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Nós e a mídia

portalbip.com (Aucélio Gusmão) - 20/06/2009
Comunicar é preciso. A boa comunicação, o verdadeiro fundamento do sucesso. A competente comunicação deve ser clara e honesta, colocada de maneira simples para ser entendida, caso contrário, pode até confundir ou atrapalhar.

A notícia é o néctar do repórter, sua profissão, seu viver, elo entre os fatos e a sociedade.

Uma adequada comunicação leva a aceitabilidade, simpatia, julgamento positivo de uma marca, o que certamente ajuda na construção de sua credibilidade.

O sociólogo Manuel Castells em seu – o ser em rede – vaticina uma nova fase em nossas vidas, a qual denomina capitalismo informacional. Essa sua visão se baseia na comunicação e na tecnologia. Muda, portanto, conceitos históricos, ao sairmos do capitalismo financeiro para o informacional.

Afirma na seqüência que aqueles que ignorarem ou não perceberem esta nova realidade, correrão sérios riscos empresariais ou pessoais, na medida em que posicionados à margem dos tempos modernos, serão afetados também em relação a comportamentos e realidades.

Como pensar mídia, comunicação, jornalismo, repórter e resultados? Imagino uma relação clara, ética, transparente, sólida e verdadeira, a qual certamente será construtiva para ambas as partes, o que fará certamente a diferença, tanto a nível de informação para o público como encurtando caminhos para superação de eventuais crises.

A notícia é o néctar do repórter, sua profissão, seu viver, elo entre os acontecimentos e a sociedade. Certa ocasião assisti uma palestra do jornalista Cláudio Abramo, da qual guardei na memória a seguinte passagem “jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”. Palavras de cardeal.

Diríamos deva existir uma relação competente. Quando penso e ajo assim, a minha fé é de que a primeira razão é a própria comunicação, e o objetivo maior do jornalista não é buscar a notícia ruim e sim a de interesse público.

Como entendo e percebo o processo? A notícia é aliada ao fator tempo – tardia perde o efeito furo – daí em algumas oportunidades poder criar dificuldades, ocasionar riscos de parte a parte.

De toda sorte, o noticiário tem uma tendência natural de privilegiar o sensacional, o desconforto e o conflito. A própria sociedade foi habituada a isto. Até o trágico é explorado a exaustão.

Há quem exagere. Distoe, contudo, não é a regra, é exceção. O exibicionista é um deles. Enquanto entrevistador fala mais que o entrevistado, procura passar a imagem que domina melhor o assunto, e, no curso da entrevista busca criar situações embaraçosas, colocando palavras na boca do entrevistado.

Outros se julgam estrela mais reluzente que a própria notícia. Há também os que vivem do denuncismo, verdadeiros ou não. Com o tempo se desacreditam.

A minha convicção é de que o melhor diálogo deverá ser oportunizado sempre. Os profissionais da mídia convivem com o estresse da notícia e o tempo curto para apurar ou criar fatos. Com uma notícia “quente” nas mãos, irá certamente divulgá-la, até por questão de competição no mercado. Ao lhe ouvir e prestar esclarecimentos poderá convencê-lo e nada ser publicado, por ter transformado a premissa de algo sensacional em efêmero.

Conversando é que se entende e a profissão do comunicador é informar.
Aucélio Gusmão
  • Médico anestesiologista, escritor, presidente da UniGente-JP e da Unimed-JP
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