Diz a fábula “era uma vez um pastor que criava e gostava de ovelhas.
Gostava porque eram mansas e indefesas, não ofendiam a ninguém. Não tinham
garras, nem presas, nem chifres. Nas matas vizinhas existiam lobos, que
também gostavam delas e, alegavam os mesmos motivos”.
O “gostar” frequentemente guarda objetivos finais diferentes, apesar das
alegações motivacionais serem as mesmas. O “gostar” do pastor, menos
ofensivo, redundava na produção de cobertores de lã. O “gostar” dos lobos,
copiosas refeições.
O “gostar” frequentemente guarda objetivos finais diferentes, apesar
das alegações motivacionais serem as mesmas.
Nas duas situações, as ovelhas são instrumentos no processo, tratadas com
maior ou menor voracidade. Para elas, resta a impotência ante a violência,
sem nada a fazer.
Esta fábula nos ajuda a pensar de forma clara, o jogo do poder. Evidente
fica que não é jogado jamais com ética, por ser insaciável, não conhecer
limites.
Se nos reportarmos aos partidos políticos, a história constata que ao
assumirem o poder, nenhum deles invocou ou invoca princípios éticos para
colocar limites no uso do poder.
Amedronta ouvir “o povo unido jamais será vencido”, dito de forma leviana,
por quem não tem legitimidade. O povo não pensa, quem pensa, são os
indivíduos, lembrou certa ocasião, Ruben Alves. E é a verdade. A massa
humana obedece a um grito de comando ou liderança – atacar, queimar,
quebrar, invadir – ocasião que explodem contra tudo e contra todos,
autentica estouro de boiada, violência descontrolada.
O pescador aprisionava os inocentes peixes com suas redes. O homem
inteligente e possessivo faz o mesmo com seus semelhantes, usando
palavras, que passam a ser chamadas teorias, teses, doutrinas ou
estratégias.
Do descontrole social surge a violência e a primeira constatação: o crime
não começa com o dedo que puxa o gatilho, ele começa naquele que fabrica
as armas.
Quem são os criminosos, terroristas, bandidos, traficantes, anarquistas?
Aqueles que usam as armas ou aqueles que fabricam e enriquecem com seu
comércio?
Atualmente o monopólio da violência pertence aos bandidos bem mais
competentes que o Estado. A diferença é que o Estado tem um ritual
garantido.
Como fica o cidadão e a cidadania? Quem garantirá este caos e as
incertezas?
Realidades não se tratam com decretos ou leis que as proíbam. É preciso
ações, atacar agentes causais. Atitudes pontuais, apenas deslocam o
problema para outro lugar.
O professor Ruben Alves entende assim: o poder tem uma lógica toda sua.
Que se distancia das ordens, da verdade, da beleza e da bondade.
Portanto, não são os homens que jogam o jogo do poder. É o poder que joga
com os homens!