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O novo e o velho

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 29/08/2009
O novo é inevitável. Quando é necessário mudar? Antes que seja necessária a mudança, em ultima análise, é um processo de invasão de privacidade, onde o futuro invade nossas vidas.

O novo tem que chegar carregado de argumentos inovadores, que signifiquem diferenças, no pensar e no agir, um salto de qualidade no viver. Thoreau, pensador americano, no entanto, alude “as coisas não mudam, nós é que mudamos”.

A arte alija a monotonia das coisas, a esperança, a monotonia dos dias.


Há quem entenda que as dificuldades não residem em assimilar idéias novas, mas se livrar das velhas. O jornalista Júlio Ribeiro assegura a necessidade de mudança na medida em que todas as respostas tornam-se inúteis, porque as perguntas são outras.

O novo jamais poderá ser uma versão melhorada do velho. O que é duradouro não é o que resiste ao tempo, mas sabiamente, muda com ele. O poder da criação não pode ser reprimido nunca. As notas musicais primárias são sete, as cores, três e as letras vinte e seis. Delas originam-se as canções, os poemas e as telas artísticas. Tudo decorrente da capacidade criadora do homem, pelo poder de síntese, organização e harmonia, chamado o novo.

De suma importância é não perder oportunidades. Pode significar sua chance. Quando uma porta se fecha, outra se abre, sempre. Daí quando o vento soprar, o indicativo é de que prepare suas velas, até porque a oportunidade dança com aqueles que estão no salão.

Pena que o povo não pense. Somente os indivíduos pensam. A arte e a esperança são fundamentais para o viver. A arte alija a monotonia das coisas, a esperança, a monotonia dos dias.

Para onde vão a cidadania e os cidadãos? Quem são os verdadeiros criminosos, responsáveis diretos pela violência? Quem usa as armas ou quem as fabricam e enriquecem com seu comércio? As demandas são enormes, realidades palpáveis e difíceis de serem resolvidas com proibições.

A dialética do novo e do velho é muito interessante. Cada qual procura legitimidade e competência, para suas decisões, mudança de hábitos, comportamentos, enfim, sua contemporaneidade. Defendem com unhas e dentes seus valores, configurados na expressão clássica “no meu tempo...”.

Parafraseando Shakespeare, proponho que existem coisas que permanecem imutáveis no tempo. Socorro-me das rosas, as quais, sejam em que época for, até com outro nome, terão certamente o mesmo perfume.
Aucélio Gusmão
  • Médico anestesiologista, escritor, presidente da UniGente-JP e da Unimed-JP
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