PUBLICIDADE

Fale conosco
Quem somos
Comunidade PortalBip
João Pessoa - PB -

Jogo do poder e suas práticas

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 21/11/2009
Diz a fábula “era uma vez um pastor que criava e gostava de ovelhas. Gostava porque eram mansas e indefesas, não ofendiam a ninguém. Não tinham garras, nem presas, nem chifres. Nas matas vizinhas existiam lobos, que também gostavam delas e, alegavam os mesmos motivos”.

O “gostar” frequentemente guarda objetivos finais diferentes, apesar das alegações motivacionais serem as mesmas. O “gostar” do pastor, menos ofensivo, redundava na produção de cobertores de lã. O “gostar” dos lobos, copiosas refeições.

O “gostar” frequentemente guarda objetivos finais diferentes, apesar das alegações motivacionais serem as mesmas.


Nas duas situações, as ovelhas são instrumentos no processo, tratadas com maior ou menor voracidade. Para elas, resta a impotência ante a violência, sem nada a fazer.

Esta fábula nos ajuda a pensar de forma clara, o jogo do poder. Evidente fica que não é jogado jamais com ética, por ser insaciável, não conhecer limites.

Se nos reportarmos aos partidos políticos, a história constata que ao assumirem o poder, nenhum deles invocou ou invoca princípios éticos para colocar limites no uso do poder.

Amedronta ouvir “o povo unido jamais será vencido”, dito de forma leviana, por quem não tem legitimidade. O povo não pensa, quem pensa, são os indivíduos, lembrou certa ocasião, Ruben Alves. E é a verdade. A massa humana obedece a um grito de comando ou liderança – atacar, queimar, quebrar, invadir – ocasião que explodem contra tudo e contra todos, autentica estouro de boiada, violência descontrolada.

O pescador aprisionava os inocentes peixes com suas redes. O homem inteligente e possessivo faz o mesmo com seus semelhantes, usando palavras, que passam a ser chamadas teorias, teses, doutrinas ou estratégias.

Do descontrole social surge a violência e a primeira constatação: o crime não começa com o dedo que puxa o gatilho, ele começa naquele que fabrica as armas.

Quem são os criminosos, terroristas, bandidos, traficantes, anarquistas? Aqueles que usam as armas ou aqueles que fabricam e enriquecem com seu comércio?

Atualmente o monopólio da violência pertence aos bandidos bem mais competentes que o Estado. A diferença é que o Estado tem um ritual garantido.

Como fica o cidadão e a cidadania? Quem garantirá este caos e as incertezas?

Realidades não se tratam com decretos ou leis que as proíbam. É preciso ações, atacar agentes causais. Atitudes pontuais, apenas deslocam o problema para outro lugar.

O professor Ruben Alves entende assim: o poder tem uma lógica toda sua. Que se distancia das ordens, da verdade, da beleza e da bondade.

Portanto, não são os homens que jogam o jogo do poder. É o poder que joga com os homens!

Aucélio Gusmão
  • Médico anestesiologista, escritor, presidente da UniGente-JP e da Unimed-JP
  •  
  • Fale com o colunista
  •  
Colunas Anteriores

Primeira Página | Índice de Notícias | Fale Conosco | Quem Somos | Comunidade Portalbip

Copyright © portalbip.com - 2004 - Todos os direitos reservados  - Fone da Redação (83) 8868-1617 - Design Pedro Andrade