Nas duas situações, as ovelhas são instrumentos no processo, tratadas
com maior ou menor voracidade. Para elas, resta a impotência ante a
violência, sem nada a fazer.
Esta fábula nos ajuda a pensar de forma clara, o jogo do poder.
Evidente fica que não é jogado jamais com ética, por ser insaciável,
não conhecer limites.
Se nos reportarmos aos partidos políticos, a história constata que ao
assumirem o poder, nenhum deles invocou ou invoca princípios éticos
para colocar limites no uso do poder.
Amedronta ouvir “o povo unido jamais será vencido”, dito de forma
leviana, por quem não tem legitimidade. O povo não pensa, quem pensa,
são os indivíduos, lembrou certa ocasião, Ruben Alves. E é a verdade.
A massa humana obedece a um grito de comando ou liderança – atacar,
queimar, quebrar, invadir – ocasião que explodem contra tudo e contra
todos, autentica estouro de boiada, violência descontrolada.
O pescador aprisionava os inocentes peixes com suas redes. O homem
inteligente e possessivo faz o mesmo com seus semelhantes, usando
palavras, que passam a ser chamadas teorias, teses, doutrinas ou
estratégias.
Do descontrole social surge a violência e a primeira constatação: o
crime não começa com o dedo que puxa o gatilho, ele começa naquele que
fabrica as armas.
Quem são os criminosos, terroristas, bandidos, traficantes,
anarquistas? Aqueles que usam as armas ou aqueles que fabricam e
enriquecem com seu comércio?
Atualmente o monopólio da violência pertence aos bandidos bem mais
competentes que o Estado. A diferença é que o Estado tem um ritual
garantido.
Como fica o cidadão e a cidadania? Quem garantirá este caos e as
incertezas?
Realidades não se tratam com decretos ou leis que as proíbam. É
preciso ações, atacar agentes causais. Atitudes pontuais, apenas
deslocam o problema para outro lugar.
O professor Ruben Alves entende assim: o poder tem uma lógica toda
sua. Que se distancia das ordens, da verdade, da beleza e da bondade.
Portanto, não são os homens que jogam o jogo do poder. É o poder que
joga com os homens!

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