Num tempo não tão distante – vinte a trinta anos – passados, a comunicação
era mais lenta, as relações pessoa-pessoa mais próximas, os processos mais
simples.
As pessoas trabalhavam juntas, havia tempo para se reunirem e
compartilharem horas de lazer coletivamente, livres e felizes. As coisas
mudaram com a chegada avassaladora da tecnologia. As relações
interpessoais ficaram mais longe e frias, os processos mais complexos,
chegou essa palavra tão falada, estresse.
As relações interpessoais ficaram mais longe e frias, os processos
mais complexos, chegou essa palavra tão falada, estresse.
Foi para o espaço com ela, os velhos e tradicionais conceitos de “meu
bairro”, “minha rua”, “minha turma”. Eles significavam valor, carinho,
respeito, companheirismo, confiança, afeto, satisfação, prazer, união, a
família conquistada fora de casa. Os amigos originários da “minha turma”
recebiam uma deferência própria.
No trabalho houve uma afetação significativa. Algumas empresas tornaram-se
globais, os companheiros dessa pretensa turma poderão até estar espelhados
pelo mundo, submetidos a fuso horários, em continentes diferentes, falando
línguas diferentes.
Longe de mim, negar o proveito da evolução e desenvolvimento das
sociedades. O desfalque que sinto e manifesto é do calor humano perdido,
da solidariedade inconteste e autêntica que existia.
Nossos pensamentos são nossos destinos, vaticinou Shopenhauer. É a
realidade do mundo econômico global do início do século XXI. Sucesso ou
fracasso são mais do que nunca, questões de conceitos, idéias ou
estratégias. De fato, pensamento e ação estão entrelaçados.
A tolerância à falha tem diminuído drasticamente. Eis o dilema. Sou
competente hoje, e amanhã? Tecnologia sim. Pensadores e executivos
estratégicos também. Estes é que são artífices dos processos, capazes de
transformar este fabuloso conhecimento em decisões sábias e efetivas.
Como seria então um empresário ideal, competitivo em suas decisões e
vencedor? Aquele que utilizará certamente software inteligente. Recrutará
administradores, gerentes e colaboradores capacitados. Dotado da
competência para converter grandes idéias em um contexto produtivo.
Precisará deter o domínio do gerenciamento financeiro e das mais recentes
estratégias de marketing, até porque estas determinarão a competência
econômica. Fazendo uma junção geral, tecnologia e o homem, penso como o
físico irlandês John Desmond Bernal “política sem teoria é cega, a teoria
sem prática é infrutífera”.
Voltando ao início dessa conversa, escolhi para encerrar um pensamento de
Teodoro Levitt que diz assim “a maior forma de realização é sempre a arte,
nunca a ciência”, senão para onde seria remetido o poder da criação?