que seja, do líder.
Isto é facilmente verificado, por exemplo, quando uma empresa ocupa
uma mídia importante, que muito significava no mercado. Vacilou,
deixou de anunciar, imediatamente as concorrentes buscarão ocupar
aquele espaço.
Isto não significa que deva-se ficar refém de agências ou empresas do
ramo publicitário. Para isto existe um instrumento técnico,
científico, que ajuda nas decisões, as pesquisas.
Nenhum processo de criação ou manutenção de uma imagem agüenta ser
desfalcado, de repente, sem um motivo nobre, haverá perdas, talvez
significativas, podendo ter um preço muito alto.
A Coca-cola é líder mundial inconteste entre as cocas e todos os
refrigerantes. Ninguém sabe explicar porque ela é mais saborosa que a
Pepsi. Nem ela explicou, mas investe 6% de seu faturamento bruto em
publicidade, sustentando a tese.
Voltando a história de Júlio Ribeiro, resta-nos as seguintes
indagações: e se vier a guerra? Você vai combater montado em ovelhas?
Quando a realidade e a percepção se enfrentam, a realidade sempre
perde. Preserve o cavalo. Ovelhas não são boas em batalhas!

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